Gonçalo Lobo Pinheiro - Shy Hoi An (Vietname, 2015)
Gonçalo Lobo Pinheiro - Shy Hoi An (Vietname, 2015)

A fotografia está em destaque em dois eventos que decorrem este mês. Hoje, começa a exposição “Shaping Dream”, que estará patente apenas durante o fim-de-semana no Clube Militar

 

Salomé Fernandes

 

A inauguração da exposição colectiva “Shaping Dream”, organizada pela associação “Art Beyond Walls” tem lugar no Clube Militar de Macau hoje, às 19h30. A mostra está patente ao público apenas durante o fim de semana, no número 975 da Avenida da Praia Grande.

The children of Kalaw (Myanmar, 2014)

A organização procura promover a fotografia e criatividade em Macau, tendo organizado um concurso fotográfico para tentar estimular as pessoas locais a pensarem sobre o tema com que foram desafiadas, “Shaping Dream”. “Para os encorajar a criar, em vez de se limitarem a dar aquilo que querem mostrar numa exposição”, explicou Cecilia Ho, organizadora da “Photo Macau”, que está a apoiar a exposição.

O fotógrafo Gonçalo Lobo Pinheiro, um dos participantes, terá três fotografias expostas. O conhecimento do concurso chegou-lhe por email, onde recebeu o regulamento. “Na altura fiquei reticente em relação ao que podia fazer com o tema. E achei que no meu trabalho, dentro do documental e do fotojornalismo, numa componente que puxasse mais ao tema, ao sonho, ilusão, seriam os retratos”.

Este projecto surge num mês em que a fotografia está em destaque. A “Photo Macau Art Fair” é um projecto novo, em Macau e na Ásia, focado em fotografia e na arte da imagem em movimento, que vai decorrer entre 24 e 26 de Março no Venetian. Vai ser composta por sectores como as galerias, estreias, “vintage”, alta edição, relaxado, e instalações. Cada um destes departamentos vai mostrar um lado diferente da arte moderna contemporânea, criada tanto por artistas estabelecidos como por nomes emergentes.

Redoubled hopes (Macau, 2013)

“‘Photo Macau” sempre foi o meu projecto de coração. Sempre quis fazer algo para acender a atmosfera artística de Macau. Depois de ter estudado fora e trabalhado como artista, tive a oportunidade de regressar e quis fazer algo, daí a ideia da feira de artes. Como a Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau é um dos grandes projectos de desenvolvimento do Governo Central, pensei que Macau podia assumir este papel e fazer a sua parte pelas artes digitais, fotografia ou artes de media”, disse Cecilia Ho em declarações à TRIBUNA DE MACAU. Um papel que seria diferente de Hong Kong, que se apresenta como um centro artístico demasiado geral. “Macau talvez possa investir num mercado de nicho”, apontou.

Apesar de ser a primeira edição do evento, que conta com um orçamento na ordem dos sete dígitos, Cecilia Ho pretende que seja um projecto contínuo e já tem planos para o próximo ano. Prevê-se que em 2019 haja dois pavilhões em foco, um de Istambul e outro de Portugal.

“Estamos a esforçar-nos muito por montar exposições de qualidade. E estou a dar o meu melhor para captar o interesse da população local. Para além da feira temos um programa muito forte de educação cultural”, referiu a organizadora.