A Yat Yuen pretende organizar uma corrida de despedida para marcar o epílogo de mais de 87 anos do Canídromo. Embora os galgos continuem a ter um futuro incerto, centenas de interessados estiverem numa actividade de adopção para ver os animais, nomeadamente um grupo de homens que o fez pela segunda vez à procura de cães fortes e não esterilizados
Viviana Chan
Após uma última corrida de galgos no sábado, a Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen) está a pensar organizar outra, de despedida e sem apostas, no próximo fim-de-semana. O responsável pela associação Yat Yau Wui, Kwong Weng Hong, revelou que, dessa forma, pretende dar a conhecer as corridas aos jovens. Porém, ressalvou, a ideia ainda está a ser discutida com o Governo.
Ontem, a última actividade de adopção juntou centenas de pessoas que tiveram a oportunidade de contactar com diversos animais. “Preparámos 88 galgos reformados para serem adoptados”, disse Kwong Weng Hong, acrescentando que foram incluídas informações como foto, peso, nome e data de nascimento para tentar encontrar donos adequados para os cães.
“Os interessados devem ponderar se têm capacidade para cuidar de um cão deste tamanho. Além de muito amor, também precisam de ter tempo para o animal. A adopção não deve ser uma decisão impulsiva, é para toda a vida”, frisou, reiterando que o Canídromo não irá abater mais animais.
Questionado sobre o futuro dos funcionários, Kwong Weng Hong prometeu que haverá um “bom plano” para os tratadores e outros trabalhadores, mas apelou à sociedade e à imprensa mais espaço para lidar com ambas as situações.
Grupo de interessados gera suspeitas
Pelo menos quatro cidadãos chineses tentaram ontem adoptar galgos para o Interior da China. Rejeitando falar aos jornalistas, disseram ao Canídromo que querem adoptar os galgos mais fortes e não castrados.
Um cidadão de apelido Cheong considera existir uma “lacuna” no processo de adopção, uma vez que os cães são levados sem serem castrados.
À TRIBUNA DE MACAU, o presidente da ANIMA, Albano Martins disse que “a lei não permite que a pessoa proprietária do animal seja forçada a fazer a castração. No entanto, se a pessoa for buscar um animal ao Canil Municipal, este não dá nenhum que não seja esterilizado. Se um adoptante resolve levar um galgo ao Canil porque já não o quer, se eu for adoptar, o Canil diz que sim, mas primeiro tem de ser esterilizado e só sai dessa maneira. Essa é a regra, tal como na ANIMA”.
“Se o Canídromo fosse uma entidade responsável fazia o mesmo que o IACM e a ANIMA. Ou seja, nenhum animal é colocado para adopção sem ser esterilizado ou com a garantia de que tal acontecerá”, frisou.
Face à possibilidade de venda dos galgos, Albano Martins disse não ter conhecimento de casos. “Mas sabemos que lojas de animais foram buscar cães, por isso vão usar os animais para reprodução, porque não estão esterilizados, e para venda, porque fazem negócio de animais”.
Exportação ainda não é simplificada
Winnie, residente de Hong Kong, decidiu levar um galgo para juntar aos seis cães que já tem, porque queria ajudar. Confessando-se muito preocupada com o futuro destes cães, questionou: “Quando esta febre passar, quantas pessoas se vão lembrar deles?”
À TRIBUNA DE MACAU, Winnie disse acreditar que o procedimento de quarentena é “uma questão de tempo” e está confiante na adopção.
Em relação aos rumores na Internet de que galgos reformados que venham a ser adoptados estão dispensados de inspecção e quarentena, no processo de exportação para Hong Kong, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) garantiu que essas notícias são falsas. Em comunicado, o IACM disse estar a avaliar os riscos da simplificação da inspecção com as autoridades de Hong Kong e ainda não chegou a uma conclusão.
Por sua vez, a Secretária para Administração e Justiça reiterou que a Companhia Yat Yuen, como proprietária dos galgos, tem a responsabilidade de resolver a questão do acolhimento após o termo de contrato de utilização, devendo encontrar um espaço onde possam ficar em condições. “Assim que houver uma solução viável, o IACM irá envidar todos os esforços no trabalho de inspecção veterinária”, garantiu Sónia Chan.
Canídromo rejeita doação de dinheiro
No site do Canídromo, foi publicado um anúncio onde consta que “muitas pessoas ligaram para fazer doações para continuarmos a cuidar dos galgos. Agradecemos muito. Esperamos que as pessoas compreendam que a actividade de adopção não é para apelar à doação e não queremos peditórios. Temos toda a capacidade para cuidar deles”.
A empresa assegurou que a actividade não tem fins lucrativos e prometeu que continuar a esforçar-se para encontrar um lar decente para os galgos.
Porém, ainda não se sabe para onde irão os animais que até 21 de Julho não forem adoptados, já que, segundo o Secretário para a Economia e as Finanças, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos não recebeu nenhum pedido de acolhimento temporário dos galgos no Jockey Club ou noutro espaço.
Num evento público, Lionel Leong relembrou que a Yat Yuen tem conhecimento da data de saída do lote há dois anos e garantiu estar atento à situação de acolhimento e residência dos galgos, sendo que os serviços competentes mantêm a comunicação com a empresa.



