O novo presidente do Banco Nacional Ultramarino (BNU) está determinado em fazer crescer um “negócio que já é forte”, dado o “mar de oportunidades” que encontrou desde que assumiu funções. Em entrevista à TRIBUNA DE MACAU, Carlos Cid Álvares fala nos projectos que tem em manga para o banco e identifica as áreas que pretende ver crescer. Admitindo que o BNU deve estar “mais próximo” das PME, ressalva porém que é preciso ultrapassar algumas dificuldades como o facto dessas empresas não divulgarem elementos contabilísticos com maior regularidade. Ainda assim, nos próximos meses, Carlos Álvares vai dotar o banco de pessoal mais capacitado nesta área de negócio e mostra-se igualmente empenhado para que o BNU seja “mais atractivo no segmento dos jovens”
Catarina Almeida
-Qual era o seu entendimento sobre o Banco Nacional Ultramarino (BNU) antes da formalização do convite para ser o novo presidente da instituição?
-Não sou colaborador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e portanto não tinha muita perspectiva do que seria o BNU aqui em Macau a não ser de uma marca forte em Portugal – que já há bastante tempo foi absorvida pela Caixa – com dezenas de anos. Sabia também que era banco emissor, o que tem uma relevância enorme. Obviamente que antes de vir fiz algum trabalho de casa e fiquei com essa ideia de um banco com uma presença bastante forte em Macau.
-Nesse contexto, o que o levou a aceitar este convite?
-Tenho 59 anos e trabalho já há 36 anos na banca. Na sequência da compra do Popular por parte do Santander cheguei a acordo com a administração do banco no sentido da minha saída. Sempre quis ter uma experiência profissional fora de Portugal e já tinha tido algumas hipóteses de o fazer, mas por diferentes circunstâncias isso nunca aconteceu, embora tenha tido algumas experiências no exterior. Através do Banco Popular tinha de ir algumas semanas a Madrid. Quando trabalhei noutra instituição tinha de ir quase todos os meses à Suíça e numa base anual às Ilhas Caimão. Já tinha tido algumas experiências fora mas nunca a viver fora. Tenho 59 anos mas costumo dizer às pessoas que desde que cheguei a Macau sinto-me com 49, porque estes ares da Ásia, o facto da economia crescer e de termos uma realidade com um banco bastante interessante e as pessoas serem o que são faz-me rejuvenescer e estou entusiasmadíssimo com este convite que aceitei com muito gosto e que, se Deus quiser, vai correr bem.
-Que planos e estratégias tem em mente nesta nova fase do BNU que durante muitos anos foi liderado por Pedro Cardoso?
-O BNU tem um peso fortíssimo aqui na comunidade: tem cerca de 240 mil clientes – um número fantástico quando vivem em Macau mais de 600 mil pessoas, ou seja, quase um terço da população tem uma relação bancária com o BNU. Isso é um factor fundamental numa lógica de fazer crescer o banco, talvez tentando com que mais clientes trabalhem mais activamente com o banco, que tenham bons níveis de serviço e atendimento e que no fundo recomprem e que nos refiram a outros potenciais clientes. Há um mar de oportunidades para crescer num negócio que já é forte mas que pode ser mais através do crédito à habitação, da negociação de pagamentos, da compra de seguros, venda de fundos… é uma área forte do banco e que importa complementar. Há também uma relação muito forte e antiga com os organismos da Região Administrativa Especial de Macau e com os funcionários públicos que importa preservar. As notícias que tenho é de que há uma relação excelente e não tenho notícias de reclamações, portanto, é uma área que importa preservar e fazer crescer. Há um terceiro pilar que tem a ver com uma componente importantíssima da economia da região, os casinos. O BNU terá sido a entidade que forneceu as garantias bancárias que permitiram que esses negócios pudessem vir a nascer e a crescer no princípio da instalação dos casinos. Há uma relação forte com as seis concessionárias e subconcessionárias a nível empresarial mas também ao nível de todos os seus colaboradores. Estes três pilares são fundamentais para o BNU.
-O que poderá ser melhorado?
-Diria que o banco tem de estar mais próximo das Pequenas e Médias Empresas (PME). Era uma coisa que na minha anterior instituição bancária sabíamos fazer bem e tínhamos quotas de mercado muito relevantes nesse segmento. Haverá duas dificuldades para concretizar isso aqui mas temos outros factores fortíssimos.
-Quais são essas dificuldades, já que em 2017 o banco comprometeu-se a aumentar o apoio às PME locais?
-A primeira tem a ver com a situação fantástica que se vive em Macau de pleno emprego. É difícil arranjar pessoas com as capacidades adequadas para desenvolver este tipo de negócio. Não é fácil recrutar pessoas para desenvolver este negócio. Temos vindo a conseguir fazê-lo, mas talvez a primeira restrição ao crescimento desse negócio é porque não temos ainda uma estrutura de pessoas adequada para o desenvolver. Estamos a dotar o banco de gente com capacidade mas ainda não estamos com uma estrutura que considero como óptima. A segunda dificuldade é a não existência de uma central de responsabilidades que permita dar uma informação aos bancos sobre as responsabilidades dos clientes dentro do sistema bancário e que existe no Continente chinês, em Hong Kong e na maior parte dos países europeus. Seria interessante que existisse em Macau e julgo que estão a ser desenvolvidos passos nesses sentido. Assim, temos dificuldade em pensar qual o nível de dívida do cliente no sistema financeiro, o que é importante para aferir a sua capacidade para vir a reembolsar as dívidas no futuro que não seja através da venda de activos mas sim com base no “cash-flow”. A terceira dificuldade tem a ver, porventura, com a ausência de dados contabilísticos. Não haverá muita tradição de se entregar de forma atempada, e se calhar uma vez por ano, os elementos contabilísticos da empresa ou grupos de empresas que são detidas por parte dos clientes. As PME deveriam também fornecer com mais periodicidade elementos contabilísticos e financeiros sobre as suas actividades porque têm crédito fundamentalmente com base em garantias reais. Estão a perder uma oportunidade de terem uma maior alavancagem e mais financiamento para concretizar os seus projectos de investimentos se baseassem os seus pedidos de crédito na sua capacidade de reembolso, ou seja, na capacidade para geração de ‘cash-flow’. Acredito que há montes de empresas em Macau que têm essa capacidade e, em vez de estarem resumidas a obter crédito com base em garantias reais, poderiam também obter esse crédito com base na capacidade de gerar ‘cash-flow’. É uma área para desenvolver e haverá mais de 40 mil PME em Macau e o banco tem margem para crescer.
-Essas dificuldades podem ser ultrapassadas mediante mais colaboração entre o BNU e o Governo?
-A central de risco está já a ser endereçada pela Autoridade Monetária pelo que no curto prazo deverá haver novidades nesse sentido. Em relação aos elementos contabilísticos admito que vivi isso em Portugal, há uma série de anos, e depois a certa altura – fruto de maior integração de Portugal junto da União Europeia e da necessidade de cumprir as orientações dos diferentes supervisores – foi um caminho que se encontrou, de maior transparência na facilitação de informação contabilística por parte das empresas aos bancos. E acredito que, em Macau, esse caminho também vai acontecer.
-Das 40 mil PME, quantas colaboram com o BNU?
-De forma activa colaboram menos de 10%, portanto, temos aí muito caminho para desbravar. Agora, o banco tem 240 mil clientes mas, até Agosto deste ano, abriu 10 mil novas contas. É um banco que está vivo, apesar de ter 117 anos, porque através da sua rede de agências (20) e da área empresarial aqui na sede atrai clientes, seja por referência de outros mas também porque tem uma marca muito forte. Mas, o segmento dos jovens é um outro vector que vai implicar algum foco. Temos quotas interessantíssimas nos segmentos a partir dos 30/35 anos e que vão sendo cada vez mais fortes à medida que nos vamos aproximando de idades mais elevadas, mas temos de ser mais atractivos no segmento dos jovens. Estamos a trabalhar nisso, vamos abrir em Outubro uma agência na Universidade de Macau, que é frequentada por cerca de 15 mil alunos, e que será bastante importante para mostrar que o banco está presente nessa faixa etária. Vai ser uma agência igual às restantes. Em termos de design bastante apelativa, moderna e há-de ter uma estrutura mais ou menos semelhante. No mínimo arranca com três a quatro colaboradores e depois logo se verá em função do desenvolvimento do negócio.
-Em que outras áreas de actuação procura investir?
-Lançámos uma nova aplicação. Ou seja, através do telefone as pessoas têm acesso ao banco e podem fazer variadas transacções numa aplicação muito simples, moderna e ‘user friendly’ o que para a juventude é muito bom. Já temos a funcionar o ‘QR Code’ junto dos nossos comerciantes e espero no curto prazo ter também para toda a nossa base de clientes. São coisas a que obviamente a juventude – mas também outras gerações – está mais próxima nessa forma de relação com os bancos. O terceiro [foco] tem a ver com os clientes de ‘private banking’. Com uma economia a crescer de forma pujante há muita gente em Macau que tem vindo a adquirir mais poder de compra e que tem mais capacidade para determinados investimentos – não apenas um depósito a prazo – estando por isso abertos a investir em fundos, bolsa, seguros. E admito que a oferta do BNU nesta área possa ser ainda mais forte trabalhando em regime de arquitectura aberta com produtos de terceiros […] que são feitos por outras casas de investimento mas com renome mundial e em que os clientes sentem confortáveis em adquirir. Um quarto pilar tem a ver com o facto do banco poder ser uma plataforma de trabalho com os países de expressão portuguesa. É uma das orientações do Governo Central e Macau pode ter um peso importantíssimo nesta relação com os países de expressão portuguesa. A CGD está presente em todos eles, sendo o banco principal em cinco. A agência na Ilha de Hengqin foi um investimento estratégico muito bem gizado e que com o projecto da Grande Baía pode ser altamente alavancado, porque vamos ter numa zona – que é inferior ao tamanho de Portugal -5% da população da China, com quase 15% do seu PIB e com negócios em quase todos os sectores de actividade e em cada uma das zonas é forte: Macau com o jogo, lazer, hospitalidade, Hong Kong com serviços financeiros e outras actividades e o Continente chinês com uma panóplia de indústrias que complementam as outras. A agência em Hengqin pode dar-nos uma força grande para crescer também neste negócio. Gostava de ser o primeiro banco no número mais alargado de clientes. Já o somos em todos os clientes em que temos crédito à habitação mas talvez possamos ser o primeiro dos clientes-empresa, PME e com isso apoiar o crescimento da região, fortalecer o tecido empresarial e simultaneamente crescer com os diferentes sectores.
-Que resultados tem obtido a agência em Hengqin em termos de captação de investimento e negócio?
-A sucursal nasceu para apoiar fundamentalmente empresários de Macau que estavam a investir no Continente chinês. Tínhamos alguma dificuldade em apoiar empresários de outras jurisdições porque não os conhecíamos, o que não é impeditivo de fazer negócio mas não é tão fácil. Vejo todos os dias operações de crédito e são clientes que têm relações com o banco há mais de 15-20 anos, portanto, há um conhecimento de parte a parte. A sucursal nasceu para isso mas não quer dizer que não vá um bocadinho mais além. Temos estado a participar nalgumas operações sindicadas com outros bancos no apoio a empresas de muito bom risco – julgo que em quase 100% dos casos são empresas cotadas – e com uma informação bastante transparente, com contas auditadas e em que sentimos que a rentabilidade que conseguimos retirar dessas operações versus o risco das mesmas é compatível com os nossos objectivos. Continuamos a trabalhar activamente com empresários de Macau que estão a investir naquela zona mas também estamos a fazer outros negócios que permitem rentabilizar a sucursal. Neste momento está no ponto de equilíbrio e acredito que vai começar a estar bastante acima desse ponto já a partir do próximo ano.
-Com quantos clientes trabalham a partir dessa agência?
-Temos 12 colaboradores, é como se fosse um banco pequenino. Respeitamos todas as regras definidas pela Autoridade Monetária da China e temos gente na área comercial, do risco, auditoria, operações… É como se fosse uma pequena operação autónoma mas obviamente apoiada por toda a estrutura de serviços centrais e comerciais daqui. O número de clientes ainda não é significativo mas o facto é que têm algum peso e que permitem tornar a operação rentável.
-Qual tem sido o desempenho do escritório em Xangai? O BNU pondera reestruturar as suas funções?
-O Banco tem o escritório em Xangai e o grupo CGD tem escritório em Bombaim, Goa e Zhuhai – este último em fase de encerramento porque entendemos que Hengqin seria suficiente para cobrir esta área. Os escritórios de representação têm funções bastante limitadas em termos de operações bancárias. Praticamente não geram operações porque são mais de representação e de promoção da existência da sua casa-mãe, neste caso em Macau e na China Continental, através de Hengqin. Mas estamos contentes. Temos uma estrutura profissional pequena, com três colaboradores, mas que são bastante activos e que têm, no fundo, promovido bem o nome do BNU junto do tecido empresarial em Xangai mormente no apoio a empresas portuguesas que estão naquela zona, mas também empresas chinesas que têm negócio com Portugal e com países de expressão portuguesa.
-A CGD deu ordens no início do ano para grande cortes no BNU ao nível de media, marketing e investimentos. Em que sentido essas ordens foram ou serão executadas?
-A CGD vai apresentar lucros fortes este ano e admito que o mau tempo que fustigou muitos bancos pela Europa fora, que obrigou a operações de redefinição do modelo de negócio e reestruturação fortes poderá ter passado. O BNU já cumpria a maior parte dos indicadores que seriam desejáveis cumprir: o resultado sobre o capital que é superior a 10%, um valor invejável, e também o custo sobre os proveitos que ronda os 35%, mais um indicador invejável. A partir do momento em que não estimamos que os proveitos caiam, porque o banco tem “n” caminhos para percorrer no sentido de aumentar o seu volume de negócios e resultados, não haverá necessidade de reduzir custos como terá ocorrido nos últimos anos em Portugal. Gerimos todos os recursos com parcimónia, mas não estamos a pensar que será necessário reduzir pessoas, cortar custos… Isso não está em cima da mesa. Macau é uma zona do mundo que cresce a 7% e seria uma pena não aproveitar essa oportunidade de crescimento para também fazer o banco crescer.
-Não houve, portanto, cortes no pessoal?
-As pessoas saíram fundamentalmente por terem chegado à idade da reforma. A situação de pleno emprego favorece muito a rotação e as pessoas saem porque encontram eventualmente melhores alternativas, outras oportunidades, e às vezes nem sequer vão trabalhar para terceiros. Não se forçou nem vou forçar a saída de ninguém, antes pelo contrário, estou a tentar recuperar algumas pessoas que saíram aos 65 anos e que tinham um conhecimento muito grande de Macau e que podem continuar a ter um papel importante no BNU. Tenho já dois ou três casos de pessoas que saíram e que vão voltar a trabalhar connosco de forma activa, mas obviamente noutro regime, porque estão com saúde e vontade e temos todo o gosto em as acolher. São pessoas que conhecem muito bem a praça nomeadamente o tema das PME, e nalguns casos também em serviços centrais, ou seja, áreas de cariz operacional.
-Foi assinado um protocolo entre o BNU e a CGD para estreitar a colaboração entre as instituições juntando a China e os países de Língua Portuguesa. Ao mesmo tempo, o peso da actividade de ligação do BNU com os países lusófonos era, no início de 2017, pequeno mas crescente. Há efectivamente espaço para crescer nesse sentido face à posição estratégica de Macau enquanto plataforma?
-Há uma ligação fortíssima através da nossa casa-mãe. Celebrámos esse protocolo para dinamizar todo esse negócio que resulta bastante da agilização na abertura de contas, agilização no fluxo de fundos entre os diferentes países – Macau ou o Continente chinês – e a referenciação de clientes. Este negócio está a crescer a dois dígitos, o que é bastante interessante, mas há sempre hipótese de fazer mais e melhor. Temos vindo a fazer operações com Moçambique e São Tomé e Príncipe mas acredito ser possível fazer também mais operações via Brasil e Angola. Temos aí alguns clientes com negócios que nos estão a ser apresentados e que me fazem prever que vamos crescer razoavelmente nesse domínio. Vi recentemente transacções entre os países de língua oficial portuguesa e a China a crescer a dois dígitos e felizmente nós também estamos a crescer esse valor a nível das transacções que são intermediadas por nós. É também interessante o facto de todos os bancos do grupo Caixa terem aberto contas em renminbis para facilitar, no fundo, todos os clientes que queiram e façam exportações e importações de/para a China porque ao estarem expostos ao renminbi podem fazer uma cobertura de risco natural e, nesta lógica, dinamização da utilização do renminbi nas transacções internacionais que tem sido também um objectivo das autoridades da RAEM.
-Em termos de concorrência local, pretende que o BNU tenha um peso mais forte na comunidade expatriada e na chinesa?
-Uma das primeiras coisas que fiz quando cheguei ao banco foi visitar todas as agências, falar com as pessoas e serviços centrais e cheguei à conclusão que toda a gente fala Cantonense. Algumas pessoas falam Mandarim, Inglês e, infelizmente, não muitas falam Português, se bem que na sede [do BNU] temos um número suficiente de falantes de Português na área comercial. Estamos a servir todas as comunidades, a macaense, chinesa e dos expatriados que é uma comunidade importante e que vêem o BNU como uma entidade bancária interessante com quem querem trabalhar.
-Estão planeadas mais agências no Continente chinês?
-O capital é um recurso escasso e um investimento numa agência são 300 milhões de renminbis. Vamos rentabilizar primeiro esta e, como espero que isso ocorra rapidamente, veremos que passos dar no futuro. O projecto da Grande Baía é interessantíssimo – tem uma percentagem do PIB da China de quase 15% – e é uma oportunidade enorme para as empresas da região mas também de outros países que queiram instalar-se em Macau e utilizar os serviços do BNU porque aqui têm a facilidade de encontrar pessoas que falam Português e Inglês para além do Cantonense e do Mandarim. Podemos ambicionar que Hengqin ficará com a capacidade instalada tomada no curso prazo e que sejamos obrigados, no bom sentido, a abrir mais agências.
-O contrato de banco emissor termina em 2020. A renovação do mesmo está já a ser discutida com o Governo?
-O BNU é banco emissor da pataca desde 1901. Era banco emissor sozinho e a partir de 1995/1999 passou a ser banco emissor em igualdade de circunstância com o Banco da China. Vi o último contrato assinado e está lá mencionada a satisfação com a prestação do serviço por parte do BNU. Acredito que a renovação se venha a colocar quando tiver de ser colocada por parte das autoridades. Ainda faltam dois anos para o contrato vencer. Ser banco-emissor é altamente prestigiante e que nos enche de orgulho – BNU, colaboradores, CGD e Estado Português – e acredito sinceramente que vamos continuar a ser por mais alguns anos. Já somos há 117 anos e acredito que vamos continuar a ser.
-A ser renovado será também por 10 anos?
-Admito que as partes possam negociar a periocidade desse contrato. O contrato foi celebrado em Setembro de 2010 com validade até Outubro de 2020 mas estamos tranquilos. Prestamos um bom nível de serviço à comunidade, à Autoridade Monetária e acredito na sua renovação.
-O apoio a instituições de cariz social por parte do BNU é já antigo. Essa estratégia é para manter e fortalecer?
-A estratégia é para manter e logo veremos em função dos orçamentos disponíveis se podemos ou não fazer crescer. Há uma proximidade muito grande do BNU com as diferentes associações numa lógica de estar muito perto da comunidade. […] Por outro lado, através da nossa área de recursos humanos, marketing e da associação de empregados do BNU temos promovido algumas acções que não são mera subsidiação ou apoio financeiro pois envolve colaboradores do banco que se associam a determinada actividade (doação de sangue, entrega de bens a carenciados) e isso também é para continuar.
-Quanto do orçamento do BNU é destinado a apoio social?
-No ano passado foram cerca de quatro milhões de patacas e que é uma percentagem interessante que atribuímos.
-Como descreve o sector bancário local?
-É um mercado muito competitivo com a presença de cerca de 30 bancos. Há uma oferta diversificadíssima, há um bom nível de serviço à comunidade […] e que está a modernizar-se. […] A população em geral pode ter uma grande confiança na oferta e no sistema financeiro de Macau que irá continuar a renovar-se numa lógica de serviço ao cliente. Não tenho dúvida que o sistema bancário de Macau compara bem com o sistema financeiro e os bancos de outros países e quadrantes.



