Os planos estratégicos e a estrutura de gestão da Galaxy Entertainment não deverão sofrer mudanças na sequência da morte do fundador do grupo, Lui Che Woo, considera a consultora Seaport Research Partners. Francis Lui, actual vice-presidente da Galaxy e filho do magnata, é visto como o provável novo presidente da operadora de jogo
O falecimento de Lui Che Woo, fundador e presidente da Galaxy Entertainment não deverá motivar alterações substanciais na estratégia da empresa, antecipou a consultora Seaport Research Partners, horas depois da concessionária do jogo ter anunciado que o magnata faleceu no passado dia 7, aos 95 anos de idade.
“A estrutura e estratégia de gestão da Galaxy continuam em vigor, com Francis Lui a permanecer firmemente no lugar e será certamente elevado a presidente”, indicou o analista Vitaly Umansky. Recorde-se que Francis Lui Yiu Tung, filho mais velho do fundador, ocupa o cargo de vice-presidente do grupo há vários anos.
“A família Lui detém mais de 50% do capital da Galaxy” e “isso não vai mudar”, acentuou o analista.
No comunicado enviado na noite de segunda-feira à Bolsa de Valores de Hong Kong, a Galaxy Entertainment indicou que, “em devido tempo, será nomeado um novo presidente”, e “continuará a desenvolver a sua actividade de acordo com as estratégias de negócio definidas pelo Conselho de Administração”, sendo que este acredita que o falecimento de Lui Che Woo “não terá qualquer impacto nas operações do grupo”.
Na mesma nota, a empresa enaltece as “contribuições inestimáveis” de Lui Che Woo, salientando que “a sua visão, enorme liderança e orientação foram as bases para o desenvolvimento e sucesso contínuo do grupo”. “Sob a direcção do Dr. Lui, a GEG [Galaxy Entertainment Group] foi a primeira empresa de jogos de fortuna e azar a ser cotada na Bolsa de Valores de Hong Kong, em 2005, e foi seleccionada como constituinte do índice Hang Seng em 2013”, acrescentou.
Para além da Galaxy, Lui fundou em 1955 o grupo K. Wah, cujas subsidiárias operam no sectores da construção, imobiliário e hotelaria, entre outros. Natural de Jiangmen, Lui passou a maior parte da vida profissional em Hong Kong, onde era a sétima pessoa mais rica, segundo o ranking de 2024 elaborado pela revista Forbes, com uma fortuna avaliada em 12,4 mil milhões de dólares americanos.
Embora afaste um cenário de mudanças estratégicas, Vitaly Umansky acredita que a Galaxy poderá explorar novos modelos financeiros. “Uma área que esperamos ver desenvolver-se ao longo do tempo será a estrutura de capital, uma vez que a Galaxy continua a ser uma das poucas empresas de casino isentas de dívidas com uma ampla capacidade de endividamento”, referiu o analista, admitindo que os retornos de capital possam ser “significativamente melhorados”.
“Embora a Galaxy tenha pago um dividendo de 0,50 HKD [por acção] em Outubro – pagamento de 50% – para além do dividendo especial de 0,30 HKD anunciado no início deste ano, gostaríamos de ver um aumento adicional do retorno de capital aos accionistas”, acrescentou o especialista da Seaport.
Na semana passada, a Galaxy Entertainment garantiu que mantém uma situação financeira “saudável”. No final de Setembro, o valor em caixa e dos investimentos líquidos totalizava 28,6 mil milhões de dólares de Hong Kong e o montante de caixa líquido cifrava-se em 27,4 mil milhões. Já a dívida total atingia 1,2 mil milhões.
Os ganhos operacionais da Galaxy atingiram quase três mil milhões de dólares de Hong Kong no terceiro trimestre deste ano, período em que as receitas totais subiram 10,5% em termos anuais, mas baixaram 2% face aos três meses anteriores.
Chefe realça “grandes contributos” e “espírito filantrópico” de Lui
O Chefe do Executivo da RAEM manifestou ontem profundo pesar pela morte do fundador e presidente da Galaxy Entertainment, e endereçou uma mensagem de condolências à família. “Lui Che Woo era um empresário e um homem com elevado espírito filantrópico altamente respeitado”, sublinhou Ho Iat Seng, elogiando ainda os “grandes contributos” do magnata para a “diversificação adequada da economia de Macau ao longo dos anos”. Recordou também que, em 2015, o fundador da Galaxy instituiu o “Prémio Lui Che Woo – Civilização Mundial”. Envolvendo 60 milhões de dólares de Hong Kong, este prémio é atribuído anualmente a instituições ou indivíduos que trabalhem em prol de um futuro sustentável, melhoria do bem-estar social humano e promoção da “energia positiva”. O Chefe do Executivo da RAEHK, John Lee, também lamentou a morte de Lui Che Woo e lembrou o “empresário de sucesso” que “se dedicou activamente à promoção de causas filantrópicas e educativas na China continental, em Hong Kong e em todo o mundo”.
S.T.



