Um grupo composto por residentes de Macau e Hong Kong apelou à preservação de “jetfoils” históricos, incluindo o “Madeira”, primeiro do género a circular entre as duas regiões, ou pelo menos de algumas peças simbólicas das embarcações para visitas ou colecções. O grupo sublinha que os “jetfoils” possuem “significado profundo” em termos do desenvolvimento económico de Macau

 

Rima Cui

 

As recentes demolições de vários “jetfoils” históricos “aposentados” em Hong Kong causaram preocupação ao “Grupo de Salvaguarda e Acompanhamento de Jetfoil”, que lançou um apelo público com vista à preservação de embarcações que possuam significado e valor especiais. Em último caso, pedem que apenas sejam demolidas algumas peças para que outras partes possam ser coleccionadas ou visitadas pelo público. Neste sentido, defende sobretudo a manutenção do “Madeira”, primeiro “jetfoil” do género que circulava entre Hong Kong e Macau.

Num comunicado, o grupo online composto por pessoas fanáticas de “jetfoils” oriundas de Hong Kong e Macau lembrou que, desde meados do mês passado, antigas embarcações como “Santa Maria” e “Urzela”, foram demolidas. Segundo indicaram, o “Guia”, onde aconteceu um célebre assalto em 1995, também está preparado para ser demolido, com a designação do barco e o símbolo da empresa a serem tapados com óleo preto.

Tendo em conta essa tendência, o grupo apelou a uma “travagem” dessas medidas. “O jetfoil possui significado profundo particularmente para o desenvolvimento económico de Macau, representando ainda o transporte entre Hong Kong e Macau durante várias décadas”, realça.

O grupo lembrou que na década de 1990, altura de pico, encontravam-se em funcionamento 16 barcos deste género e que, antes da suspensão do Terminal Marítimo do Porto Exterior no início de 2020, existiam seis “jetfoils” activos.

Por outro lado, os membros do grupo lamentam a falta de progressos em relação à salvaguarda do “Flores”, primeiro “jetfoil” do mundo, que está guardado na fábrica marítima, e cujo plano de demolição foi suspenso em Outubro do ano passado, após ter suscitado polémica. Sobre esta questão, o Governo da RAEM chegou a expressar atenção, dizendo ter encaminhado o assunto para os Serviços dos Assuntos Marítimos e de Água, com vista ao respectivo acompanhamento, lembrou.

O “jetfoil” “Madeira” prestou serviços entre Abril de 1975 e 2013, ano em que sofreu um acidente. O grupo sublinhou ainda que, na sua página online, muitas pessoas expressaram o desejo de que pelo menos algumas peças simbólicas do “Madeira” sejam preservadas para colecções privadas, nomeadamente o placard com o número do barco, o nome em Português pintado na embarcação e o volante.

“Compreendemos que os barcos ocupam áreas grandes, por isso, preservar todos não deve ser razoável no contexto da pandemia. Mas se puderem guardar algumas partes para o público visitar, acreditamos que isso terá um efeito positivo”, defendeu o grupo.