Quem quiser aproveitar a oportunidade de ter uma curta-metragem exibida no estrangeiro, tem até dia 30 deste mês para participar numa competição organizada pela Associação para a Reinvenção de Estudos do Património Cultural de Macau. Em foco está a gastronomia do território, e o intercâmbio cultural com Singapura
Salomé Fernandes
A Associação para a Reinvenção de Estudos do Património Cultural de Macau foi contactada pela Sociedade de Cinema de Singapura para lançar uma competição de curtas metragens sobre património cultural da RAEM e a ideia seguiu em frente. As inscrições já abriram e o concurso está aberto até 30 de Agosto.
“Como 2018 é o ano da gastronomia em Macau, sugerimos que esse fosse o tema, e começámos a nossa cooperação”, disse à TRIBUNA DE MACAU Kitty Ieong, vice-directora geral da Associação para a Reinvenção de Estudos do Património Cultural de Macau.
É a primeira vez que as duas entidades cooperam, e a iniciativa surgiu da vontade de partilhar experiências culturais. “Estavam interessados em cooperar com pessoas de Singapura, e podemos fazer intercâmbio cultural entre duas regiões. Acreditamos que é muito importante passar este património cultural intangível, sabemos que por norma é transmitida por comunicação interpessoal, sendo muito fácil que seja esquecida pelas pessoas e se perca”, comentou .
A experiência da Sociedade de Cinema de Singapura foi bem recebida, já que a associação de Macau pretende promover estes aspectos culturais através de indústrias criativas, como filmes, desenho ou moda. “Desta vez queremos usar imagens para gerar consciencialização no público sobre a importância de preservar o nosso património intangível”, referiu Kitty Ieong, acrescentando que colocar conhecimento sobre gastronomia de Macau em vídeo “pode atrair o público a conhecer mais sobre herança cultural”.
Reflecte-se na gastronomia a história de Macau enquanto local de coexistência pacífica das culturas ocidental e oriental por mais de 400 anos. A vice-directora geral da associação acredita que as pessoas que competirem “podem fazer pesquisa, entrevistas, mergulhar na história para saberem mais sobre o processo e mostrar isso ao público”. A apoiar a iniciativa está também o Instituto Cultural de Macau.
O concurso tem duas categorias, uma geral e outra específica para estudantes. Se qualquer aluno que esteja em Macau pode concorrer, na categoria geral, na qual se podem inscrever grupos até cinco pessoas, metade tem de ser residente. Os filmes têm de ter entre 3 a 10 minutos para a categoria geral, e 2 a 5 minutos no caso dos estudantes. A forma de expressão das curtas metragens é livre, sendo aceites estilos desde a animação ao documentário, sendo apenas obrigatório que contenha legendas em chinês e inglês.
O primeiro prémio da categoria geral consiste em 7.000 patacas, bem como financiamento para dois dos membros do grupo irem até Singapura participar na competição de curtas-metragens de património cultural do país. O segundo e o terceiro lugares são premiados com 5.000 e 3.000 patacas, respectivamente.
Na vertente académica, os prémios assumem os valores de 5.000, 3.000 e 2.000 patacas. Mas todos os que chegarem ao pódio vão ter os seus filmes exibidos em Singapura. “Vamos levar estes filmes até Singapura, como um primeiro passo de promover o património cultural de Macau no mundo”, frisou Kitty Ieong.
A Associação para a Reinvenção de Estudos do Património Cultural de Macau foi fundada em 2014, sendo uma organização não governamental que se foca nos jovens e em investigação na vertente cultural. Para além deste projecto, está a planear uma série de seminários sobre património cultural entre Outubro e Novembro.



