A Caritas Macau sente falta de pessoal para enfrentar os futuros desafios e garantir a expansão dos serviços de apoio social, lamentou Paul Pun, em entrevista à Lusa
A falta de pessoal “é um grande desafio”, admitiu o secretário-geral da Caritas, sublinhando que a maior carência é ao nível do pessoal médico, nomeadamente de enfermeiras, pelo que a instituição não pode expandir os seus serviços. “Precisamos de quem se dedique a servir as pessoas no âmbito da missão da Caritas, seja remunerada ou em regime de voluntariado”, acrescentou o responsável da instituição desde 1991, primeiro enquanto assistente do director, depois como secretário-geral.
Paul Pum explicou que, por isso, a Cáritas já fez um apelo à comunidade das enfermeiros “para que se voluntariassem ou fizessem parte do pessoal em regime parcial”.
O secretário-geral explicou que a expansão dos serviços passa não só pela admissão de mais utentes, mas em reforçar a resposta aos que já se encontram na instituição, com um foco, por exemplo, nos mais idosos e nos que sentem constrangimentos na mobilidade.
“O envelhecimento da população é uma realidade, mas não temos tempo para nos preocuparmos, temos de nos preparar e ensinar a nova geração a cuidar dos mais velhos, como o estamos a fazer”, frisou.
Por outro lado, se no passado a Cáritas era maioritariamente constituída por portugueses e chineses e respondia às suas necessidades, “agora há que contar com os migrantes, porque há cerca de 190 mil em Macau”, observou.
Com um orçamento anual na ordem dos 400 milhões de patacas, a instituição conta com 1.300 colaboradores. Destes, 90 são enfermeiros, 200 assistentes sociais, sete médicos e 20 têm funções como fisioterapeutas, terapeutas da fala e ocupacionais.
Dos utentes, cerca de 800 são idosos que se encontram em lares e 500 pessoas portadores de deficiências, sendo proporcionados cuidados ao domicílio a mais de 200 pessoas. Outros 600 idosos que vivem sozinhos, que mantém alguma autonomia, são apoiados pela instituição, que providencia ainda um serviço de refeições ao domicílio a 500 pessoas na Taipa, Coloane e na zona norte da cidade.
Na entrevista à Lusa, o secretário-geral da Caritas disse ainda que a riqueza está mal distribuída em Macau. “Somos muitos ricos ‘per capita’ mas a riqueza não está distribuída de acordo com o nosso desenvolvimento”, lamentou, notando que “o Governo aumentou em 14 vezes, desde 1999, [a despesa] na área social, mas o preço da habitação cresceu 21 vezes”. Ou seja, “não se conseguiu acompanhar a inflação, por isso não conseguimos alcançar o progresso”.
Contudo, ressalvou, “hoje temos menos gente pobre porque com as políticas do Governo tem-se feito um esforço imenso para reduzir a pobreza e aqueles que têm menores rendimentos, e não apenas aqueles que mal podem sobreviver”. Isto porque, explicou, “foram estendidos os limites a quem poderia beneficiar de apoio e hoje mais pessoas podem ser ajudadas”.
JTM com Lusa



