A adição da componente de “gestão de fortunas” ao sistema de indicadores da diversificação da economia local mostra que seis bancos geriram contas no total de 158,3 mil milhões de patacas em 2016. Tal equivale a 304 milhões de patacas para emolumentos e comissões. No território existiam na altura 14 contas de clientes de países de língua portuguesa correspondentes a 5,46 milhões de patacas
Liane Ferreira
A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) fez ajustamentos à análise do “Sistema de indicadores estatísticos para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau” incluindo novas vertentes como os resultados do cálculo da conta satélite do sector das convenções e exposições, que reflectem o contributo económico desse sector e informações sobre actividades como a locação financeira e a gestão de fortunas para que a análise reflicta a evolução global do desenvolvimento dos elementos não jogo. O relatório relativo a 2016 mostra que seis bancos geriam fortunas e que as contas existentes envolviam carteiras de investimento de 158,3 mil milhões de patacas, com um aumento homólogo de 6,1%.
Segundo dados oficiais, em 2016 havia 182.225 contas enquadradas nesta área, cujo valor total de emolumentos e comissões recebidas gerados por essas actividades relacionadas com a gestão de fortunas situou-se em 304 milhões de patacas, representando 4,5% do total de receitas não juros obtidas pelo sector bancário.
Para além disso, 92,1% dos titulares das contas tinham residência habitual em Macau, sendo que os clientes transfronteiriços eram apenas 7,9%, com destaque para os provenientes de Guangdong, seguido de Hong Kong.
Em termos de carteira de investimentos, 105,5 mil milhões (66,6% do total) estavam relacionados principalmente com capital e depósitos, enquanto 52,3 mil milhões (33% do total) eram relativos a títulos e fundos.
Em 2016, registaram-se mais 46 contas de gestão de fortunas de clientes de países membros da Associação dos Membros das Nações do Sudeste Asiático, num total de 176 contas e de 700 milhões de patacas em carteiras de investimento. Tal representa um crescimento anual de 21,3%, face a 2015.
Os mesmos dados apontam ainda para a existência de 14 contas de clientes de países lusófonos, mais seis do que em 2015. No total, essas unidades corresponderam a 5,46 milhões de patacas, apresentando uma subida homóloga de 10%.
Relatório multifacetado
mas sem conclusão
O “sistema de indicadores estatísticos para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau” foi criado pela DSEC para tentar analisar e melhor reflectir o desenvolvimento da diversificação com uma abordagem multi-vertente, no entanto, não apresenta uma conclusão global sobre o tema. Aliás, é mesmo referido que o sistema foi criado por não existirem “orientações rigorosas para medir o nível de desenvolvimento diversificado de uma economia”, nem padrões de avaliação objectivos e únicos.
O sistema é composto por oito pontos, nomeadamente a diversificação da estrutura sectorial, das actividades de jogo, actividades das concessionárias de jogo, mercado de visitantes, principais sectores não jogo, indústrias emergentes, exploração do espaço de desenvolvimento das empresas e residentes de Macau e da diversificação da estrutura do emprego.
Um dos elementos usados é o índice de Entropia da Diversidade Económica, no qual quanto maior é o seu valor, menor o grau de concentração económica. De acordo com os dados, em 2016 o índice foi de 1,90, mais 0,03 pontos do que em 2015, estando a crescer desde 2013 quando se situava em 1,49.
Uma das componentes adicionadas no sistema está relacionada com o cálculo da “Conta Satélite do Sector das Convenções e Exposições”. O volume das necessidades dos principais ramos dessa actividade aumentou de 2,61 mil milhões em 2015 para 3,76 mil milhões em 2016, ou seja, mais 44%, em virtude da expansão da dimensão de convenções. Assim, o valor acrescentado bruto dessas actividades subiu de 1,57 mil milhões para 2,27 mil milhões em 2016, mais 44,9%, representando 0,4% em 2015 e 0,6% em 2016 do valor acrescentado bruto de todos os ramos de actividade económica.
Segundo os dados da DSEC, aumentaram os contributos económicos deste sector para “um crescimento mais significativo nos hotéis e similares (+68,8%), seguindo-se o jogo e serviços de diversões (+47,4%), os restaurantes e similares (+29,0%) e o comércio a retalho (+21,3%).
Noutra componente de análise, é de referir que o valor acrescentado bruto das indústrias culturais subiu 8,5%, passando de 2,06 mil milhões em 2015 para 2,24 mil milhões em 2016.



