A Casa Garden vai expôr os trabalhos vencedores da edição do concurso World Press Photo 2018 entre 28 de Setembro e 21 de Outubro, que conecta o mundo a temas de relevo através da imagem

 

Salomé Fernandes

 

A mostra dos vencedores do World Press Photo (WPF) regressa à Casa Garden já no próximo mês. A exposição dos trabalhos da edição deste ano do concurso estará patente ao público entre os dias 28 de Setembro e 21 de Outubro, encerrando às segundas-feiras.

Os trabalhos voltam a não passar por Hong Kong, mas a organização, que continua a cargo da Casa de Portugal, foi contactada para colaborar com a região vizinha em edições futuras. No entanto, Taiwan vai também receber a exposição um mês depois de passar por Macau.

“O melhor jornalismo visual não é de alguma coisa, é sobre alguma coisa. Deve importar às pessoas a quem se dirige. (…) O óptimo trabalho desta edição do nosso concurso ajuda a cumprir o seu objectivo: conectar o mundo às histórias que são importantes”, comunicou Lars Boering, director da fundação World Press Photo.

Com máscara de oxigénio a cobrir-lhe a cara, um homem movimenta-se junto a uma parede de tijolos, envolto em chamas. Encontrava-se num protesto na Venezuela quando uma mota da Guarda Nacional explodiu e ficou no chão, a arder, rodeada de jovens. Um dos protestantes acertou no tanque, gerando nova explosão e José Victor Salazar Balza, de 28 anos, pegou fogo.

A fotografia do ano é da autoria de Ronaldo Schemidt, da Agence-France Presse e foi tirada aquando de motins com a polícia durante um protesto contra o presidente Venezuelano Nicolás Maduro, em Caracas. Intitula-se “Crise da Venezuela”. Mas não é a única a chocar, com temas como os refugiados Rohingya ou o uso de jovens em missões suicidas por grupos extremistas a integrarem o grupo de fotografias premiadas.

Este ano participaram 4.548 fotógrafos de 125 países, tendo sido submetidas mais de 73 mil imagens a concurso. Dos 42 nomeados nas oito categorias, 15 já ganharam o prémio anteriormente, enquanto 27 receberam o reconhecimento pela primeira vez.

A fundação WPF tomou este ano uma posição sobre discriminação, quando no seguimento de revelações de casos de assédio sexual no fotojornalismo, Lars Boering condenou esse tipo de condutas, apelando a que os profissionais da área “trabalhem juntos para apoiar quem tem coragem de denunciar discriminação e assédio” de forma a criar um “ambiente seguro onde ninguém sofre retaliação por fazer o que é certo”.