Uma quebra de cerca de 20% dos negócios durante o Natal e Ano Novo constitui a mais recente preocupação dos guias turísticos de Macau. Segundo a Associação de Promoção de Guias de Turismo, este sector sofreu uma diminuição de 30% nos trabalhos durante todo o ano. Tendo em conta as circunstâncias externas e internas, o presidente da associação encare 2019 com pouco optimismo

 

Viviana Chan

 

Mesmo que a abertura da Ponte do Delta origine um “boom” de turistas em Macau, os guias turísticos têm baixas expectativas em relação a 2019. Em declarações à TRIBUNA DE MACAU, o presidente da Associação de Promoção de Guias de Turismo de Macau, Ng Weng Wai apontou que os guias turísticos locais registaram uma diminuição de 30% nos serviços efectuados durante 2018, em comparação com o ano anterior, apesar do número de turistas ter aumentado.

Na sua análise, a generalização da Internet contribui para a queda dos excursionistas. Por exemplo, as aplicações de telemóvel facilitam a marcação de viagens e hotéis, pelo que os visitantes preferem planear as próprias viagens em vez de participar em excursões.

Para além disso, o responsável denunciou o reaparecimento de guias turísticos ilegais, depois de em Novembro, na altura da inauguração da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, o sector ter alertado para uma “invasão” desses “profissionais” não identificados do Interior da China, fenómeno que fez cair o número de excursões entre 80% a 90% nesse período.

Embora a situação tenha melhorado, Ng Weng Wai manifestou-se insatisfeito com a fiscalização das autoridades, defendendo que o poder de dissuasão só tem efeitos a curto prazo. Já a longo prazo, o sector continua a encarar muitos desafios, apontou.

Depois da polémica em Novembro, que levou a uma fiscalização reforçada, “as agências de viagem do Interior da China estão mais espertas e, normalmente, os guias turísticos dizem aos excursionistas para não dizerem a ninguém que estão em excursão, nem usar o casaco ou chapéu para se identificarem”, disse.

“Durante a época de Natal e Passagem do Ano, o número de excursões caiu 20%. Voltámos a ficar mais nervosos, porque muitos guias turísticos ficam sem trabalho, cerca de metade dos dias não têm nenhuma excursão para acompanhar”, confessou.

Para além disso, Ng Weng Wai afirmou que o preço elevado dos hotéis também é um dos “problemas” na atracção dos excursionistas. “As excursões com preços baixos continuam a dominar o mercado de turismo na China, pelo que os custos elevados dos hotéis são um impeditivo. Portanto, é importante que Macau tenha mais hotéis económicos. Se o preço dos hotéis em Macau fosse semelhante a Zhuhai, toda a gente quereria ficar cá, porque o território é mais atractivo”, disse.

Outra razão que contribuiu para a queda das excursões é a desvalorização do renminbi, por encarecer as viagens ao território. Ng entende ainda que a guerra comercial entre a China e os EUA afecta os níveis de consumo das pessoas do Interior da China, diminuindo as despesas na área do entretenimento.