O volume de negócios da 18ª edição do Festival de Gastronomia de Macau não satisfez alguns comerciantes experientes no evento, para quem os clientes já não sentem a mesma curiosidade. Por outro lado, os turistas da China Continental deram nota positiva à diversificação da oferta no certame

 

Rima Cui

 

O 18º Festival de Gastronomia de Macau terminou ontem, enfrentando o desafio da chuva, que acinzentou todo o dia. Apesar disso e por ser domingo, muitos guarda-chuvas coloridos evidenciavam alguma azáfama pelos corredores gastronómicos.

Nesta edição, participaram 215 restaurantes locais, incluindo 55 “novatos”, bem como 23 marcas singapurianas.

À TRIBUNA DE MACAU, a promotora da “Massa da mãe”, que no ano passado atraiu grandes filas, garantiu que o negócio piorou este ano, devido à perda de curiosidade dos clientes. “No último ano, fizemos muito trabalho de divulgação e as massas são vendidas amplamente nos supermercados locais, por isso, os cidadãos podem já ter provado e até recomendado aos amigos. Nesta edição, vendemos cerca de 200 tigelas de massas por dia, o que ficou muito aquém do número registado no ano passado”, lamentou Carmen Chan.

Desta vez, o estabelecimento vendeu também chá de fruta, já a pensar num reforço do apelo, porém, o resultado não correspondeu às expectativas, porque, segundo a mesma responsável, há muitas marcas de bebidas de Taiwan em Macau e as pessoas não dão muitas oportunidades a outras alternativas.

Xue é empregado de uma banca de churrasco da Mongólia, que participou pela terceira vez no festival. “Face ao ano anterior, o número de dias chuvosos foi menor, mas a sorte não abençoou a banca, por causa da perda de curiosidade dos clientes”, queixou-se.

Por dia, a banca registou receitas entre 10 e 20 mil patacas, o que não satisfaz o patrão, disse o empregado, notando ainda assim que o churrasco de enguias, uma novidade, até cativou muitos clientes.

Já uma banca de sobremesas, cuja marca foi criada há apenas dois anos, participou sobretudo para fazer a publicidade, por isso, os milhares de patacas diários já agradaram ao dono. Segundo Lam, o negócio assentou principalmente na venda do leite com açúcar mascavado e “bubbles”, a bebida do ano. Por outro lado, o jovem notou o aumento dos clientes que recorreram ao pagamento electrónico.

Por sua vez, o “Rei da grelha” atraiu longas filas, mesmo debaixo de chuva. Wong, empregado da banca, indicou que o negócio foi semelhante à edição anterior, tendo sido vendidos mais de 200 fígados de pato grelhados por dia. Na sua opinião, graças ao pagamento electrónico, as filas andaram mais rápido.

 

Melhor entre piores

No último dia do Festival, a TRIBUNA DE MACAU falou ainda com Yu e Chan, turistas do Continente, que se estrearam no evento. “Em comparação com os festivais de gastronomia que já visitei, o de Macau é o melhor. Nos outros, as bancas de churrasco têm apenas lulas. Aqui há mais variedade”, referiu Chan.

Concordando com a jovem, Yu disse que gostaria de provar carne e marisco grelhados, mas não estava interessado em comida de outras regiões em destaque no festival.

“Na China Continental, mesmo os festivais de gastronomia de nível baixo conseguem atrair mais pessoas do que aqui, mas se calhar, foi por causa da chuva. No Continente, as pessoas compram comida em festivais do género sem usar dinheiro vivo e aqui conseguimos fazer o mesmo, o que é muito bom”, concluiu Yu.

Keong e Wong, alunas locais do ensino secundário, deixaram elogios ao Festival, porque oferecer gastronomia mais diversificada. Debaixo do guarda-chuva e a segurar um prato de salsichas, Wong sugeriu, entre sorrisos, que o recinto da próxima edição seja coberto para não se correr o risco da chuva quebrar o apetite.