Um aeroporto “desactualizado”, com défice de voos de longa distância, e ainda a inexistência de escritórios de alto nível de alguns países de Língua Portuguesa no território faz com que a função de Macau enquanto plataforma sino-lusófona não seja “muito clara”, alertou Agnes Lam
Catarina Almeida
O território deve “assumir plenamente” a sua função de ponte entre a China e os países de Língua Portuguesa, sublinhou Agnes Lam, ao considerar que a “função aglutinadora da plataforma de Macau parece não ser muito clara, pois existem actualmente apenas 13 corpos diplomáticos – quatro consulados-gerais e nove consulados honorários”. Numa intervenção no período de antes da Ordem do Dia do Plenário da Assembleia Legislativa, a deputada observou o facto de “muitos países lusófonos” ainda não terem “escritórios de alto nível” no território, sobretudo o Brasil – uma “relevante entidade económica”. “Concentrar os escritórios de alto nível dos países lusófonos cria vantagens para Macau, pelo que espero que o Governo promova, de forma mais activa, os respectivos trabalhos”, exortou.
Aliás, enquanto centro mundial de turismo e lazer, “deve assumir o papel de porta de entrada para a região oeste de Zhuhai, para atrair visitantes, e o Aeroporto de Macau deve assumir o papel de posto fronteiriço internacional da zona oeste de Zhuhai para atrair passageiros a visitar esta zona”, destacou, advertindo que, neste momento, o aeroporto “não consegue dar resposta”.
“Creio que o número de visitantes vai chegar cedo a 11 milhões, ou seja, o valor previsto para 2025. Segundo o actual andamento do plano, a ampliação das instalações não vai conseguir acompanhar o aumento do número de visitantes, o que vai trazer alguns impactos negativos para a qualidade dos serviços e para as condições de concorrência”, frisou.
Assim, Agnes Lam instou o Governo a divulgar o mais cedo possível a “calendarização das obras de ampliação e os planos para reduzir a pressão resultante do aumento do número de visitantes até à conclusão das referidas obras”. Note-se que o referido projecto recebeu já aval do Governo Central sendo que o Executivo de Chui Sai On disse que em 2019 vão ser desenvolvidos os trabalhos de acompanhamento com base nos respectivos resultados.
Ainda em relação aos voos, a deputada entende que há “insuficiências que precisam de ser resolvidas”, nomeadamente, a “falta de voos de longa distância”. Foram celebrados acordos de transporte aéreo com 50 países, dos quais 41 já foram formalmente aplicados. Ademais, as principais rotas são de curta e média distância, com destinos situados principalmente na Ásia.
Por outro lado, “quanto a destinos importantes, como Portugal e Brasil” deve ser estudada a viabilidade de “estabelecer ligações directas, bem como iniciar estudos sobre o mercado, a fim de trilhar voos directos de longa distância e de elevar o valor estratégico de Macau como ponte de ligação”, sugeriu.
Pesa também, na tese da deputada, o facto do aeroporto do território ser “mais desactualizado em vários aspectos” quando comparado com o de Hong Kong – que conta já com “infraestruturas perfeitas e voos diversificados”.
Portanto, remata, “se as vantagens de Macau enquanto plataforma para o intercâmbio regional entre a China e os Países de Língua Portuguesa não forem no mínimo bem aproveitadas, o papel desempenhado por Macau na economia inter-regional vai ser, sem dúvida, enfraquecido”.
Formar quadros em Português para elevar “abertura do país”
Os mecanismos e a “envergadura” da formação de quadros qualificados com conhecimento de Português devem ser “reforçados”, defendeu Si Ka Lon. Para o deputado, esta aposta é necessária para corresponder ao posicionamento regional e acesso ao exterior do território. “Há que acelerar e reforçar a formação de um conjunto de talentos bilingues com conhecimento de Português, para Macau cumprir o seu papel de plataforma comercial sino-portuguesa. Por exemplo, os talentos com conhecimentos de Português nas áreas do Direito, das finanças, do comércio e das ciências sociais e humanas são aqueles de que o país e as empresas mais necessitam”, frisou. Para Si Ka Lon, esta aposta na formação de bilingues permitirá também “elevar o nível de abertura do País”.



