Abordando a “grande potencialidade de cooperação” entre a RAEM e Espanha, já em jeito de balanço da visita a Madrid, o Chefe do Executivo vincou a estratégia de alargar a plataforma de Macau aos países de língua espanhola. Nesse sentido, disse mesmo que o Governo está a ponderar estender os serviços da Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa à Espanha. Contudo, assegurou que, apesar dessas intenções, o Executivo continuará, “sem dúvida”, a “reforçar o papel de plataforma de Macau entre a China e os países de língua portuguesa”. Com esta visita, Sam Hou Fai acredita que a relação entre Macau e Espanha será elevada “a um novo patamar” e que será injectada “uma nova dinâmica” na amizade entre China e Espanha
CATARINA PEREIRA
No balanço sobre a curta passagem por Espanha, o líder da RAEM falou sobre a “grande potencialidade de cooperação” entre os dois lados, sublinhando que, no domínio económico e comercial, as estruturas do Interior da China, de Macau e de Espanha se “complementam”, tendo cada parte as suas “vantagens”. Durante a sua estada em Madrid, Sam Hou Fai encontrou-se com altos cargos, como a segunda vice-presidente do Governo de Espanha e Ministra do Trabalho e Economia Social, Yolanda Díaz Pérez, e a segunda vice-presidente do Senado, Concepción Andreu Rodríguez.
Reiterando que o Governo da RAEM está “empenhado” em expandir a função de Macau enquanto “plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa”, Sam Hou Fai disse que a ideia é “alargar proactivamente as funções desta plataforma aos países de língua espanhola, com o objectivo de diversificar as fontes de visitantes internacionais e ampliar a cooperação económica e comercial externa”.
Nesse sentido, revelou que o Governo pondera estender os serviços da Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa à Espanha, “a fim de apoiar as empresas de Macau e do Interior da China na exploração do grande potencial dos mercados dos países de língua espanhola”. O Chefe do Executivo não entrou em detalhes sobre os moldes em que essa possibilidade se pode concretizar, mas disse que já abordou o assunto com a chefe da Delegação em Lisboa, Lúcia Abrantes dos Santos, que também marcou presença na visita ao país vizinho.
Desde 2023 à frente do organismo, Lúcia Abrantes dos Santos lidera igualmente as outras duas delegações na Europa: junto da União Europeia, em Bruxelas, e junto da Organização Mundial do Comércio, em Genebra.
Apesar destas perspectivas de futuro, Sam Hou Fai garantiu que o território vai, “sem dúvida”, continuar a “reforçar o papel de plataforma de Macau entre a China e os países de língua portuguesa”, apontando para os vários aspectos que os unem: a língua, a cultura, o Direito.
Salientando que a visita marca “a elevação da relação de cooperação entre Macau e a Espanha a um novo patamar, não só enriquecendo o conteúdo do desenvolvimento de Macau enquanto ‘um centro, uma plataforma, uma base’”, o líder da RAEM considerou que injectou também “uma nova dinâmica no desenvolvimento contínuo das relações de amizade entre a China e a Espanha”.
Segundo disse, nos encontros com as autoridades espanholas, o Chefe do Executivo trocou opiniões sobre a exploração conjunta de oportunidades de colaboração nas áreas da economia, comércio, turismo, tecnologia de ponta, finanças e outras.
No que respeita à articulação de plataformas, afirmou que Macau e Hengqin funcionam como ponte para que as empresas espanholas entrem no Interior da China, enquanto a Espanha representa uma porta de entrada para as empresas do Continente chinês e de Macau se expandirem nos mercados de língua espanhola. Nesse sentido, indicou que, durante esta visita, ambos os lados “acordaram estabelecer um mecanismo permanente de ligação e articulação comercial, com o objectivo de facilitar o comércio e o investimento mútuo e impulsionar a expansão para os amplos mercados de língua espanhola”.



