Trinta e um projectos receberam apoio do Fundo das Indústrias Culturais, entre Janeiro e Julho, num total de 84,1 milhões de patacas. Entre 1 de Agosto e 31 de Outubro de 2019, decorre o período de candidatura para um programa destinado ao “Crescimento das Empresas Criativas e Culturais”, e que poderá ajudar 50 micro-empresas

 

Salomé Fernandes

 

Entre Janeiro e Julho deste ano, o Fundo das Indústrias Culturais (FIC) financiou 31 projectos, num montante que totalizou 84,1 milhões de patacas. A fatia mais significativa (46 milhões) destinou-se a projectos na modalidade de empréstimos sem juros.

Leong Heng Teng, presidente do Conselho de Administração do FIC considerou que “o desenvolvimento das empresas beneficiárias é saudável”, mostrando-se optimista. Para além disso, mencionou a existência de procedimentos de fiscalização, como a impossibilidade de as verbas serem transferidas para contas bancárias diferentes para outros efeitos.

Isto porque, de acordo com os relatórios de fiscalização dos projectos de comércio elaborados nos primeiros sete meses do ano, 1,57 milhões dos empréstimos sem juros estão em situação de adiamento na devolução. Foram restituídos atempadamente 9,47 milhões. Nesse espaço de tempo registaram-se investimentos no valor total de 177 milhões de patacas, tendo criado 451 postos de emprego.

O programa de apoio à “Promoção de Marcas – Exposições e Espectáculos Culturais” foi dos mais concorridos, ao receber 22 candidaturas. As 10 seleccionadas abrangem áreas como o teatro, música, ópera, dança e ilusionismo e um apoio total de 7,6 milhões de patacas. Os projectos vão ter actuações em diferentes cidades da China Continental, bem como em Hong Kong, Calgary, no Canadá e Praga, na República Checa.

Por outro lado, os programas de plataformas de serviços receberam cada um duas candidaturas. A seleccionada no âmbito da Plataforma de Serviço Integrada de Design vai criar o centro de design de Zhuhai-Macau, do lado de lá da fronteira, tendo por objectivo “ajudar as empresas de Macau com experiência nesta área a expandir o mercado da Grande Baía”, formando “um papel de ‘herança’ para reforçar a sinergia entre as indústrias”.

Já a plataforma de Moda/Vestuário vai instalar-se no Parque Industrial Transfronteiriço Zhuhai-Macau, devendo prestar apoio de produção à indústria, levar empresas do território a semanas da moda e cooperação em 10 pontos de venda no Interior da China e na Tailândia.

Em conferência de imprensa, os membros do Conselho de Administração do FIC destacaram também a segunda fase do Programa Específico de Apoio Financeiro para a Criatividade Cultural nos Bairros Comunitários, que encerrou no fim de Junho com 46 candidaturas, cuja avaliação deverá ser feita “em breve”.

 

Cruzar fronteiras

A “None of your business” foi uma das empresas a receber apoio do Fundo das Indústrias Culturais, no valor de meio milhão de patacas. À margem da cerimónia, Manuel Silva explicou ser uma empresa recente, mas que já trabalha no processo de promoção e produção de espectáculos, nomeadamente através da colaboração com o festival “This is my city”. “Achámos que agora era a altura certa para criarmos a própria empresa, que acima de tudo se dedica a promover artistas locais fora de Macau. O programa do FIC é centrado na área do Delta. (…) Este apoio permite-nos pela primeira vez desenhar uma tournée”, explicou.

A digressão vai levar a banda Ariclan a cidades como Hong Kong, Cantão, Shenzhen, Zhuhai, Xangai e Pequim, ainda que o objectivo da empresa não seja ficar limitada à região. A banda, constituída por 10 pessoas, é voltada para música pop, com músicas cantadas em inglês, mandarim e cantonense, sendo todo o trabalho original.

Manuel Silva considera que Macau ainda tem “uma limitação na produção de talento artístico, acho que temos mais produtores do que artistas”, algo que especula poder dever-se à falta de uma universidade ligada às artes. Mas acredita que a Ariclan se adapta ao mercado chinês.

Para integrar o mercado da China considera que a língua “é uma vantagem”, sendo mais difícil introduzir bandas que não falam chinês. “Há um enorme mercado ‘mainstream’ mas o mercado alternativo é bastante mais reduzido e mais difícil de – como promotor – poder fazer alguma coisa lá dentro”, apontou também como dificuldade e frisando as parcerias do lado de lá da fronteira.

 

Programa para fazer crescer empresas

Entre 1 de Agosto e 31 de Outubro de 2019, podem ser apresentadas candidaturas ao programa de apoio financeiro para o “Crescimento das Empresas Criativas e Culturais”. Poderão ser apoiadas um máximo de 50 micro-empresas, sendo o valor limite 200 mil patacas – que servem para cobrir metade das despesas associadas ao projecto.

Este apoio pode servir para despesas como materiais de produção, equipamentos, divulgação e promoção, registo de patente/marca ou logística. Só se podem candidatar empresas com até cinco trabalhadores contratados e cujo capital social seja detido em mais de 50% por residentes.