Para a FAOM, quem propôs a importação de “croupiers” não teve em conta a realidade, mas apenas um estudo vago. Já Lionel Leong vincou que a promessa de não importação é uma posição “bem clara” e será mantido o apoio à progressão das carreiras desses trabalhadores

 

Rima Cui

 

O secretário-geral da Associação de Empregados das Empresas de Jogo, subordinada à Federação das Associações dos Operários (FAOM), manifestou-se contra o facto de alguns membros do Conselho para o Desenvolvimento Económico terem sugerido a importação de “croupiers” para responder à expansão do sector do jogo.

“Essas pessoas defendem tal ideia com base num certo estudo académico que foi superficial e não corresponde à realidade, pois há muitos locais interessados no trabalho de ‘croupier’. Não há essa necessidade. É impossível haver grande falta de empregados deste género de repente”, salientou Choi Kam Fu à TRIBUNA DE MACAU.

Segundo o mesmo responsável, a FAOM tem organizado vários cursos de formação para “croupier” e chefes de mesa de jogo, cujas vagas são todas preenchidas. Aliás, segundo frisou, há um grande grupo de pessoas disponível, mas que tem de aguardar por oportunidades de trabalho.

“Acho que nos próximos anos, os casinos vão disponibilizar apenas 10 a 20 vagas para ‘croupiers’ no máximo”, sublinhou.

Para além disso, Choi Kam Fu realçou que algumas operadoras dão oportunidade aos “croupiers” para mudarem para outros departamentos como hotelaria e restauração. Na sua opinião, isso prova que não haverá falta de “croupiers”.

“Esporadicamente surge um grupo a apelar ao Executivo para quebrar a sua promessa. Espero que o próximo Governo continue a respeitar o princípio de não importação de ‘croupiers’, chefes de mesa de jogo e até de condutores profissionais. A melhor solução passará por tornar a promessa em lei”, sustentou.

Na mesma linha, Wong Wai Hong, director de supervisão da “Power of the Macao Gaming Association”, considerou “irrazoável” a justificação dos membros do Conselho, também convicto de que não há falta de “croupiers”. “O futuro deve ser discutido quando a altura chegar, daqui a 10 anos. Agora não faz sentido falar disto”, ressalvou.

Na sua perspectiva, antes da renovação das licenças de jogo, não deveriam ser importados não residentes para cargos de direcção de nível médio e superior. “Em muitos desses cargos, há um envelhecimento dos trabalhadores. Se for permitida a importação de não residentes, o moral dos jovens da próxima geração será abalado, sobretudo os que vivem em famílias com má situação financeira e que assim esperam ocupar tais cargos para ter uma vida melhor”, defendeu.

Wong Wai Hong entende que é normal a questão voltar à ribalta, mas acredita que se a sugestão acabasse por ser aceite, provocaria uma “grande flutuação na relação entre as partes laboral e patronal”.

Por outro lado, o Secretário para a Economia e Finanças reiterou que o Governo está firme na manutenção da política de não importação de “croupiers”, sendo uma posição “bem clara”.

Lionel Leong afirmou que o Executivo tem impulsionado constantemente o desenvolvimento saudável do sector do jogo e continuará a fazê-lo, através do aperfeiçoamento da legislação, reforço da fiscalização e regulamentação do sector. Além disso, o Governo tem incentivado as concessionárias a oferecer mais acções de formação para trabalhadores locais, com vista a aumentar as suas capacidades para a promoção profissional e mobilidade horizontal.