Obras de arte de três coleccionadores locais vão estar expostas a partir de 4 de Março na galeria da Associação Cultural da Vila da taipa. José Isaac Duarte, Luís Pessanha e Chao Iok Leng integram a quarta edição de “Show-Off 4.0”, apresentando uma selecção de peças adquiridas ao longo dos anos

 

Uma selecção de obras adquiridas ao longo dos anos, ou décadas, por três coleccionadores locais, incluindo o economista José Isaac Duarte, o consultor jurídico Luís Pessanha e a artista Chao Iok Leng vai ser inaugurada no dia 4 de Março, pelas 18h30, na galeria da Associação Cultural da Vila da Taipa.

A exposição, quarta edição da série “Show-Off 4.0”, apresentará mais de 10 obras de arte, incluindo pinturas, fotografias, placas de lojas chinesas e outros objectos pessoais dos três entusiastas de antiguidades, numa exibição invulgar, que, segundo a curadoria do evento, “procura abordar a natureza do coleccionismo e estimular uma conversa visual sobre os bens culturais de indivíduos com interesses muito específicos e altamente pessoais”.

Os três coleccionadores partilham as suas reflexões sobre as razões do acervo de obras de arte e a importância deste hábito de longa data. “Ao revelar as suas obras de arte preferidas que adornam o seu espaço mais íntimo – as suas casas -, a exposição desvenda algumas ideias sobre o coleccionismo de arte”, salienta a associação.

Ao mesmo tempo, acrescenta a nota introdutória, “a mostra visa promover o coleccionismo como um bem cultural que começa com a iniciativa de um indivíduo, mas que pode levar a um sentido mais amplo de riqueza partilhada, uma sociedade saudável, diversificação da economia local (comércio de arte em geral) e o fomento de talentos locais e internacionais”.

João Ó, o curador, refere que “coleccionar é um instinto humano básico para a sobrevivência e, quando passámos de uma espécie nómada para uma sedentária, começámos a coleccionar não só alimentos, mas também utensílios, o que inspirou outras formas de registo, como pinturas nas paredes das cavernas”.

As três colecções não poderiam ser mais diferentes e, “assim como três mentes têm as suas próprias opiniões sobre o mesmo assunto, cada colecção reflecte uma faceta da personalidade do coleccionador”, menciona.

Para esta exposição, Chao Iok Leng, actualmente vice-presidente da Associação de Caligrafia e Pintura Yi Un de Macau, apresenta duas das placas com o nome das suas antigas lojas, entre outros objectos pessoais, guardadas “com muito orgulho e profundo apego emocional”.

Historicamente, as placas com o nome das lojas chinesas (zhāopái) têm uma longa tradição cultural e já foram uma característica marcante da paisagem urbana chinesa. “Eram mais do que meras placas de identificação – funcionavam como capital cultural, comunicavam aspirações, simbolizavam o reconhecimento da comunidade e, hoje, podem ser entendidas como objectos do património cultural”, diz João Ó.

José Isaac Duarte, professor universitário de Economia, centrou a sua colecção de arte nos países de língua portuguesa e, nesta ocasião, deu especial destaque aos artistas de Moçambique. Entre eles, um dos mais proeminentes é Malangatana Valente Ngwenya, amplamente considerado um dos autores modernos mais importantes daquele país e uma figura de destaque na arte africana do século XX.

Ao longo da última década, Luís Pessanha e José Isaac Duarte têm-se dedicado activamente à aquisição de obras de arte, tanto a nível local como internacional. A sua colecção tem vindo a expandir-se e a evoluir gradualmente, moldando cada vez mais o carácter do seu espaço de vida, onde a acumulação de obras se estende agora pelas paredes e em direcção ao tecto, “reflectindo a profundidade do seu compromisso com a arte”.

Uma casa que alberga uma colecção de arte “tem um significado maior do que um apartamento definido por paredes brancas e vazias”, assinala o curador da mostra.

Luís Pessanha é advogado e investigador que exerce funções como consultor jurídico da Assembleia Legislativa e professor a tempo parcial na Faculdade de Direito da Universidade de Macau. Para além da sua carreira jurídica, é um apaixonado pelas artes plásticas. Filho da pintora portuguesa Ana Pessanha, mergulhou no mundo artístico desde muito jovem.

A exposição, que tem o patrocínio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura, ficará patente até 15 de Maio, com horário de abertura de segunda-feira a domingo, entre as 12h00 e as 20h00.

 

V.R.