A sétima edição do Fórum de Economia de Turismo Global arranca no próximo dia 23 na qualidade de parceiro oficial do Ano do Turismo UE-China. Segundo Pansy Ho, esta será a edição mais produtiva em termos de negócios e parceiros e irá, entre outros aspectos, debater o impacto da cooperação estratégica entre a China e a União Europeia e as oportunidades a apostar a partir da zona da Grande Baía. O evento trará a Macau a Secretária de Estado do Turismo de Portugal, Ana Mendes Godinho
Catarina Almeida
Na sua sétima edição, o Fórum de Economia de Turismo Global (GTEF, sigla inglesa) surge como parceiro oficial do Ano do Turismo União Europeia (UE)-China, uma oportunidade para debater o impacto da cooperação estratégica de turismo e, ao mesmo tempo, explorar as janelas que se podem abrir no seio da região da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.
O evento decorrerá entre os dias 23 e 24, no MGM COTAI, subordinado ao tema “Parceria estratégica numa nova era, fomentando um futuro compartilhado”. Segundo a organização, esta edição alcançará uma das maiores participações em termos de visitantes sobretudo pelo facto da UE ser a região parceira, a par da Província de Guangdong.
“Estou muito confiante que este Fórum será mais produtivo em termos de negócios e projectos”, estimou Pansy Ho, secretária-geral do GTEF.
Para os dois dias devem chegar a Macau mais de 1.500 pessoas de vários países e regiões do mundo. De um ponto de vista mais geral, o evento reunirá representantes de Governos e líderes de empresas privadas de vários países do mundo para um diálogo directo e discutir como melhor promover a parceria turística entre a China e a Europa.
Em representação da UE estarão várias personalidades sendo o mais alto cargo detido por Istvan Ujhelyi, vice-presidente da Comissão dos Transportes e Turismo do Parlamento Europeu, que estará reunido com outras personalidades durante a sessão “Parceria Estratégica – Construindo Pontes de Cooperação para Benefícios Partilhados”. Por outro lado, Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo, irá chefiar a delegação de Portugal, avançou Pansy Ho, secretária-geral do GTEF.
De resto, com o planeamento para o desenvolvimento da Grande Baía prestes a ser lançado, a entrada em funcionamento em breve da mega-ponte, entre outras infraestruturas regionais, o desenvolvimento da integração regional está a “entrar numa nova fase”, salientou Pansy Ho. Nesse capítulo estão previstas sete sessões “inovadoras e inspiradoras” que irão colocar ministros e líderes do sector privado frente-a-frente. Também serão promovidos debates sobre a importância dos Festivais, Gastronomia, Criatividade e Turismo. No segundo dia, a discussão é mais específica versando sobre a Grande Baía, Tecnologia e Parcerias no Turismo Europeu como veículo de divulgação da “situação actual e tendências do desenvolvimento futuro do turismo”.
Quanto ao futuro do turismo local, Pansy Ho entende que se está num bom momento para divulgar as potencialidades da RAEM que não pode continuar a ser reconhecida apenas pela vertente do jogo, reconheceu. “Este é um bom momento, estamos mais maduros para ponderar como poderemos de facto construir uma abordagem mais holística das nossas vantagens culturais. Vamos utilizar todos estes complexos para que sejam também espaços onde possamos mostrar que Macau não é só uma experiência de meio-dia e onde se visitam apenas os locais mais conhecidos, num zona específica da cidade”.
E, acrescentou, “a cultura deve ser uma extensão daquilo que os nossos antepassados deixaram, é nossa responsabilidade continuar e ao mesmo tempo adicionar novos elementos culturais do mundo moderno. Esta é uma forma de explicar aos nossos potenciais parceiros como podem olhar para Macau como uma nova aposta”, vincou.
Uma nova perspectiva
Por outro lado, a Organização Mundial do Turismo e o Centro de Pesquisa de Economia do Turismo Global irão apresentar a 5ª edição do relatório sobre as tendências do turismo na Ásia. Um documento que dará a conhecer a situação actual do fluxo de turismo entre a China e a UE e analisar o potencial de desenvolvimento da Grande Baía enquanto “novo ponto de crescimento” do turismo asiático.
Na visão de Pansy Ho, eventos como este Fórum permitem “melhorar o turismo da China e abri-lo ao mundo de uma forma mais consistente”, disse, aos jornalistas, à margem da conferência de apresentação do Fórum. “A questão é saber se Macau continua a ter alguma importância em termos de turismo para o desenvolvimento da China ou se é simplesmente um receptor de turistas chineses. Obviamente que temos uma abertura bastante grande para todo o mundo e temos uma experiência que os parceiros na China não têm logo, desta forma, é possível que possamos partilhar o nosso conhecimento”.
Para isso importa dar “a conhecer uma nova perspectiva e visibilidade de e sobre Macau para que tenha uma maior consistência como destino turístico, fazendo com que as pessoas tenham uma energia diferente em termos de turismo para que compreendam – a nível mundial – que Macau não é simplesmente os casinos, para que estas grandes infraestruturas sejam também elas desenvolvidas”, observou.
Para esta edição, o Governo de Macau contribuiu com 26 milhões de patacas, ou seja, 40% do orçamento total, disse a directora dos Serviços de Turismo.
DST planeia mais medidas para dispersar turistas
Face à falta de capacidade de recepção de visitantes, o Turismo de Macau têm estado a discutir soluções com outras cidades turísticas do mundo, disse ontem a directora dos Serviços de Turismo (DST). Em declarações aos jornalistas, Maria Helena de Senna Fernandes defendeu que a melhor alternativa para dispersar turistas das principais zonas do território passa por encaminhá-los para outros locais dividindo em grupos em diferentes momentos do dia. A mesma responsável disse ainda que a DSTR irá avançar com uma parceria com o grupo Alibaba no âmbito do turismo inteligente para tentar recorrer a soluções mais inovadoras, científicas e tecnológicas e, assim, resolver o problema. Por outro lado, Maria Helena de Senna Fernandes considera que apesar do volume de turistas durante a Semana Dourada ter superado as expectativas não se registaram situações anormais de alojamento ilegal. De acordo com dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública, entre 29 de Setembro e 7 de Outubro, os dias referentes à Semana Dourada, o território recebeu 1.099.323 turistas, o equivalente a um aumento de 9,2%, face a igual período de 2017. Os mesmos dados indicam que registaram-se mais de 4,7 milhões de movimentos, com destaque para as Portas do Cerco, com mais de 1,78 milhões de entradas e 1,82 milhões de saídas. Em sentido contrário, o posto do Parque Industrial Transfronteiriço foi o menos utilizado. Pelo Aeroporto chegaram 93.690 pessoas e saíram 90.157. Os terminais marítimos também registaram elevado movimento, no entanto, nesse domínio o Porto Exterior continuou a ser a principal porta de entrada: 193 mil turistas, contra 115 mil que optaram pelo novo terminal no Pac On. As estatísticas mostram ainda que a terça-feira, 2 de Outubro, foi o dia em que mais pessoas chegaram ao território, 297.332.



