A necessidade de mais lugares de estacionamento foi defendida por vários deputados. Raimundo do Rosário admitiu que o problema não será resolvido em certas zonas e lamentou a falta de recursos humanos para o desenvolvimento de mais projectos

 

Salomé Fernandes

 

A falta de estacionamento no território foi dos temas que mais reacções geraram entre os deputados no debate de ontem das Linhas de Acção Governativa, frisando a necessidade do Executivo encontrar soluções.

Leong Sun Iok sugeriu a disponibilização de parques de estacionamento nos terrenos reavidos pelo Governo, ou a alteração de leis para que a reconstrução de edifícios antigos possibilite a construção deste tipo de espaços. Já Sulu Sou, defendeu o controlo do aumento da taxa de viaturas no território, notando que “os cidadãos precisam de espaço para os seus veículos”. Questionou assim quais as medidas para aumentar os lugares de estacionamento e a aposta em parques automáticos para alargar o horário de estacionamento durante o período diurno.

O Secretário comentou que “não basta uma ou duas medidas para resolver tudo, mas já fizemos algo, por exemplo o controlo do número de veículos”. Além de considerar que “as pessoas não vêem porque são medidas de pequena dimensão”, apontou que o problema se centra no rápido desenvolvimento da sociedade.

Como exemplo de mudanças, apontou para a redução de 206 viaturas para 180 na sua tutela desde que assumiu o cargo. “Quando tomei posse os lugares de estacionamento dos serviços públicos ocupavam 34 lugares, agora são 17. Sei que é uma gota de água no oceano, mas fazemos trabalho e damos importância”, indicou.

“A sua pasta produziu um efeito de liderança e libertou alguns lugares de estacionamento, espaços para automóveis ligeiros e de motas e tornou mais transparente informações em relação à sua pasta”, elogiou Wong Kit Cheng.

Ainda assim, as dificuldades deverão manter-se. “Há zonas com falta de lugares de estacionamento em que não conseguimos de certeza resolver o problema. Da Avenida Almeida Ribeiro para o Mercado Vermelho nem um terreno [consigo encontrar]. Vamos tentar criar mais em zonas onde há terrenos”, advertiu o Secretário.

Os 130 mil lugares de estacionamento para 116 mil automóveis revelam-se insuficientes, já que as pessoas “precisam de lugares para trabalhar e para quando vão a casa”, reconheceu o dirigente. A agravar a situação encontram-se os veículos pesados, tendo José Chui Sai Peng questionado como é que as pessoas podem cumprir a lei se não existem lugares de estacionamento suficientes.

Chang Hong sugeriu a construção de auto-silos em forma de armazém, considerando que poderá haver falta de conhecimento desta modalidade mas apontando ser comum entre outros países e regiões. “Concordo com os auto-silos tipo armazém mas não sei se consigo fazer todo esse trabalho. Nos últimos anos tive 3.400 trabalhadores, nem consigo repor os efectivos. Tenho orçamento para 3.600 trabalhadores mas não consigo contratar. Concordo com esse auto-silo mas não sei se o consigo fazer”, respondeu Raimundo do Rosário.

A falta de mão-de-obra especializada foi, de resto, uma das preocupações manifestadas pelo Secretário durante o debate. “Os interessados são só alguns, esta é a realidade. Não consigo repor os que saíram”, lamentou, indicando que actualmente conta apenas com 3.385 funcionários.