No ano passado, os conflitos laborais foram mais graves do que em 2016, avisou a FAOM, salientando que tal se deve à degradação da situação de desemprego dos operários da construção, devido ao abrandamento no sector. Além disso, a Federação assegurou que alguns casinos obrigam funcionários a trabalhar em pé
Rima Cui
No ano transacto, a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) lidou com um total de 1.365 casos, envolvendo mais de 3.100 pessoas. Nesses casos, 356 estão relacionados com assuntos laborais e 919 pessoas pediram ajuda, indicou ontem a associação, alertando que as situações relacionadas com o sector da construção representam a maioria das disputas laborais.
“O abrandamento no sector da construção nos projectos de grande dimensão conduziu directamente ao agravamento do desemprego dos operários. Além disso, os
casos de conflitos laborais em 2017 foram mais graves do que no passado”, salientou Cheong Man Fun, director da Associação Geral dos Operários de Construção Civil.
Segundo os registos, cerca de 200 operários solicitaram ajuda à FAOM, indicou o representante, ao estimar que a taxa de desemprego no sector terá ultrapassou 0,3% no ano passado, embora as estatísticas oficiais apontem para 0,2%. “Aumentou também o número de operários a reivindicar indemnizações”, frisou.
Segundo o director, 755 empregados do sector de construção sofreram acidentes laborais no ano transacto e, em cinco casos, morreram seis pessoas.
Sobre estas situações, a associação instou o Governo a reforçar a sensibilização da segurança ocupacional junto dos operários.
Na conferência de imprensa sobre o balanço dos trabalhos da FAOM, esteve também Choi Kam Fu, secretário-geral da Associação de Empregados das Empresas de Jogo, que advertiu para problemas de segurança ocupacional nos casinos. Segundo disse, algumas operadoras de jogo obrigam os funcionários a trabalhar em pé ou a usar saltos altos. O responsável garantiu que a FAOM está a comunicar com as operadoras para tentar convencê-las a permitir que esses empregados se possam sentar.
Além disso, desde a implementação do salário mínimo, a FAOM descobriu que algumas empresas de seguranças de prédios exigem aos empregados locais que tirem férias sem pagamento. Em adição, quatro companhias de limpeza e segurança nunca deram recibos de salário aos funcionários.
Por outro lado, para a FAOM, o Governo nunca explicou claramente como irá implementar a política de reconhecimento mútuo das cartas de condução de veículos ligeiros com a China Continental, nem esclareceu como pretende combater os casos em que a medida é aproveitada para a contratação de condutores ilegais.
“Muitos trabalhadores estão preocupados com a situação, sobretudo o impacto que terá no trânsito e no trabalho ilegal. Esperam que as autoridades dêem à sociedade uma resposta mais directa, clara e detalhada”, afirmou Lee Chong Cheng, director da Comissão do Direito e Interesse da FAOM.



