Frederico dos Santos Rosário vai apresentar uma queixa por difamação contra Dennis Lau devido “à sua campanha de desinformação”, anunciou numa nota enviada à TRIBUNA DE MACAU. Por sua vez, Dennis Lau negou as alegações destacando que todos os investidores de Macau foram influenciados por Frederico dos Santos Rosário, que irá processar. Por outro lado, uma fonte que escolheu manter-se anónima garantiu que também o Administrador da TDM, Frederico Alexandre do Rosário foi lesado no esquema

 

Inês Almeida e Viviana Chan

 

O caso da alegada fraude envolvendo investimentos numa criptomoeda que terá lesado 60 residentes conheceu novos desenvolvimentos com uma fonte conhecedora do caso, que prefere não ser identificada, a assegurar que além de Frederico do Rosário, a mãe, Rita Santos, e a sua tia, também o pai, Frederico Alexandre do Rosário, administrador da Teledifusão de Macau, está incluído no grupo de investidores.

A mesma fonte indicou que pelo menos oito investidores do território apresentaram uma queixa na Polícia Judiciária (PJ) contra Frederico dos Santos Rosário. As novas informações surgiram no mesmo dia em que Frederico dos Santos Rosário anunciou que irá apresentar uma queixa contra Dennis Lau por difamação e que Dennis Lau disse ter a intenção de processar Frederico Rosário.

Ao início da tarde de ontem, a TRIBUNA DE MACAU recebeu um comunicado de Frederico dos Santos Rosário em que contesta a acção de Dennis Lau por “afirmações difamatórias” proferidas nos meios de comunicação social acusando-o de “ser responsável por ter enganado alguns cidadãos de Macau através da falsificação de contratos de compra de ‘hardware’ para mineração de cripto moeda, que estes cidadãos celebraram com a empresa de Dennis Lau”.

A nota refere ainda que Dennis Lau é proprietário de uma empresa ligada ao desporto electrónico e ainda co-proprietário da Forger Tech, uma empresa sediada em Hong Kong que se dedica à actividade de mineração de criptomoeda.

Frederico dos Santos Rosário indica, então, que ao contrário do que foi afirmado por Dennis Lau, não é sócio nem está “de maneira alguma associado à Forger Tech ou às suas operações”. “Sou sócio minoritário (10%) da Genesis Hong Kong Limited, que é uma empresa detida, maioritariamente por Dennis Lau”.

“Fui convencido por Dennis Lau a investir na Genesis Hong Kong Limited e, de boa fé, levado a crer que as suas actividades eram legítimas. Na qualidade de sócio minoritário, não detenho qualquer poder de decisão nem para outorgar documentos da empresa”, assegurou Frederico dos Santos Rosário indicando, a título de exemplo, que não tem poder para “assinar e aprovar quaisquer pagamentos ou representar a sociedade através” da sua assinatura.

Nesse sentido, “limitava-se a apresentar clientes à Forger Tech para celebração de contratos de compra de ‘hardware’ para mineração de criptomoeda”. “Eu próprio e vários membros da minha família próxima fomos convencidos a assinar estes contratos acreditando que representavam uma oportunidade de investimento sólida, pelo que também nós fomos defraudados num significativo montante de fundos investidos”, destacou Frederico dos Santos Rosário.

“Não falsifiquei nem alterei ilegalmente qualquer contrato celebrado com a Forger Tech. Esses contratos foram verificados pelas partes envolvidas, nomeadamente as vítimas, incluindo eu próprio e membros da minha família, e Dennis Lau, na qualidade de proprietário e representante da Forge Tech”, assegurou.

Frederico dos Santos Rosásio assegura que “a verdade dos factos pode ser confirmada pelas muitas provas documentais” que já fez chegar às autoridades para investigação.

 

Contratos e correspondência na posse das autoridades

 Entre as “centenas de documentos” entregues às autoridades que Frederico dos Santos Rosário se escusou a apresentar, estão “os contratos e correspondência que os acompanhou, em que é parte Dennis Lau”.

Ao contrário do que foi afirmado por meios de comunicação social da RAEHK, também lá está em curso uma “investigação criminal”, assegurou Frederico dos Santos Rosário frisando que “qualquer afirmação em contrário não corresponde à verdade”.

Frederico dos Santos Rosário assegura ainda que está representado por advogados em Hong Kong e em Macau, a quem recorreu primeiro na qualidade de “investidor lesado pelo esquema de Dennis Lau e, mais recentemente, como vítima das repetidas calúnias que este tem veiculado” sobre si. “Segundo me informaram os advogados, o momento apropriado para reclamar indemnização civil pelos actos criminosos de Dennis Lau, será numa fase posterior do processo”.

No final do comunicado enviado, Frederico dos Santos Rosário indica, então, que “tendo em consideração os danos infligidos por Dennis Lau” ao seu “nome e reputação através de uma campanha de desinformação”, irá “iniciar um processo junto das autoridades judiciais de Macau de forma a mover uma acção contra Dennis Lau pelo crime de difamação, pelo que já constituí representante legal para defender” os seus direitos “até aos máximos limites previstos na lei”.

 

Dennis Lau avança com processo civil

Confrontado com as acusações de Frederico dos Santos Rosário, à TRIBUNA DE MACAU Dennis Lau disse nunca o ter convencido a participar no negócio. “Se ele continuar a ter este tom e a dizer que fui eu quem o tentou convencer, estamos a preparar os documentos para o processar. Não queria repetir-me mais, já esclarecemos muitas vezes isto. Foi ele quem nos abordou primeiro”, indicou Dennis Lau a este jornal.

“Ele [Frederico dos Santos Rosário] participou numa das actividades de desportos electrónicos e viu que temos equipamentos ligados a criptomoedas, assim, começou a falar sobre este tópico. Mas queria salientar que desde o princípio foi ele que expôs o caso, nunca o levei a convencer investidores de Macau a participar”, asseverou o empresário.

Este caso está a ser investigado pelo “District Crime Squad”, de Hong Kong, assegurou Dennis Lau, frisando que apresentou uma queixa de alegada “fraude comercial”. “Estou preocupado com a minha segurança pessoal, por isso não fui apresentar queixa em Macau, mas acredito que outras pessoas fizeram queixa na polícia em Macau para que Frederico ou eu fôssemos investigados. Mas eu não vou a Macau fazer denúncias sobre este caso e polícia de Macau nunca me contactou, apenas os investidores”, garantiu.

“Estamos a preparar-nos para o processar. Ele pode fazer queixas de difamação, não tenho medo disso porque sempre disse a verdade. Se ele falsificar provas e me acusar, posso acusá-lo de obstrução à justiça. Sempre disse a verdade, se ele não quiser admitir o erro que cometeu, tenho provas para mostrar ao público”, frisou Dennis Lau.