A Linha Leste do Metro deverá ficar concluída em 2028, permitindo aumentar o volume diário de passageiros de 2.880 para 137 mil, segundo o plano geral do trânsito e transportes terrestres até 2030. O Governo equaciona ainda criar uma Linha Oeste, entre a Barra e as Portas do Cerco, bem como um teleférico entre a Zona A e o Centro de Ciência. Na agenda de estudos consta ainda uma ligação marítima entre o Porto Interior e Hengqin. Por outro lado, poderá ser abandonado o projecto do túnel subaquático entre a Península e a Taipa

 

Rima Cui

 

O Governo apresentou ontem aos deputados da Assembleia Legislativa (AL) o “Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestre de Macau (2021-2030)”, que será alvo de consulta pública a partir de hoje, durante 60 dias. Com o novo plano decenal, que tem como referência muitos exemplos implementados no município de Chongqing, o Executivo pretende disponibilizar “um sistema de transportes terrestres mais seguro, amigo do ambiente, eficiente, conveniente e recomendável à circulação”, mantendo o princípio da “primazia dos transportes públicos”.

Até 2024, será concluída a extensão da Linha da Taipa do Metro Ligeiro até à Estação da Barra. Já as Linhas de Seac Pai Van e Hengqin deverão estar prontas antes de 2025, enquanto a conclusão da Linha Leste está apontada para 2028, passando então a rede do Metro a ter um comprimento total de 24 quilómetros. Com estas infra-estruturas, o Governo acredita que a eficiência desse meio de transporte será notória até 2030, com o volume diário de passageiros a subir dos 2.880 registados em 2020 para 137 mil, e a expectativa de que a percentagem de utilização do Metro nas deslocações suba de 0,2% para cerca de 9%.

Lam Hin San, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), revelou ainda que serão promovidos estudos sobre o planeamento da Linha Oeste. Há duas hipóteses preliminares: a extensão da Barra até às Portas do Cerco, ao longo de seis quilómetros, cobrindo o sistema geral um fluxo diário de 242 mil passageiros; ou a construção prioritária do troço entre as Portas do Cerco e a Doca do Lam Mau, que acrescentará 2,2 km e poderá corresponder a um movimento diário de 188 mil passageiros.

Em 2025, com a extensão da Linha de Hengqin ao respectivo Posto Fronteiriço, será estabelecida uma ligação entre essa parte do Metro e a linha ferroviária interurbana do Aeroporto de Zhuhai. Prevê-se ainda que o volume médio diário das passagens transfronteiriças nas Portas do Cerco e no posto de Qingmao atinguirá 400 mil pessoas até 2030. Neste sentido, uma eventual Linha Oeste do Metro poderia permitir um desvio célere de passageiros. A curto prazo, serão aumentadas as carreiras e a frequência de autocarros junto dessas fronteiras.

Além disso, o Governo vai iniciar o planeamento de ligações entre as Zonas A e B dos Novos Aterros, bem como o Túnel da Taipa Grande. Lam Hin San adiantou que será estudada a construção de um teleférico que cruze as águas entre a Zona A ao Centro de Ciência, lembrando que Chongqing dispõe de um teleférico semelhante. Segundo o director da DSAT, se for construído, o teleférico servirá mais como ponto turístico, sem prejuízo de funcionar como instalação complementar de tráfego. Porém, o deputado e engenheiro Leong Hong Sai alertou que essa hipótese pode não ser viável porque a velocidade do vento é muito maior do que em Chongqing.

Já no que respeita ao projecto de túnel subaquático entre a Península e a Taipa, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas apontou que aquela que seria a quinta ligação poderá não se concretizar. “Falando das passagens de ligação entre as Zonas A e B, seja por túnel ou ponte, a construção será muito complicada, mesmo para a equipa de Chongqing. Até agora, não há soluções”, disse Raimundo do Rosário, assumindo que as incertezas também se aplicam à Linha Oeste, nomeadamente no que respeita à passagem pelo Porto Interior e Fai Chi Kei. Neste ponto, Lam Hin San defendeu que a quarta ponte será capaz de desviar algum trânsito, enquanto a quinta ligação poderia deteriorar o tráfego na Zona Central.

Por outro lado, será estudada uma nova ligação marítima de transporte de passageiros entre o Porto Interior e Hengqin, com o intuito de aliviar a pressão do trânsito terrestre. A deputada Song Pek Kei sugeriu uma rota entre Wanzai e o Porto Exterior, bem como ligações entre o Terminal da Taipa e Wanzai ou Hengqin. Lam Hin San advertiu que essa questão envolve a gestão fronteiriça, requerendo a aprovação de Pequim.

Face a outra sugestão da deputada de mudar a praça de “shuttle bus” de casinos das Portas do Cerco para outro sítio, o director da DSAT recomendou “cautela”, notando que, nesse caso, seria acentuada a pressão nos autocarros.

 

10 quilómetros de passagens

pedonais e superiores

Até 2030, o Governo ambiciona iniciar o planeamento de passagens pedonais e superiores para peões, numa extensão de 10 quilómetros. Em específico, poderão ser construídos acessos pedonais no Monte da Guia, bem como na Avenida do Nordeste que vai ligar o Jardim da Montanha Russa ao Parque Urbano da Areia Preta, estendendo-se mais tarde à Linha Leste, podendo beneficiar 99 mil pessoas. Uma passagem superior na Rua Norte do Patane e um sistema pedonal no COTAI também entram no rol de estudos.

Outra meta é controlar a taxa de aumento do número de veículos, para não ser superior a 3% por ano. Segundo as projecções, até 2030, as taxas de partilha de transportes públicos e de deslocações amigas do ambiente deverão variar entre 55% e 60% e, entre 70% e 75%, respectivamente.

Ella Lei propôs, por um lado, o cancelamento de percursos longos autocarros e, por outro, a adição de viagens mais curtas. O Secretário sublinhou ser impossível aumentar as carreiras ou paragens de autocarros, notando que a capacidade de transporte já alcançou o “tecto”. Por seu turno, Lam Hin San frisou que, no ajustamento dos itinerários de autocarros, importa manter um equilíbrio entre os recursos e as necessidades da população, e asseverou que a DSAT não desistirá das paragens em zonas mais remotas.

Face ao pedido de Lo Choi In para a introdução de parques de estacionamento em formato de “armazém”, Lam Hin San frisou que esse tipo de silos não é adequado às zonas antigas, onde também não há carência de espaços.

Por sua vez, o presidente da AL, Kou Hoi In sugeriu um maior aproveitamento dos espaços superiores e subterrâneos para pôr fim às dificuldades no estacionamento e satisfazer as necessidades dos peões. Lam Hin San garantiu que o tráfego tridimensional é uma das orientações para o futuro, tendo como referência a experiência de Chongqing.

No âmbito do plano decenal, serão ainda realizados estudos sobre o valor do imposto dos veículos ecológicos e os respectivos benefícios no estacionamento, bem como instalados postos de troca de baterias para veículos eléctricos.

As autoridades reiteraram a intenção de aumentar gradualmente a proporção de autocarros movidos a novas energias, esperando que essa estratégia seja adoptada por mais de 90% dos autocarros públicos antes de 2025. A meta para este ano foi fixada em 50%. O planeamento decenal preconiza ainda a melhoria do nível de programação inteligente dos autocarros, pelo que serão acrescentados mais sistemas de estimativa do número de passageiros.

Quanto à dificuldade de conceder descontos pela transferência entre autocarros e o Metro, Raimundo do Rosário garantiu ter feito estudos detalhados, frisando que, com a extensão do Metro, serão cada vez maiores as disparidades entre as tarifas cobradas nos dois tipos de transportes.

No que respeita aos táxis, o planeamento salienta o reforço na gestão das actividades do sector e um aumento razoável do número das praças de táxis e áreas de tomada e largada de passageiros. O Secretário considera que a actual dimensão de 1.700 táxis pode ser mantida.

Será também revista a “Lei do Trânsito Rodoviário” para, entre outros pontos, abordar a viabilidade da introdução do sistema de pontuação.

 

Hospital das Ilhas pronto a 28 de Setembro

A construção do Hospital das Ilhas ficará concluída a 28 de Setembro deste ano, disse ontem o Secretário para os Transportes e Obras Públicas. Raimundo do Rosário sublinhou que esta é a maior empreitada pública em curso, envolvendo um orçamento de 7,3 mil milhões de patacas. Segundo o Secretário, as obras públicas em fase de execução têm registado uma velocidade “muito boa”.