“Sê Meu Velho Amigo”
“Sê Meu Velho Amigo”

Entranhando-se nos espaços teatrais e pelos cantos da cidade, dando asas à criatividade, o Festival Fringe vai decorrer entre 11 e 27 de Janeiro. O programa integra actuações que se desdobram entre supermercados, piscinas, paragens de autocarro e outros espaços públicos “criando e imaginando cenários”

 

Catarina Almeida

 

São 18 programas, uma dezena de workshops, palestras e outras actividades de extensão, duas exposições e instalações, num total de mais de 100 sessões. É esta a oferta disponibilizada pelo 18º Festival Fringe que promete, durante 17 dias, “levar o público numa emocionante viagem criativa”, explorando “a beleza da fusão entre arte e vida, colorindo a vida quotidiana”, frisou o presidente-substituto do Instituto Cultural (IC), Ieong Chi Kin.

Para esta edição, com um orçamento de 3 milhões de patacas, mantém-se o espírito-chave do Festival numa tentativa de incutir “imaginação” no dia-a-dia da população, abrindo “diferentes possibilidades em círculos sociais e cenários a que estamos habituados, bem como criando e imaginando cenários mais interessantes”.

“Wet Sounds”

O programa arranca com o projecto britânico “Sigma”, produzido pelo grupo Candini Juggling. Nos dias 11 e 12, no 2º andar do edifício do Antigo Tribunal, a bailarina e coreógrafa Seeta Patel apresentará ritmos, padrões e cores exuberantes num cenário de espelhos, celebrando “o diálogo entre os mundos do malabarismo, da música e a dança clássica indiana”.

Assente na visão de levar a arte para a rua, o Conjunto de Música Urbana Interactiva animará a Praça Jorge Álvares com uma exposição que promete desafiar a curiosidade e dar asas à imaginação.

Com entrada livre, o projecto criado e apresentado pelo português radicado em Macau, João Oliveira, consiste numa tela de seis metros por três, “com vários instrumentos que na verdade é um desenho”. “À partida, as pessoas podem não achar que seja algo que possa produzir música, mas ao tocar vão dar som e a possibilidade das pessoas tocarem e interagirem”, explicou, à margem da apresentação do programa do Festival.

O projecto nasceu em Portugal, entre amigos, mas rapidamente cresceu e desdobrou-se noutras vertentes. Para o Fringe, o o Conjunto de Música Urbana Interactiva conjuga simples peças com os princípios básicos do software e da electrónica, mostrando como a tecnologia pode trabalhar em conjunto com a arte para expandir os limites do que é possível. Todo este conceito será também explicado durante um workshop, no dia 12, e as peças que dele surgirem estarão em exibição entre 13 e 27 de Janeiro no edifício do Antigo Tribunal.

 

Da paragem de autocarro à piscina

João Oliveira é o mentor do Conjunto de Música Urbana Interactiva

A meio da programação, nos dias 19, 20 e 26, o grupo de teatro local “Dream Theather Association” apresentará a peça “Sê Meu Velho Amigo” – durante o qual velhos amigos reúnem-se em palco para partilhar com o público histórias pessoais a partir de memórias de determinados objectos. O espectáculo realiza-se na Casa de Lou Kau e visa criar uma imagem da “Macau de antigamente”.

Já nos dias 19 e 21, o projecto de Cherrie Leong intitulado “Flash mob – Phubber Drama” promete agitar a cidade, nomeadamente em várias paragens de autocarro (do Templo de Kun Iam e do Edifício da Administração Pública) nas quais qualquer transeunte poderá ser o protagonista da peça como forma de reflectir sobre a sociedade actual, sobretudo o apego, por vezes excessivo, em relação às novas tecnologias.

Uma das actividades mais inovadoras do Fringe, é assinada pelo britânico Joel Cahen que convida o público para, no dia 20 de Janeiro, entrar na piscina interior da Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional para “sentir as diferentes experiências auditivas dadas pelas águas superficiais e profundas”. A participação no “Wet Sounds” está sujeita ao pagamento de 120 patacas.

Nesta edição, Jenny Mok volta a dar o seu contributo artístico desta vez com o trabalho “100 horas”. A directora da Associação de Arte e Cultura Comuna de Pedra passará cinco dias (de 22 a 26) na Rotunda Carlos da Maia, a construir uma “casa” onde irá acampar, conviver e conversar com as pessoas daquele bairro que servirão de base para o apontamento online que irá relatar diariamente. O objectivo centra-se na urgência de ponderar sobre as questões que se prendem com a criação e destruição levadas a cabo pelo Homem.

A apresentação “Pequeno Escape” terá lugar no supermercado Tai Fung, na Taipa. O público será levado pelo actor a passear pelo supermercado nos dias 25  e 26, com um custo associado de 80 patacas. Da autoria de Lei Sam I, a ideia é “viajar por diferentes prateleiras que representam diferentes necessidades em diferentes fases da vida”.

“Pequeno Escape”

De notar ainda que do programa constam outras actuações como o concerto “Era uma vez a cantar Português”, da banda da Casa de Portugal em Macau (dia 26); o workshop de mímica nos dias 19 e 20, no edifício do Antigo Tribunal, por 100 patacas, e criações inter-regionais como “Horizonte Corporal” – uma apresentação conjunta da Amálgama Companhia de Dança de Portugal, Dancecology de Taiwan e Stella e Artistas de Macau que apresenta uma “nova perspectiva” sobre como olhar para o território através da “linha da paisagem com a extensão dos corpos”.

Toda a programação pode ser consultada online (www.macaucityfringe.gov.mo) e os bilhetes estarão à venda a partir de domingo, na Bilheteira Online de Macau.