Poucos dias após ter alertado para casos de guias ilegais, que causaram uma queda significativa no número de excursões do Interior da China, a Associação de Promoção de Guia de Turismo de Macau avançou que a situação parece estar a normalizar. Numa resposta à TRIBUNA DE MACAU, os Serviços de Turismo revelaram que, entre o início do ano e 20 de Novembro, receberam 13 queixas relacionadas com guias ilegais

 

Viviana Chan

 

Entre 60 a 70% dos guias turísticos de Macau voltaram a ter trabalho após apresentarem uma queixa junto da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) sobre a existência de indivíduos a operar em situação ilegal. Em declarações à TRIBUNA DE MACAU, a presidente da Associação de Promoção de Guia de Turismo adiantou que, após a acção de protesto do sector e alertas à polícia, os guias ilegais desapareceram.

No último fim-de-semana, a associação alertou para uma “invasão” de guias turísticos não identificados do Interior da China, fenómeno que levou o número de excursões a cair entre 80% a 90% desde o início de Novembro.

Ainda assim, Zhu Mingxia insistiu que, embora as autoridades tenham reforçado a fiscalização, o aparecimento e desaparecimento dessas excursões ilegais preocupam muito o sector.

“De repente, os guias turísticos locais voltaram a ter trabalho e até há falta de autocarros turísticos para arrendar”, revelou, acrescentando: “Nunca imaginámos que as agências de viagens podiam agir assim, usando as lacunas da fiscalização”.

Na sua observação, a fiscalização das autoridades gerou receios entre os infractores, no entanto, acusa a DST de só ter reagido depois do sector se ter manifestado publicamente sobre a situação.

O surgimento de excursões ilegais foi detectado no final de Outubro, altura em que se verificou um grande entusiasmo para visitar Macau e Hong Kong através da ponte do Delta.

 

13 queixas sobre guias ilegais

Questionada pela TRIBUNA DE MACAU, a DST revelou que, entre 1 de Janeiro a 20 de Novembro, registou um total de 13 queixas relacionadas com guias ilegais ou excursões não acompanhadas por guias turísticos. Apenas três casos envolveram grupos oriundos do Interior da China, sendo que a maioria dos casos (nove) visaram excursões do estrangeiro. A outra denúncia apontou para excursões ilegais nas Ruínas de São Paulo, mas o caso não evoluiu por falta de informações.

Segundo os Serviços de Turismo, as excursões ilegais não envolvem agências de viagens locais.

A DST garantiu que destaca regularmente fiscais para patrulhar nos postos fronteiriços e nos pontos turísticos, pelo que as autoridades monitorizam a situação de recepção das excursões em Macau.

Para além disso, o organismo salientou que continuará a cooperar com os Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e o Corpo de Polícia de Segurança Pública (PSP) para fazer inspecções conjuntas. De acordo com a lei de Macau, caso se encontrem guias ilegais que permanecem no território como turistas são multados e as autoridades comunicam a situação aos serviços competentes da China Continental.