Entre 2013 e 2018, foram atribuídos 312 milhões ao abrigo do Plano de Apoio a Jovens Empreendedores, sendo que dos 1.339 casos de apoio, 204 acabaram em falência. Para Lionel Leong, a integração dos jovens na Grande Baía é uma “oportunidade excelente” para encontrar e montar negócios ou simplesmente aprender a enfrentar o mundo competitivo. Nesse sentido, tranquilizou os deputados, frisando que a economia de Macau continua a florescer, pelo que esses jovens regressarão ao território

 

Liane Ferreira
Tai Kin Ip, director dos Serviços de Economia, revelou ontem que, entre 2013 e 2018, o Plano de Apoio a Jovens Empreendedores recebeu 1.813 pedidos, dos quais 1.339 foram aprovados. Deste modo, os empreendedores locais receberam mais de 312 milhões de patacas em apoios, no entanto, 204 negócios acabaram por falir. O director salientou que apenas 20% dos empréstimos continuam por saldar.

Na sessão da Assembleia Legislativa dedicada às Linhas de Acção Governativa – cujos trabalhos foram conduzidos pelo vice-presidente Chui Sai Cheong devido à ausência de Ho Iat Seng – Tai Kin Ip explicou que a maioria dos empréstimos sem juros envolve negócios de venda a retalho, seguido da restauração, consultadoria e reparações. “Há diferentes tendências hoje em dia e alguns já procuram negócios relacionados com saúde e formação. Antigamente estes sectores eram 3% e agora são 10,5%”, disse, notando que os candidatos têm de fazer um curso de formação sobre gestão de empresas ou então já têm de ser formados nessa área.

O tema foi levantado pelo deputado Lei Chan U, que pediu um balanço sobre o plano e questionou se seria alvo de alguma alteração de rumo.

Por sua vez, Leung Sun Iok focou-se na questão do apoio aos jovens para integração da Grande Baía, que de resto é uma das linhas orientadores da tutela.

“Achamos que é uma oportunidade excelente para encontrarem e montarem negócios ou apreenderem conhecimentos diversos. Deste modo podem ficar mais bem preparados, promovendo a própria competitividade”, salientou o Secretário Lionel Leong. Acrescentando que os jovens estarão a integrar o desenvolvimento estratégico, sustentou que irão progressivamente obter conhecimento e clientela para desenvolver uma área específica, pelo que o Executivo procura resultados multifacetados.

Para acalmar preocupações quanto à fuga de quadros locais, o Secretário para a Economia e Finanças, salientou: “Não têm de se preocupar porque a economia floresce, podemos continuar a dar bons horizontes aos jovens, que não hesitarão em voltar”.

Respondendo às questões relacionadas com a entrada das PME locais na Grande Baía, Lionel Leong salientou que tal está relacionado com as “startups” e a possibilidade dos jovens estenderem o seu negócio nessa região. Mas, por ser necessário conhecer as regras do jogo, será lançado o “Programa de permuta de serviços de consultadoria profissional”, oferecendo esses serviços “in loco” nas áreas legais e de contabilidade.

Em Cantão, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) vai elevar a qualidade dos serviços para atrair investidores da China para que possam tratar dos procedimentos nesse gabinete, mesmo antes de virem para Macau, poupando-se tempo. Além disso, esse gabinete ajudará residentes e empresas locais nessa região em matérias como a vida quotidiana, trabalho e negócios.

No seu discurso, Lionel Leong referiu que, de acordo com o planeamento pré-definido, a construção da Grande Baía inclui estudos sobre o sector industrial, criação de um mecanismo de ligação e cooperação nas áreas económica, comercial e inovação e empreendedorismo juvenil, organização de visitas de estudo destinadas a empresários e jovens, prestação de apoio aos jovens na procura de estágios e emprego nessa região.

Em simultâneo, será prestado apoio aos jovens de Macau e da Grande Baía na deslocação a países de língua portuguesa, nomeadamente a Portugal, para criação e incubação de negócios, por forma a fomentar o intercâmbio e dinamizar a inovação juvenil.