Wong Sio Chak admitiu ontem que, sobretudo desde a entrada em funcionamento da Ponte do Delta, as forças de segurança têm-se deparado com um problema de falta de pessoal. No entanto, durante o próximo ano e meio o sector deverá receber um reforço de 302 funcionários

 

Inês Almeida

 

A entrada em funcionamento da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau veio exercer maior pressão sobre as forças de segurança do território, o que levou ao acentuar de dificuldades já existentes devido à falta de recursos humanos, admitiu ontem Wong Sio Chak no primeiro dia de debate sobre as Linhas de Acção Governativa da sua tutela para 2019.

“A entrada em funcionamento da Ponte [do Delta] exige mais recursos humanos. Estamos a assumir a pressão. Depois da entrada em funcionamento da ponte destacámos 210 agentes para fazer as inspecções alfandegárias. Em Hong Kong são 600, em Zhuhai são 500, por isso, com os 210 agentes que temos neste momento estamos a assumir muita pressão”, apontou o Secretário para a Segurança.

A mesma pressão é sentida no mais movimentado posto fronteiriço terrestre. “É como no caso das Portas do Cerco. Em Gongbei, o volume de trabalhadores é o dobro do nosso, mas assumimos o mesmo volume de trabalho e conseguimos constatar que a passagem é mais rápida que do outro lado da fronteira”, referiu.

No entanto, ressalvou, o caso registado do fim-de-semana passado não é reflexo dessa lacuna. “Aquele incidente do dia 24 é um caso muito especial. Foi um problema daquele dia porque 460.000 pessoas passaram nas Portas do Cerco, o que bateu recordes. Vamos continuar a acompanhar a situação”, prometeu o governante. Ainda assim, Wong Sio Chak destacou que o problema foi resolvido rapidamente.

Com o aval de Chui Sai On, a tutela vai ter a oportunidade de colmatar a situação. “Com um despacho do Chefe do Executivo podemos ter mais 302 pessoas nos próximos 18 meses. Como foi uma situação especial, o Chefe do Executivo aprovou a contratação”, disse, notando porém que está ainda por resolver a escassez de recursos humanos no Corpo de Bombeiros.

 

Entradas e saídas

Para justificar as necessidades de recrutamento, Wong Sio Chak destacou que as forças de segurança são uma área em que embora haja muitas pessoas a entrar, também há sempre gente a desvincular-se.

“Havia um saldo de 465 em 2015. Em 2018, houve um acréscimo de 775, mas temos de descontar aqueles que saíram. O que quer dizer que, no total, há 10.407 efectivos, um aumento de 749 depois de feitas as contas. E pode haver novas saídas. Os efectivos das forças de segurança representam 35,12% do total da função pública”, explicou o Secretário.

Além disso, garantiu, nunca houve “um acréscimo significativo de pessoal”. “Por outro lado, ter um corpo de recursos humanos muito grande não é necessariamente benéfico. Podemos usar outros meios como é o caso do policiamento comunitário e ainda outras ferramentas tecnológicas para facilitar o trabalho dos efectivos”.

Associada à questão dos recursos humanos está igualmente a da progressão das carreiras. “A Secretária da tutela também deu explicações sobre o planeamento para podermos ter os recursos humanos necessários e para que eles tenham melhores regalias no futuro”, apontou Wong Sio Chak.

É também com esse objectivo que está a ser revisto o Estatuto dos Militarizados. “Em 2015 decidimos rever e iniciámos o processo de auscultação pública e depois seguiu os trâmites normais. Dada a sua complexidade, e por envolver centenas de artigos e regulamentos administrativos conexos, temos feito um trabalho muito exaustivo”, explicou, adiantando que “ouvimos o parecer dos Serviços de Administração e Função Pública e da Secretária para a Administração e Justiça para a revisão que tem como objectivo a concretização da intercomunicabilidade entre carreiras”.

“Como sabemos, há o fenómeno da pirâmide mas, por outro lado, não podemos esperar que todos venham a ser directores de serviço. Há necessidade de haver pessoas em cargos superiores para comandar os subordinados”, recordou o titular da pasta da Segurança. Além disso, atenta Wong Sio Chak, há algumas pessoas que procuram desvincular-se dos cargos e aposentar-se mais cedo, “mas isso é impossível”.

No fundo, o Secretário para a Segurança gostaria que os seus pares pudessem ter “melhores condições de trabalho e regalias”, prometendo ainda promover actividades que vão no sentido de reforçar as relações familiares.

Esta questão da falta de recursos humanos não levantou preocupações entre os deputados da Assembleia Legislativa que, em vez disso, se focaram num tópico que, de qualquer modo, está relacionado: a optimização do funcionamento dos postos fronteiriços.

Sobre este tópico, no seu discurso inicial, Wong Sio Chak referiu que os Serviços de Alfândega estão a estudar o modelo logístico na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a criar um centro logístico nesta área, a estabelecer um regime de declaração prévia e a gizar um sistema de prevenção e de fiscalização para prevenir incidentes específicos e actividades criminosas.

“Para além disso, iremos dar grande apoio na construção do novo acesso fronteiriço Guangdong-Macau-Edifício do Posto Fronteiriço de Qingmao e das suas instalações complementares, introduzindo um novo modelo” de inspecção fronteiriça integral, referiu o governante.

 

Chan Wai Keong contesta uniformização de carreiras

O deputado nomeado Chan Wa Keong dirigiu-se ontem ao Secretário para a Segurança para contestar a uniformização de carreiras dos agentes do sexo masculino e feminino. “A polícia exige uma determinada condição física. O que tem acontecido? No Corpo da Polícia de Segurança Pública as condições exigidas não são iguais mas ao perseguir um ladrão, ele não vai estar à espera que a agente o capture”, destacou. Wong Sio Chak começou por referir que, de facto, tem havido um aumento no número de agentes do sexo feminino e frisou que “há tarefas para as quais é preciso inteligência, portanto, não se pode afastar as agentes do sexo feminino”. “Se for destacado um agente, se não conseguir correr muito, não faz mal. Podemos exigir que tenha melhores condições físicas”, apontou o Secretário para a Segurança.