O centro vocacional Pou Choi, no Fai Chi Kei, vai acolher um restaurante inclusivo, criado pela Associação Fu Hong. Com data de abertura prevista para Outubro, a presidente da associação revelou à TRIBUNA DE MACAU que a ementa deste espaço será integralmente constituída por pratos da gastronomia macaense e portuguesa

 

Sofia Rebelo

 

A Associação Fu Hong vai abrir um restaurante no centro vocacional Pou Choi, no Fai Chi Kei, em Outubro. Toda a operação do restaurante irá ser garantida pelos utentes da associação.

“Este centro ocupacional é direccionado para doentes mentais em recuperação. Temos um centro que recebe os doentes depois do internamento hospitalar. Daí, nós seleccionamos aqueles que têm mais vontade e capacidades para fazer outro tipo de trabalhos e direccionamos as tarefas”, explicou a presidente da associação.

A ementa deste espaço será totalmente preenchida por pratos da gastronomia macaense e portuguesa. “Há poucos restaurantes em Macau com este tipo de gastronomia. Por isso, poderão [os utentes] aprender e depois, integrarem numa equipa ou até abrirem o próprio espaço”, justificou Fátima dos Santos Ferreira, ao garantir que “já aprenderam a fazer pratos como galinha portuguesa, pastéis de bacalhau, bacalhau com natas e o arroz de pato, que estavam todos muito bons”.

Uma vez que o restaurante ainda se encontra numa fase de teste, Fátima dos Santos Ferreira ainda não consegue precisar quantos funcionários serão necessários para garantir o serviço do espaço com cerca de 740 metros quadrados. Até lá, os utentes já se estão preparar para a abertura.

“Além de cozinhar, vão ter de aprender a fazer pedidos. Têm de saber receber as encomendas, e depois escrever correctamente nas notas. Tudo isto é resultado de uma aprendizagem”, indicou a mesma responsável, acrescentando que “o objectivo é que se venha a tornar um restaurante aberto ao público”. “Mas, tudo isto será faseado: num primeiro momento será apenas para os nós, da associação, e mais tarde aberto à comunidade”.

A sala principal irá dispor de oito mesas, tendo capacidade para cerca de 35 pessoas. O restaurante terá ainda uma sala de reuniões que também poderá ser utilizada para jantares de grupos para cerca de 20 pessoas.

A presidente da Fu Hong destaca a importância deste tipo de centros vocacionais para que os utentes “se sintam capazes de se inserir na sociedade, e consequentemente no mercado de trabalho”. Para Fátima dos Santos Ferreira, “há uma aceitação cada vez maior por parte da comunidade” no que toca a pessoas portadoras de deficiências.

Apesar de este ser o primeiro centro vocacional com formato de restaurante, a dirigente associativa mostra-se confiante e espera que possa trazer frutos no futuro. Quanto ao financiamento, e uma vez que se trata de um centro ocupacional, irá ser subsidiado pelo Governo.

“As refeições serão cobradas. Mais para a frente, aos poucos, veremos a forma como será o financiamento deste espaço. Ainda é cedo para perceber se vai haver aceitação, mas esperemos que sim, pelo menos naquela zona onde está inserido”, indicou.