António Conceição Júnior vai hoje à Fundação Rui Cunha proferir uma palestra proferir a palestra “Afonso de Albuquerque – Rumo ao Apogeu Militar dos Descobrimentos”. O criativo acredita que “a história de todos os países é, inevitavelmente, a sua história militar” exemplificando com o nascimento de Portugal que decorreu “da insurreição de um filho contra uma mãe que se aliava aos galegos dos Travas”

 

Inês Almeida

 

Hoje, pelas 18:30, a Fundação Rui Cunha é palco da palestra “Afonso de Albuquerque – Rumo ao Apogeu Militar dos Descobrimentos”, protagonizada por António Conceição Júnior. Questionado sobre o interesse pelo tema, o criativo disse ter “todas as gavetas dos diversos interesses entreabertas” pelo que, “por vezes, uma ideia, uma leitura, ou um pequeno estímulo levam a que um desses interesses venha mais ao de cima”.

“É preciso compreender os séculos XVI e XVII e interpretá-los dentro da verdade da época. Sabe-se que, do Ocidente, fomos os primeiros a chegar ao Índico e ao Oriente. Isso teve uma importância fundamental para Portugal”, sublinhou António Conceição Júnior em declarações à TRIBUNA DE MACAU sem querer avançar mais detalhes sobre a conversa agendada para hoje.

Neste contexto, surge Afonso de Albuquerque. “Geralmente fala-se mais de Vasco da Gama, o descobridor do caminho marítimo. Então e depois? A história acaba, ou antes, começa com essa descoberta? É aí que emerge, distinta, a figura de Afonso de Albuquerque, inigualável”.

António Conceição Júnior acredita que “a história de todos os países é, inevitavelmente, a sua história militar” uma vez que as guerras foram sempre “assuntos de vital importância para o Estado, citando Sun Tzu”. “Assim, assuntos de vital importância para os Estados passaram sempre, em todas as épocas, pelo modo como as guerras determinaram a configuração dos Estados, das nações, dos países”.

A título de exemplo, referiu o período dos Reinos Combatentes, do século V antes de Cristo até ao ano 220 antes de Cristo, “que decorre sob a dinastia Zhou, uma das mais longas da história da China, vai convergir na unificação da China, enquanto num outro caso nosso contemporâneo, se pode constatar como o Plano Marshall do pós-guerra criou países que explodiram nas guerras Balcãs, após a queda da União Soviética”.

“Todos os países foram talhados pela espada ou pelas balas. Ninguém cede nada a ninguém. Esta é uma base elementar do homem predador que defende o seu território ou ambiciona ampliá-lo. Daí a história dos países estar sempre associada à sua inerente história militar”, frisou Conceição Júnior.

No caso de Portugal, basta ver que o nascimento do país “decorreu da insurreição de um filho contra uma mãe que se aliava aos galegos dos Travas”. “Cedo Portugal demonstrou uma vontade de independência que em muito contrario Leão e Castela. O resto do País foi conquistado porque ninguém dá nada de mão beijada”.

António Conceição Júnior diz olhar o mundo “de um modo holístico”. “As guerras são feitas de maneiras diferentes, conforme os períodos, os instrumentos bélicos, estratégias. A cultura japonesa, ao nível do mito contorna a influência chinesa, renegando-a, através do mito da Deusa Xintoísta Amaterasu Omikami”. “O mito representa a necessidade do Japão de se emancipar da China”. No Ocidente surgiram mitos como o do calcanhar de Aquiles.