O Fundo do Fórum Macau foi alvo de algumas críticas por parte de representantes dos países lusófonos presentes nos seminários comemorativos do 15º aniversário do organismo. Em causa estão questões como a “heterogeneidade da análise” das propostas apresentadas para acesso ao apoio financeiro e a necessidade do Fundo ter condições que se adaptem à realidade dos países membros

 

Durante o seminário sobre “Áreas e Modelos de Cooperação promovidos em destaque pelo Fórum Macau” vários representantes lusófonos teceram duras críticas ao Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China – Países de Língua Portuguesa, nomeadamente devido ao difícil acesso ao financiamento.

Agostinho Fernandes, director para a Ásia e Oceânia do Ministério das Relações Exteriores de Angola salientou que a “a China tem um mecanismo próprio [de financiamento] mas parece haver uma certa heterogeneidade da análise das propostas de acesso”, destacou.

Por seu turno, o diplomata do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde fala de problemas de acessibilidade. “Há necessidade do Fundo para a cooperação e desenvolvimento entre a China e os países de língua portuguesa ser mais acessível e ter condições que se adaptem à realidade dos países membros”, destacou José Correia. “Alguns países enfrentam desafios no desenvolvimento empresarial, no financiamento do sector privado, das micro, pequenas e médias empresas, na capacidade produtiva, e o Fundo pode ter um papel importante na sua solução”, defendeu, ressalvando, porém, que “é preciso ter um fundo acessível a todos”. “Nestas condições actuais, certamente, Cabo Verde, será excluído. É preciso reflectir mais sobre o fundo”.

Também Belmiro José Malate, de Moçambique, defende que “seria importante que se clarificassem os mecanismos de acesso aos fundos disponibilizados bem como criar capacidade de desenhar projectos bancáveis que os parceiros pretendem ver implementados”. O director para a Ásia e Oceânia do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação destaca ainda que é preciso que o Fórum Macau “seja mais visível ao nível dos países lusófonos para permitir um melhor envolvimento dos beneficiários desta iniciativa”.

O Fundo do Fórum Macau mereceu ainda comentários por parte do Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. “O financiamento de projectos triangulares é um factor crítico. O Fórum Macau tem criado instrumentos financeiros expressos para o efeito mas cuja utilização deverá ser obrigatoriamente melhorada em termos operacionais”, defende Vítor Sereno.

Com um capital social de 1.000 milhões de dólares americanos, o Fundo continua com os mesmos quatro projectos aprovados para Moçambique, Angola e para o Brasil (dois), indicou a secretária-geral do Fórum. Questionada sobre novos financiamentos, Xu Yingzhen rejeitou tecer comentários uma vez que cabe aos administradores do Fundo falar sobre esse tema. Em relação ao eventual financiamento do projecto de David Chow em Cabo Verde, a responsável rejeitou comentar detalhadamente. “Não tenho a certeza. Acho que alguns contactos ainda estão a ser estabelecidos mas sobre esse tema específico não posso comentar”.

 

I.A./C.A.