A indústria dos panchões serve de inspiração a uma exposição que abre hoje ao público no “Taipa Village Art Space”, com aguarelas de Lio Man Cheong

 

A exposição “Indústria dos Panchões de Macau”, do pintor Lio Man Cheong, será inaugurada hoje às 18:30h, no “Taipa Village Art Space”. O número 10 da Rua dos Clérigos vai acolher trabalhos ainda não vistos do artista, retratando o desenvolvimento da indústria dos panchões, desde o final do século 19 ao início do século 20, período após o qual a actividade entrou em declínio.

A série de trabalhos inclui a técnica de marca do autor, as aguarelas, que Lio Man Cheong usa para narrar visualmente a linha de produção dos panchões e o modo de vida que rodeava a actividade. “Esta exposição tem um significado especial para a vila da Taipa e os seus residentes, visto que é uma encenação de uma era e um fenómeno particular. Lembra-nos das suas ricas tradições e presta tributo aos antecessores”, indicou o curador João Ó, na página electrónica do evento, organizado pela Associação Cultural da Vila da Taipa.

O tema das aguarelas baseia-se na história da linha de produção dos panchões. O processo tinha 16 fases representadas por Lio Man Cheong, acompanhadas do seu contexto de condições precárias e humildes, em que jovens mulheres e crianças trabalhavam com material explosivo para ajudar as famílias.

A indústria dos panchões assumiu um papel relevante em Macau, juntamente com a construção naval, incenso e fósforos. “As seis maiores fábricas de fogos de artifício eram a Kuong Heng Tai, Iec Long, Ele Yuen, Kwong Yuen, Ele Filho e Po Sing, todas fundadas e que prosperaram entre 1923 e 1960 na Taipa. Com o advento do fabrico de plástico e vestuário na década de 1960, a indústria de artesanato local não conseguiu competir com rivais chineses de preços mais baixos e enfraqueceu no final dos anos 70”, recorda João Ó.

Nas obras de Lio Man Cheong, “luz e cor exercem um diálogo de cortesia, um jogo em que a testemunha do papel se revela enquanto elemento de ligação, tal como as pausas de silêncio numa conversa entre amigos são a extensão do seu respeito mútuo”, avalia o curador.

Nascido em 1951 em Zhuhai, Lio Man Cheong é vice-presidente na Sociedade de Artistas de Macau, tendo-se especializado em aguarela e pintura a óleo. Desde 1970 participa regularmente em actividades artísticas e exposições colectivas organizadas pelo Instituto Cultural e Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. A mostra ficará patente até 5 de Outubro.

 

S.F.