Um grupo de moradores do Edifício Ip Heng, de habitação económica, entregou ontem duas cartas, ao CCAC e ao Chefe do Executivo, manifestando descontentamento pela falta de qualidade da construção do prédio. Porém, o Secretário Raimundo do Rosário sublinhou que o problema em causa é semelhante a questões envolvendo os prédios em geral e não apenas a habitação pública

 

Viviana Chan

 

Problemas de falta de qualidade na construção de fracções públicas em Macau, sobretudo nos azulejos que caem, levaram um grupo de moradores da habitação económica do Edifício Ip Heng em Seac Pai Van a apresentar uma queixa junto ao Comissariado contra a Corrupção (CCAC).

Os queixosos solicitaram uma investigação sobre o processo de inspecção aos edifícios quando passam dos construtores para o Governo, por suspeitarem de abusos de poder e falhas no procedimento de construção envolvendo projectos da habitação pública. A mesma carta foi também enviada ao Chefe do Executivo, reclamando o apuramento das devidas responsabilidades.

No entanto, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas já ressalvou que a queda de azulejos no Edifício Ip Heng não é um caso individual, porque pode acontecer o mesmo em habitações privadas. Portanto, não se deve exagerar, referiu Raimundo do Rosário.

De acordo com o jornal “Ou Mun”, o Secretário disse ainda que “quando se compra um carro, este não irá funcionar sempre bem”. “É como uma pessoa, quando chega a uma certa idade pode ter problemas”, exemplificou.

Perante as dúvidas sobre o processo de vistoria, Raimundo do Rosário explicou que o edifício tem um prazo de dois anos de garantia de qualidade, mas depois desse período, os proprietários têm de assumir as responsabilidades de manutenção.

A carta destinada ao Comissário Contra a Corrupção, André Cheong, refere que os moradores mudaram para o Edifício Ip Heng há seis anos, tendo-se deparado com a queda de azulejos em mais de 90 locais dos 10 blocos. O representante dos condóminos do Bloco I, Tu Peng Weng, realçou que os agregados familiares de habitação económica têm capacidades financeiras limitadas e, apesar de esperarem muitos anos para conseguir receber uma casa, ainda investiram muito dinheiro na compra.

Durante um fórum organizado pela Aliança de Instituição do Povo de Macau, Tu Peng Weng referiu que o Governo parece ter passado a bola aos proprietários. “Porque é que os compradores têm de aguentar as consequências dos problemas de qualidade da construção?”, questionou.

Tu Peng Weng acusou ainda a Administração de trabalhar de forma muito burocrática e frisou que os moradores estão sempre preocupados. “Esperamos que o Governo não fuja das responsabilidades, deve ter uma atitude séria”, salientou.

No mesmo evento, o presidente da associação organizadora recordou que a queda de azulejos da parede exterior em Seac Pai Van causou ferimentos a uma trabalhadora de limpeza. Para Nick Lei, as autoridades não devem continuar a ignorar este problema.

Na sua observação, o caso do Edifício Ip Heng “não é individual”, uma vez que “o mesmo problema tem-se repetido nos últimos anos e pode afectar muitas famílias”. Nesse contexto, “o Executivo deve tomar medidas para evitar que volte a acontecer, como por exemplo, prolongar o prazo de garantia de qualidade das obras públicas”, disse.

Já Wong Fei Si, engenheiro e vice-presidente da Usina de Ideias das Cidadãos Unidos, advertiu que, devido à falta de critérios uniformizados para a inspecção dos edifícios, há o risco de serem adoptadas estratégias diferentes no trabalho, além de que o resultado também está dependente da qualidade dos engenheiros. Assim, defendeu que pelo menos as Obras Públicas devem possuir critérios uniformes de inspecção.

 

Administração recua e substitui apenas 100 portões corta-fogo

O número de portões corta-fogo que deverão ser trocadas passou de 269 para 100, no Edifício do Bairro da Ilha Verde. A decisão foi tomada após uma reunião interdepartamental. De acordo com o Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) irá substituir 100 portões rolantes corta-fogo que têm função de isolamento entre compartimentações do auto-silo público na cave. Os 14 portões corta-fogo do pódio serão substituídos por paredes de alvenaria com câmaras corta-fogo para efeito de separação entre compartimentações. Em relação aos restantes 155, segundo o parecer técnico emitido pelo Corpo dos Bombeiros e Direcção dos Serviços de solos, Obras Públicas e Transportes, os portões rolantes não necessitam de estar equipados com a função de isolamento do calor, pelo que poderão ser mantidos. Estes situam-se nos acessos às escadas de emergência e átrio de elevadores do auto-silo.