Em resposta ao Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia, o Instituto Cultural defendeu a manutenção da altura actual do prédio inacabado na Calçada do Gaio. Insatisfeito com a posição do IC, o Grupo decidiu enviar mais uma carta à UNESCO, sustentando que o projecto de alteração da obra, que já está em apreciação, deve ser submetido ao organismo internacional para uma aprovação final
Rima Cui
O Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia enviou uma carta ao Instituto Cultural (IC) expressando oposição ao projecto de alteração da obra de construção de um edifício inacabado na Calçada do Gaio, para o qual propôs a manutenção da altura actual do prédio, de 81,23 metros. A resposta do IC desiludiu o Grupo, que resolveu enviar ontem uma nova missiva à UNESCO para tentar travar o projecto.
O IC realçou que o lote que acolhe o prédio inacabado não integra o rol de bens imóveis classificados, não aguarda classificação, e nem se encontra numa zona-tampão. Garantindo que tem mantido constante comunicação com a UNESCO e facultado informações sobre a situação especial desse prédio, o Instituto Cultural salientou, na mesma resposta, que a alteração à aparência do edifício seguiu as exigências da UNESCO no projecto de decisão, por forma a reflectir os efeitos de “andares superiores mais transparentes e menos volumosos”.
Porém, na nova carta à UNESCO, os “amigos do Farol” sublinharam que os “relatórios secretos” mencionados pelo IC “nunca foram divulgados aos habitantes de Macau”. “O IC está mais interessado em proteger o interesse dos promotores imobiliários, em vez de proteger o património mundial”, criticam.
Para o Grupo, a ressalva do IC de que o edifício não está numa zona-tampão tem como intuito fazer com que pareça ser “correcta” a altura de 126 metros, inicialmente planeada para o prédio. Reiterou ainda que o Governo pretende que a altura deste prédio não seja limitada pela cota altimétrica de 52,5 metros, definida por um despacho do Chefe do Executivo em 2008.
O IC também foi alvo de críticas na carta por “não ter explicado aos residentes de Macau e especialistas internacionais o que fez nestes 14 anos para cumprir o compromisso internacional” e os motivos que impedem a redução da altura do prédio para 52,5 metros.
O projecto de alteração está a ser apreciado pelos Serviços de Solos e Construção Urbana. Contudo, o Grupo pediu à UNESCO para exigir que o projecto seja submetido ao organismo internacional para uma aprovação final.
“A UNESCO deve obter autorização do Governo Central chinês para desclassificar os relatórios que lhe são enviados. Isso permitirá que os residentes de Macau e os especialistas internacionais verifiquem a autenticidade desses estudos e as suas conclusões”, acentuou.
O Grupo recordou ainda um alerta feito à UNESCO em 2019 sobre uma nova construção de 90 metros ao longo da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, perto do Farol da Guia. Apesar do Comité do Património Mundial da UNESCO ter pedido que essa questão fosse tratada com prioridade, o “acompanhamento lento ou ineficaz já causou sérios danos à integridade visual e aos principais linhas visuais do Farol”, adverte a carta, pedindo a adopção de “medidas eficazes”.



