Alexis Tam visitou Centro de Saúde do Tap Seac e o hospital público
Alexis Tam visitou Centro de Saúde do Tap Seac e o hospital público

Os trabalhadores não residentes vão continuar a ser excluídos do plano gratuito de vacinação contra a gripe, exceptuando alunos e pessoas em alto risco, vincou ontem o director dos SSM. Segundo salientou, há falta da capacidade para vacinar os TNR e deve ser dada prioridade a “cinco sextos da população”. À TRIBUNA DE MACAU, o secretário-geral da Caritas defendeu que o Governo deveria alargar o acesso ao sistema ou pelo menos oferecer um desconto na vacinação aos empregados domésticos porque contactam mais com idosos e crianças

 

 Rima Cui

 

Depois de visitar o Centro de Saúde do Tap Seac e o Centro Hospitalar Conde de São Januário, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura mostrou-se satisfeito com o funcionamento do sistema de prevenção de gripe na altura de pico inicial. Este ano serão adquiridas mais 20.000 vacinas, totalizando 170 mil.

Em 2018, foram administradas vacinas contra a gripe a 140 mil residentes e, entre Setembro do ano passado e o dia de ontem, registaram-se 14 casos de gripe A. Alexis Tam acredita que a quantidade de vacinas existentes é suficiente.

Além de terem sido destacadas equipas médicas para vacinar nos jardins de infância, escolas primárias e secundárias e nos lares de idosos, este ano os médicos também se deslocam a instituições de ensino superior para vacinar os alunos, incluindo não residentes. Neste campo, apenas podem ser vacinados gratuitamente os alunos e pessoas em alto risco. A política não será alargada a trabalhadores não residentes (TNR).

“Damos prioridade aos residentes permanentes, mas também ajudamos alunos”, salientou Alexis Tam.

Sobre esta questão, o director dos Serviços de Saúde (SSM) afirmou que, neste momento, os TNR precisam de ir a clínicas privadas para receber vacinas contra a gripe, assumindo as despesas. Para além disso, o hospital público e os centros de saúde também enfrentam uma elevada quantidade de trabalho.

“Normalmente, o número de pessoas vacinadas por dia é de 800, mas subiu até 1.600 nos últimos dias”, salientou Lei Chin Ion.

Apesar dos TNR representarem cerca de um sexto da população de Macau, o director dos SSM defendeu que “vacinar cinco sextos é a nossa responsabilidade”. “Os empregados domésticos têm menos possibilidade de transmitir [a gripe], em comparação com os alunos não residentes. Mas temos de dar prioridade a cinco sextos da população. Não temos capacidade para aceitar todos. Isso não é uma questão de respeito”, declarou.

 

Caritas alerta para o caso dos empregados domésticos

Em reacção, o secretário-geral da Caritas frisou que uma vacina contra a gripe nas clínicas privadas pode custar centenas de patacas, além de que os empregados domésticos não têm muito tempo livre, nem muitas clínicas por onde escolher. A Caritas gere uma clínica para TNR, porém não possui condições para adquirir vacinas, devido ao “orçamento limitado e o Governo também não encoraja”, lamentou Paul Pun.

À TRIBUNA DE MACAU, o responsável disse ter esperança que o Executivo alargue o sistema gratuito de vacinação contra a gripe, incluindo os TNR, ou pelo menos os empregados domésticos, porque “muitos deles cuidam de crianças ou idosos, com quem contactam muito”.

“No futuro, espero que seja criado um mecanismo que apoie a criação de um sítio onde os empregados domésticos possam ser vacinados gratuitamente ou pelo menos usufruir de descontos na vacinação”, sugeriu Paul Pun, assegurando que a Caritas está preparada para apoiar a vacinação de TNR contra a gripe.

Por outro lado, de acordo com Lei Chin Ion, a época de pico de gripe deste ano começou duas semanas mais cedo do que no ano passado. Apesar do número de pacientes ter vindo a aumentar, o director dos SSM acredita que ainda não é preciso reforçar o pessoal, porque a situação está “estável”, mas garantiu existir um mecanismo de ajuste de pessoal em caso de expansão de epidemia.

Segundo o médico Lei Wai Seng, as horas de ponta de atendimento são após o fim das aulas. No “pico”, um paciente tem de esperar no máximo duas horas, sendo que 60 idosos são atendidos no espaço de uma hora.

O director dos SSM garantiu que, em comparação com regiões vizinhas, a situação da gripe em Macau é menos grave, já que em Hong Kong é frequente os hospitais ficarem lotados nesta altura.