Muitos cidadãos não sabem fazer a manutenção e tratar as canalizações, chegando mesmo a colocar pelas sanitas óleos alimentares e resíduos das obras, alertou o IACM, notando que isso dificulta o seu trabalho e leva a casos como o do recente rebentamento de um cano de esgoto

 

Rima Cui

 

O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) detecta entre 70 a 80 infracções por ano nas acções de inspecção aos interceptadores de óleo dos restaurantes, o que também aumentou a pressão sobre os fiscais, disse ontem Ho Man Him, chefe dos Serviços de Saneamento, Vias e Manutenção Urbana do organismo.

Por sua vez, Mak Kim Meng, membro do Conselho de Administração do IACM, alertou que canais entupidos por óleo e resíduos são situações comum em Macau, porque os cidadãos não sabem usar nem manter a canalização em bom estado. “É frequente encontrar situações em que, depois de obras de decoração da casa, operários deitam águas residuais dos baldes de óleo e tinta pela sanita. Até as ferramentas de limpeza atiram directamente pelas sanitas, entupindo a canalização comum do prédio”, advertiu, criticando também as ligações erradas entre os canais de águas residuais e de água limpa.

A canalização da cidade e dos prédios esteve em discussão no  programa matutino do “Ou Mun Tin Toi”, depois do rebentamento de um cano de esgoto na semana passada, que levou ao fecho da estrada.

Chan Peng Hong, vice-presidente da Associação de Beneficência e Assistência Mútua dos Moradores do Bairro O Tai, reconheceu que os cidadãos têm pouca consciência dos cuidados a ter com a canalização dos edifícios, agindo apenas quando acontece algum problema. Lembrou mesmo um caso em que a associação recebeu queixas sobre problemas do género, no entanto, como alguns proprietários não queriam reparar tiveram de negociar com os moradores.

“Caso o problema seja grave, o custo para desentupir a canalização será muito elevado e cada proprietário pode ter de pagar 2.000 a 3.000 patacas”, sublinhou Chan Peng Hong, apelando ao Instituto de Habitação para financiar o desentupimento.

Além disso, um ouvinte queixou-se dos serviços pouco satisfatórios de operários da canalização, tendo Mak Kim Meng referido que estes trabalhadores têm uma idade média de 58 anos e é difícil contratar operários novos. Por isso, o IACM está a tentar adjudicar o trabalho a empresas exteriores.