Na edição de 2019 do Guia Michelin Hong Kong Macau, o Jade Dragon subiu de posição, sendo desta vez reconhecido com três estrelas, juntando-se nessa categoria ao “Robuchon au Dôme” e “The Eight”. Frisando a importância da região do Sul da China, Gwendal Poullennec, director internacional do guia, considerou a cozinha cantonense “uma nova gramática gastronómica”
Salomé Fernandes
Foi ontem lançado o Guia Michelin Hong Kong Macau 2019. No total, 82 restaurantes das duas regiões receberam estrelas Michelin, dos quais 19 são de Macau. Três restaurantes locais conseguiram posicionar-se no guia com três estrelas. Foram eles o “Jade Dragon”, “Robuchon au Dôme” e “The Eight”.
Feliz e entusiasmado – assim se autodescreveu Kevin Au Yeung, chefe executivo do “Jade Dragon” há um ano. Mostrou-se surpreendido com o resultado, mas considerou que o restaurante se distingue dos restantes pelo empratamento. “Usamos técnicas de culinária cantonenses tradicionais, mas apresentamos o prato de forma moderna e criativa”. Recorde-se que o chef Tam Kwok Fung, que dirigia o “Jade Dragon”, saiu para integrar o “Wing Lei”, no Wynn Palace, em Julho deste ano.
Com duas estrelas apresentam-se “Feng Wei Ju”, “Golden Flower”, “Mizumi”, “The Tasting Room”. Novo na lista, e com entrada directa para este nível de reconhecimento, encontra-se o restaurante “Alain Ducasse at Morpheus”. “É algo fantástico e inacreditável apenas cinco meses depois da abertura. É uma óptima oportunidade para mostrarmos como é a gastronomia francesa na Ásia, com alguns produtos locais e a maioria importada da França”, disse o chef Pierre Marty, do “Alain Ducasse at Morpheus”, à margem da cerimónia, mostrando a ambição de um dia juntar mais uma estrela às actuais.
Esta edição do Guia Michelin reconheceu também com uma estrela os restaurantes “King”, “Lai Heen”, “8 ½ Otto e Mezzo – Bombana”, “Pearl Dragon”, “Shinji by Kanesaka”, “The Kitchen”, “Tim’s Kitchen”, “Wing Lei”, Ying”, “Zi Yat Heen”. O “The Golden Peacock” mantém também a sua posição, pelo sexto ano consecutivo.
“Eu e a minha equipa talentosa esforçamo-nos para providenciar uma experiência gastronómica indiana autêntica mas ainda assim inovadora, e é extremamente recompensante ser reconhecido novamente pela Michelin”, disse o chef Justin Paul, citado num comunicado do Venetian. “Não seria possível sem a confiança que foi depositada nas nossas capacidades e na liberdade de correr riscos e seguir o nosso coração, pelo que estamos agradecidos”, acrescentou.
Na abertura da conferência de imprensa, Gwendal Poullennec, director internacional do Guia Michelin, frisou a localização de Hong Kong e Macau na zona sul de Guangdong, chamando-lhes “os dois faróis do Delta do Rio das Pérolas”. “É esta geografia única e migração humana que nutriu a riqueza e diversidade gastronómica que milhões de pessoas de Hong Kong, Macau e em redor do mundo apreciam todos os dias. Desde 2009 o Guia Michelin explorou estas regiões chinesas com influências britânica, portuguesa, indiana, japonesa, italiana e francesa”, comentou.
Gwendal Poullennec comentou ainda que a cozinha cantonense é “uma das maiores do mundo”, com a qual se aprendeu “uma nova gramática e língua gastronómica”. “Oferecem um dos cenários mais ricos e diversos do mundo. É certamente aqui que a diversidade gastronómica é tão visível quanto saborosa”, disse, referindo-se às duas regiões administrativas especiais.



