O futuro Centro Juvenil do Tap Seac deverá preservar o estilo da fachada e o mosaico do antigo Hotel Estoril, indicou o arquitecto responsável pelo desenho da infraestrutura. Ainda assim, o Instituto Cultural vai ainda avaliar o grau de dificuldade, os custos e como se poderá mexer no mosaico do escultor italiano Oseo Acconci. O plano será definido o “mais cedo possível” após uma nova inspecção ao local, garantiu o organismo

Catarina Almeida

O projecto de concepção e planeamento do Centro Juvenil de Actividades Culturais, Recreativas e Desportivas no Tap Seac, adjudicado à Companhia de Arquitectura e Design Chan Kam Limitada, prevê a preservação do mosaico aplicado no muro exterior do antigo Hotel Estoril em 1964.

Isso mesmo confirmou ontem o arquitecto do atelier a quem foi adjudicada a concepção do projecto por 49,8 milhões de patacas. “Vamos tentar manter a fachada e mosaico conforme o estilo original […] por serem elementos da memória colectiva”, disse Chu Chan Kam reconhecendo, porém, que o edifício está “degradado”.

De notar ainda que a altura do edifício, na parte frontal, não deve ultrapassar os 29,3 metros e a da parte traseira deve ter uma altura máxima de 38,6 metros acima do nível do mar.

A manutenção do traço original da fachada e do mosaico – do arquitecto italiano Oseo Acconci – estava já expressa no caderno de encargos da consulta pública consultado, em Março, pela TRIBUNA DE MACAU. Não obstante a intenção de preservar o mosaico estão por apurar os moldes em que a operação se irá concretizar já que a peça está relativamente fragilizada. Para já, a intenção é recuar o mosaico ligeiramente para que sirva de parede de fundo da zona de recreio que se pretende construir.

Segundo Wong Sai Hong, representante do Instituto Cultural (IC), o organismo irá efectuar uma segunda inspecção ao local para avaliar o estado de conservação do mosaico. Serão ainda encetadas mais comunicações com a adjudicatária para estudar a melhor forma de preservação. “O Instituto Cultural vai tentar fazer uma segunda inspecção, mais detalhada e o mais cedo possível para assim definir o plano”, reconheceu Wong Sai Hong.

Pelo exposto, não há ainda uma estimativa do custo e grau de dificuldade que a operação de restauro irá implicar. Sem data está também a assinatura do contrato com o atelier de arquitectura e design, acto a partir do qual começam a contar os 233 dias definidos para a concepção do projecto, e muito menos quando será anunciado o concurso público para a adjudicação da obra de construção.

Segundo Wong Chi In, chefe da Divisão de Equipamentos Educativos da Direcção dos Serviços de Educação de Juventude (DSEJ), é tudo uma questão de procedimentos. “Depois desta fase vamos […] aprofundar a ideia que temos e passar às entidades públicas para as respectivas aprovações”, explicou.

Nesta fase, a proposta da empresa “Chan Kam” respeita a maioria dos requisitos definidos no caderno de encargos deste projecto. “O nosso princípio é de conseguir harmonia com a zona da Praça do Tap Seac, coordenar de forma harmoniosa com as construções ao redor, em termos de medidas, cor e materiais de construção”, indicou o arquitecto.

O futuro Centro Juvenil terá cinco zonas funcionais: sala de artes e espectáculos, Conservatório, Centro de Actividades Juvenis, um parque de estacionamento para 900 lugares e um piscina aquecida que estará aberta todo o ano, a todos, com um horário de funcionamento semelhante ao praticado até agora.

A intenção de reconverter o Hotel Estoril num espaço de lazer e recreativo juvenil, mas de acesso a toda a população, passa também por “fornecer aos jovens mais locais para organizar diferentes actividades”, acrescentou Chu Chan Kam.

Seguindo as orientações do Governo, a empresa irá também sugerir no plano de concepção que a construção seja ecológica. “Achamos ter condições para submeter o requisito de aprovação do Estado de ser uma construção ecológica. A proposta é também para manter as duas árvores da estrada da Vitória e na Avenida Sidónio Pais”, notou Chu Chan Kam.

Trata-se assim de mais um passo de um projecto que data de 2015 e que chegou a incluir o arquitecto português Siza Vieira, mas o convite acabou por ficar sem efeito ficou sem efeito depois de alguma polémica sobretudo por ter sido defensor da demolição do edifício.