Os galgos poderão vir a ser esterilizados por clínicas fora das instalações do Canídromo, revelou Albano Martins. A associação fica responsável por transportar os animais ficando os gastos a cargo da Yat Yuen. O presidente da Anima salienta, porém, que a prioridade é resolver os problemas de saúde dos cães, sobretudo dentário, pois só assim é que podem ser esterilizados. Por sua vez, o IACM reiterou ontem que o tratamento dos animais é adequado – em reacção à queixa apresentada anteriormente no CCAC que alegava o contrário

 

Catarina Almeida

 

Uma visita ao Canídromo para esclarecer a actual situação de tratamento dos galgos nas instalações foi a reacção do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) à queixa submetida ontem ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC).

“Ouvimos muitas vozes e mal-entendidos sobre a situação do interior dos canis e, por esse motivo, realizámos esta visita. Esperamos que todos entendam melhor a situação para não gerar tantos boatos”, esclareceu Ung Sau Hong, administradora do Conselho de Administração do IACM, à margem da visita.

De um modo geral, os trabalhos “decorrem com sucesso, e o Instituto dá continuidade à fiscalização, com vista a garantir que os galgos do Canídromo obtêm tratamento adequado e que os respectivos trabalhos satisfazem as disposições da Lei de Protecção dos Animais”.

Para já foram sujeitos à esterilização 12 animais, todos nas instalações do Canídromo, mas está em cima da mesa a possibilidade dos animais poderem vir a ser operados em clínicas recomendadas pela Sociedade Protectora dos Animais de Macau (Anima). A associação ficará responsável por assegurar o transporte dos animais de e para o Canídromo, revelou Albano Martins, estando já a cargo das equipas de voluntários, de limpeza e de tratadores.

No entanto, é apenas uma alternativa apresentada para desbloquear a situação das esterilizações – uma intervenção cirúrgica essencial para o processo de adopções mas que também só pode acontecer se os animais estiverem saudáveis. “A Anima é a única que pode levar e trazer os cães das clínicas para o Canídromo. Portanto, esse é o nosso único trabalho bem como marcar com a Yat Yuen os dias das operações”, disse Albano Martins, também à margem da visita de ontem.

Para já, a Anima sugeriu três clínicas com quem já trabalhava no passado. Todos os gastos serão, à semelhança do que foi acordado, assumidos na íntegra pela Yat Yuen. “Tanto quanto sei o IACM autorizou […] mas a Yat Yuen é que vai fazer o acordo, nós pedimos preços para eles decidirem porque eles é que pagam a factura”, acrescentou Albano Martins que está agora a assumir funções no espaço, na sequência da saída de Zoe Tang.

Em todo o caso, as intervenções poderão continuar a ser feitas nas instalações do Canídromo se houver profissionais disponíveis para tal. “Podem ser feitas aqui se houver veterinários voluntários porque o próprio IACM não tem capacidade para dar esse apoio já que os seus canis têm situações para resolver”.

É que, segundo Albano Martins, o processo está suspenso desde o dia 5 de Agosto, depois de terem circulado imagens de um animal em muito mau-estado e que, segundo Albano Martins, remontavam a um problema no dia 1. Esse animal está já recuperado.

“É deliberadamente criar problemas. Só fizeram esterilizações no dia 3, 4 e 5 de Agosto e não trabalharam mais. Claro que, perante essa polémica, os veterinários [da clínica que estava a trabalhar no Canídromo] não quiseram vir mais trabalhar e agora temos um problema”.

De qualquer forma, explica, as esterilizações “estão suspensas até fazermos o levantamento da situação das bocas de todos os cães. Mas segunda-feira vem um veterinário [de Hong Kong], como voluntário. Vamos fazer o levantamento este fim-de-semana e quando ele chegar vamos apontar esses casos”, contou.

Mediante indicações do IACM cerca de 40 animais estão com problemas de saúde na sua maioria devido à “gestão e ambiente de criação do passado” que provocou doença periodontal.

 

Agnes Lam quer mais pormenores sobre galgos

Agnes Lam quer saber qual a finalidade ideal para que o terreno no Pac On possa estar em condições de receber o centro internacional de apoio aos galgos, a ser gerido pela Yat Yue e Anima.  “Qual seria a finalidade que dá condições ao plano? Comercial ou habitacional? A legalidade seria suficiente?”, questionou a deputada numa interpelação escrita. Ao mesmo tempo, pediu para o Governo tomar a iniciativa de divulgar ao público todos os dados sobre a saúde e adopções dos cães. Agnes Lam defende ainda a divulgação de mais detalhes sobre as intervenções a que os cães foram ou vão ser sujeitos.

 

R.C.