A Comissão de Desenvolvimento de Talentos vai estudar formas de criar empregos para quadros bilingues no exterior, incluindo organizações internacionais e empresas estatais. Sou Chio Fai avisou ainda que estudar em Portugal não garante entrada automática na Função Pública
Viviana Chan
Se por um lado, o Governo tem admitido que há falta de talentos bilíngues na RAEM, por outro a Comissão de Desenvolvimento de Talentos (CDT) prometeu estudar a possibilidade de também fomentar empregos para estudantes bilingues no exterior. Para o presidente da Comissão e coordenador do Gabinete de Apoio ao Ensino superior (GAES), Macau precisa de ter bilingues com bons conhecimentos de negócios, por ser uma plataforma comercial entre a China e os países lusófonos.
Nesse sentido, Sou Chio Fai entende que não é necessário entrar na Função Pública para assegurar um bom emprego. Por isso, a CDT está a comunicar com as universidades, com o objectivo de avaliar empregos em organizações internacionais ou empresas estatais.
No programa do “Ou Mun Tin Toi” dedicado ao tema do desenvolvimento de quadros, um ouvinte acusou o Executivo de desorientação. “O Governo não deve divulgar informações erradas, uma vez que leva as pessoas a acreditar que é necessário estudar em Portugal para assegurar a entrada na Função Pública ou, por exemplo, para assumir um cargo de procurador ou juiz”, disse, exortando o Executivo a explicar as vantagens de ser bilingue, para que os estudantes possam planear melhor as suas carreiras.
Sou Chio Fai apontou que alguns alunos apoiados pelo Executivo para estudar no estrangeiro não são obrigados a regressar após a conclusão dos cursos. Na sua visão, trabalhar fora algum tempo antes de regressar a Macau com alguma experiência é benéfico para o desenvolvimento pessoal.
Citando os resultados de um estudo que aponta para uma grande procura de chefias nas empresas de Macau, Sou Chio Fai frisou que os residentes gozam de oportunidades de promoção. Para além disso, acredita que a integração regional, ligada ao projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, criará boas oportunidades para a RAEM.
Por outro lado, Sou Chio Fai revelou que, embora se registem centenas de inscrições, apenas 10 pessoas foram aprovadas para o Plano de Apoio de Pagamento dos Juros de Crédito para a Formação Linguística de Graduados do Ensino Superior, lançado há quase um ano. O responsável disse ser muito cedo para avaliar o impacto deste plano, mas acredita que quanto maior é a oferta de empregos menor é o número de interessadas no programa, que visa subsidiar os alunos que pretendem estudar principalmente mandarim, inglês e português. A partir deste ano, o plano vai abranger todas as línguas estrangeiras.



