Agendado para o período entre 2 e 31 de Dezembro, o Festival de Luz vai incorporar pela primeira vez jogos de realidade virtual, novidades que levaram a uma ligeira subida no orçamento. À margem da apresentação do Festival, Maria Helena de Senna Fernandes disse estar a implementar medidas para fazer face ao aumento do número de turistas

 

Inês Almeida

 

A edição deste ano do Festival de Luz decorrerá entre os dias 2 e 31 de Dezembro e a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) promete novidades. Pela primeira vez, vários jogos interactivos e instalações luminosas estarão à disposição com o objectivo de aumentar a participação do público no evento.

No Largo do Pagode do Bazar será instalado um “jogo da macaca” com luz. Por sua vez, a “Futura Caixa Postal”, na Freguesia de São Lázaro, permite que os participantes enviem mensagens para si próprios ou para outros num “grande ecrã do futuro”, através de uma aplicação para telemóvel do Festival. Eric Hoi, da “Macau China International Convention and Exhibition Group” antevê que este pode vir a ser “um sítio popular este ano”.

Por seu turno, no Centro Náutico do Lago Nam Van será instalado um jogo de aviação. Os participantes serão equipados com óculos de realidade virtual e braços robóticos e, assim, poderão viajar por Macau, desfrutando de uma experiência de voo com visibilidade a 360 graus.

Outras instalações luminosas com elementos interactivos são os balões de ar quente espalhados pelo Centro Náutico do Lago Nam Van e o “Mural dos Tempos”, nas Casas-Museu da Taipa, que irá apresentar a evolução da gastronomia de Macau ao longo dos tempos.

No mesmo espírito, foi criada uma roulotte de comida e iluminação onde o público poderá ir após ter completado várias actividades relacionadas com o festival e receber em troca bebidas luminosas e lembranças. Estas novidades levaram a um aumento no orçamento de 2% para 18,5 milhões, em comparação com 2017.

No que respeita ao “video-mapping”, a directora dos Serviços de Turismo explicou que foram convidadas equipas de produção de efeitos de luz de Portugal, Bélgica e Macau para criar e produzir três espectáculos que serão projectados nas Ruínas de São Paulo.

Este ano, o Festival apresenta três percursos temáticos que incluem 11 locais em cinco zonas. A rota “Tempo de Divertimento” passa pela Igreja de São Domingos, Ruínas de São Paulo, Pátio de Chôn Sau, Rua das Estalagens, Rua dos Ervanários e pelo Largo do Pagode do Bazar, bem como pelo Jardim Luís de Camões e a Calçada da Igreja de São Lázaro. Já o percurso “Tempo Jovem” abrange as zonas de Nam Van e Sai Van. É também na zona de Nam Van que será instalado um mercado nocturno e estão pensados concertos ao ar livre, às sextas-feiras, sábados e domingos. A rota “Sabor do Tempo” percorre as Casas-Museu da Taipa, o Mercado Municipal e o Templo de Pak Tai.

A cerimónia de abertura do Festival está agendada para a noite de 2 de Dezembro, no Centro Náutico do Lago Nam Van.

 

DST aposta em medidas de dispersão de visitantes

À margem da conferência de apresentação do Festival e perante as previsões de que Macau venha a receber 35 milhões de visitantes durante este ano, a directora dos Serviços de Turismo destacou que estão a ser implementadas medidas que espera que tenham impacto mais imediato, como é o caso da criação de “uma área maior” em torno das Ruínas de São Paulo para que as pessoas não fiquem apenas “numa rua”.

“Outra coisa seria criar outros pontos de interesse como a zona do Porto Interior. Desde o ano passado criaram zonas onde há paredes com ‘graffitti’ e agora queremos fazer um mapa destas produções criativas”, indicou Maria Helena de Senna Fernandes. A DST pretende ainda investir na Zona Norte, a mais próxima do Posto Fronteiriço.

 

DST vai estudar hábitos de utilização da Ponte do Delta

No prazo de cerca de um mês, quando o factor “novidade” deixar de ser determinante para o fluxo de pessoas que chega a Macau através da Ponte do Delta, os Serviços de Turismo vão estudar os hábitos de utilização da infra-estrutura, adiantou Maria Helena de Senna Fernandes. “No próximo mês vamos começar a fazer investigação sobre porque é que as pessoas usam ou não a Ponte [do Delta]. Vamos fazer um inquérito em diferentes áreas e fronteiras para ver porque é que os visitantes continuam a usar os antigos meios de chegada ou porque é que estão a recorrer à Ponte, e perceber como fazer melhor o nosso trabalho”, explicou a directora.

 

Museu do Grande Prémio reabre dentro de um ano

A directora dos Serviços de Turismo acredita que será possível reabrir o Museu do Grande Prémio em Novembro do próximo ano. “Perante as condições actuais estamos confiantes”, sublinhou Maria Helena de Senna Fernandes. A infra-estrutura terá “muitos elementos novos”, prometeu, ao destacar “jogos interactivos para os mais novos e os menos novos, simuladores mais profissionais, um cinema, figuras de cera de pilotos famosos e novos carros”. “Como muitos pilotos estão em Macau, também estamos a tentar obter fotografias e entrevistas para termos muitos mais elementos para apresentar”, acrescentou. Já o Museu do Vinho continua sem perspectivas de reabertura. “Há muitas condições que não são favoráveis. Ainda estamos à procura de uma nova localização. Isto está fora das minhas mãos porque não tenho um terreno”, frisou.