“Elderly Woman” (Vietname, 2015)
“Elderly Woman” (Vietname, 2015)

O fotojornalista Gonçalo Lobo Pinheiro continua a abrir portas além Macau, com a participação numa exposição de retratos na “Black Box Gallery”, nos EUA. O evento, que decorrerá em Março, tem Amy Arbus como curadora

 

Salomé Fernandes

 

O fotógrafo português Gonçalo Lobo Pinheiro volta a expor no exterior. Desta vez, terá fotografias a integrar uma exposição colectiva na “Black Box Gallery” em Portland, nos EUA, entre 1 e 20 de Março. A exposição, que tem como tema “Portrait: Image and Identity” (em português “Retrato: Imagem e Identidade”), teve como curadora Amy Arbus.

“No meu caso foi uma boa curadoria, dá bastante projecção e prestígio porque foi feita por Amy Arbus, que é filha da grande fotógrafa Diana Arbus. E a própria Amy Arbus é uma grande fotógrafa”, descreveu, frisando que a curadoria foi por isso um ponto positivo. É também por isso que indica esperar “poder ter mais oportunidades no futuro e esta exposição poderá eventualmente abrir algumas portas”.

Esta galeria, que aposta na promoção de fotografia contemporânea, apoiando a sua produção criativa, a exposição e a apreciação crítica, “abre a possibilidade dos autores poderem mandar os seus trabalhos para apreciação de curador durante o ano”, explicou Gonçalo Lobo Pinheiro à TRIBUNA DE MACAU, acrescentando que “as pessoas mandam os trabalhos, e depois é um jogo de sorte ou azar”. Cada mês tem por base um conceito diferente. A exposição agora em exibição é sobre trabalhos a preto e branco.

“Smoking the Cigar” (Myanmar, 2014)

Foram escolhidos dois retratos feitos pelo fotojornalista a quem vive em realidades externas a Macau para integrar o evento. Uma das fotografias de Myanmar, a preto e branco, e outra do Vietname, a cores. “A do Vietname já é mais ou menos conhecida, já a publiquei em vários sítios. A do Myanmar não vou dizer que seja totalmente desconhecida, mas não apareceu tantas vezes. Penso que já foi publicada porque fiz há uns tempos uma galeria de fotografia no P3 do Público sobre o Myanmar e creio que também lá estava”.

De facto, a “mulher anciã a fumar tabaco tradicional feito por ela em Mandalay”, pode ver-se em “Myanmar: o quotidiano de um país interdito”, embora nessa galeria se apresente a cores. “A situação estava mais calma na altura, apesar de no Myanmar ser sempre difícil dizer se as coisas estão calmas. Na verdade quando eu lá fui, estive 15 dias no país e não tive acesso a zonas problemáticas. Apesar de estar a começar a abrir alguma coisa, o país é muito fechado e há certas estradas e zonas onde os turistas estão proibidos de ir”, respondeu, quando questionado sobre a situação política do país quando lá se descolou e tirou a fotografia.

Foi de entre trabalhos que já tinha feito anteriormente que escolheu cinco fotografias para a candidatura, que considerou terem qualidade para ser expostas. “Trabalho muito com fotojornalismo, do tipo documental e fotografia de viagem. São estas as três grandes coisas que gosto de fazer. E dentro delas o retrato é algo que gosto muito de fazer, não o nego. Seja a preto e branco ou a cores. Portanto quando vi este ‘open call’ decidi logo participar”, comentou. Gonçalo Lobo Pinheiro não vai, no entanto, poder deslocar-se aos EUA para estar presente na exposição.

O fotojornalista foi recentemente distinguido com uma menção honrosa na categoria “Editorial: Photo Essay/Story” no IPOTY – International Photographer of the year 2017, por algumas fotos sobre a passagem do tufão “Hato” por Macau. Nascido em Lisboa, em 1979, Gonçalo Lobo Pinheiro colaborou com vários órgãos de comunicação social e é actualmente coordenador fotográfico da Revista Macau.