Oito ateliers de arquitectura participam no concurso por convite para o projecto de habitação pública na Zona A, sendo que três são liderados por Carlos Marreiros, Rui Leão e Maria José de Freitas. As propostas apresentadas variam entre 29,6 e 43,2 milhões de patacas
Liane Ferreira
O Governo convidou nove empresas a apresentarem propostas de projectos para a habitação pública na Zona A, no primeiro concurso do género. De acordo com as informações do Gabinete de Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI), oito ateliers estão interessados, incluindo os liderados por Carlos Marreiros, Rui Leão e Maria José de Freitas.
Segundo a tabela da consulta, Carlos Marreiros apresentou uma proposta de 33,8 milhões com prazo de execução de 160 dias. À TRIBUNA DE MACAU, o arquitecto macaense, recentemente seleccionado para o projecto da Biblioteca Central no Antigo Tribunal, afirmou que a sua firma decidiu participar porque apesar das tentativas nunca ganhou um concurso para habitação social. “Em segundo lugar, temos de insistir, e em terceiro lugar, porque por maior bondade, a habitação feita em Macau não é por ali além brilhante e nós temos soluções brilhantes. Nós, com o mesmo programa conseguimos fazer maior”, declarou, escusando-se a revelar mais detalhes.
Sublinhando que gostava muito que a sua empresa fosse seleccionada, defendeu que “conseguiria trazer mais felicidade a este tipo de arquitectura que tem sido muito infeliz, quando o objectivo da arquitectura como da música e tecnologia, é uma forma de contribuir para a felicidade do Homem”.
Marreiros não sabe quando será revelado o resultado da adjudicação, mas pela sua experiência nota que o GDI é célere na avaliação das propostas.
“Não é por ser um aterro ou sermos os primeiros a ir para lá, mas porque tem vistas e por isso merece habitação social com valências funcionais e áreas agradáveis para quem lá habita. Além disso, como objecto urbano não será mais um mono, como os que vemos por aqui desse tipo de natureza arquitectónica”, declarou, acrescentando que o local será “a entrada de Macau”.
Por sua vez, a AE TEC-MO Arquitectura e Engenharia apresentou um orçamento mais elevado, de 40,32 milhões de patacas e 230 dias de execução. Esta empresa é liderada por Maria José de Freitas, que preferiu não fazer comentários porque o processo ainda se encontra em fase de decisão. O seu atelier ganhou a adjudicação do auto-silo junto à povoação de Chun Su Mei na Taipa por dois milhões de patacas e os projectos da estação de Correios da Taipa e o posto dos Serviços de Turismo no Terminal Marítimo do Porto Exterior.
Rui Leão, com o “Leão Atelier Arquitectura”, também está na corrida com uma proposta de 36,1 milhões. Além dele, a “BLA Consultores de Arquitectura e Engenharia Limitada” respondeu igualmente ao convite com uma proposta de 36,75 milhões de patacas. Recorde-se que estas duas empresas foram as projectistas do projecto do Bairro Social do Fai Chi Kei que valeu a Rui Leão e à co-autora Carlotta Bruni a participação na mostra dos 100 Arquitectos de 2017, organizada pela União Internacional dos Arquitectos, e ainda o prémio de excelência da Associação dos Arquitectos de Macau.
Do concurso faz ainda parte a “P & T Architects and Engineers Limited Sucursal de Macau”, que propõe 29,68 milhões de patacas. A empresa é responsável por obras, como o edifício do Banco da China, o antigo Hotel Westin, o edifício do Posto Fronteiriço de Macau da Ponte Hong Hong- Zhuhai-Macau e o próprio Centro de Ciência.
O gabinete de arquitectura de Eddie Wong também faz parte da consulta, apresentando o orçamento mais elevado do conjunto dos oito, com um total de cerca de 43,22 milhões de patacas. Eddie Wong tem na sua pasta o projecto de concepção do complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas que vai custar 235,5 milhões de patacas ao erário público.
Para além disso, a CAA, Planeamento e Engenharia, Consultores Limitada, do deputado e engenheiro José Chui Sai Peng, também se mostrou interessada, concorrendo com uma proposta de 33,95 milhões de patacas. A empresa do primo de Chui Sai On recebeu por exemplo dois contratos de fiscalização para obras no campus da Ilha da Montanha da Universidade de Macau.
O atelier “Arquitecto Chan Hou Kuan” é outro dos proponentes com um projecto orçado em 33,8 milhões de patacas. A este gabinete foi adjudicada em 2010 a elaboração do projecto de habitação pública na Ilha Verde no lote 3, por 9,99 milhões de patacas. Além disso, também recebeu o projecto da remodelação de equipamentos sociais na habitação pública na Estrada Nordeste da Taipa por 1,57 milhões e a empreitada de construção de habitação pública, na Avenida de Venceslau Morais, por 38,5 milhões de patacas.
Das nove convidadas, só a OBS-Arquitectos, responsável pelo Centro Cultural de Macau e complexo habitacional a Penha não apresentou proposta.
O lote B4 tem 10.698 metros quadrados de área e pode albergar prédios com um máximo de 71 ou 107 metros de altura, dependendo da transferência para outro local do heliporto, situado a sudoeste.



