As autoridades de Macau consideram ser “necessária” a abertura de pólos universitários em Hengqin por parte de instituições de ensino superior locais. No entanto, Pequim ainda não deu “luz verde” a essa hipótese, disse Ho Iat Seng
O Chefe do Executivo reconheceu ontem que a expansão de instituições de ensino superior de Macau para a Zona de Cooperação Aprofundada é algo “necessário”, porque o desenvolvimento de Hengqin requer o suporte da ciência e tecnologia.
“Há esta intenção, mas ainda não recebemos a aprovação [do Governo Central]. Por isso, não se pode dizer agora quais serão os cursos ministrados em Hengqin”, afirmou Ho Iat Seng, acrescentando que também dará as boas-vindas a instituições privadas do ensino superior se quiserem explorar esse campo.
Contudo, em resposta a uma pergunta do deputado Pang Chuan sobre as Linhas de Acção Governativa, o Chefe do Executivo advertiu que as instituições locais devem aumentar, antes de mais, o pessoal docente. Segundo realçou, há uma universidade com um rácio médio de um professor para 26 estudantes, o dobro do rácio das escolas primárias. “Normalmente, o rácio deve ser 1:18, pelo que espero que as universidades reforcem a contratação de docentes. O rácio de 1:26 é muito insatisfatório e representa uma disparidade com o Interior da China”, salientou.
Além disso, observou que, entre 2021 e 2023, a Universidade de Macau, a Politécnica e a Universidade de Ciência e Tecnologia obtiveram 115, sete e 49 patentes, respectivamente, em áreas como a ciência e tecnologia e a medicina tradicional chinesa. Segundo o líder da RAEM, o Governo tem estudado medidas para essas patentes serem transformadas em indústrias ou produtos na Costa Oeste da Grande Baía.
Durante a sessão na Assembleia Legislativa, destacou também que várias universidades lançaram cursos sobre inteligência artificial e as escolas secundárias e primárias também dão importância à respectiva formação. Ho Iat Seng espera que as instituições de ensino superior possam lançar “cursos anti-burla com recurso à inteligência artificial”, mas reconheceu “grandes desafios”. Neste aspecto, garantiu ainda que o Governo irá estudar apoios para que as pequenas e médias empresas reforcem a cibersegurança, por exemplo, uma orientação profissional.
Noutro âmbito, o Chefe do Executivo reiterou que a Lei de Educação Patriótica da China servirá como base para a RAEM melhorar os trabalhos nesta vertente. “Podemos absorver a essência do Amor pela Pátria e por Macau e fazer um bom trabalho neste aspecto nas nossas actividades e pensamento… Espero que as grandes associações locais possam fazer melhor trabalho nesta área. As escolas e as universidades têm também a responsabilidade e a obrigação de fazer bem esse trabalho, para darmos continuidade a esta boa tradição”, realçou Ho Iat Seng.
Por outro lado, revelou que o Governo “estudará a relação entre os espaços de exposição existentes e o turismo, avaliará as margens de optimização desses espaços, e discutirá como adicionar elementos para enriquecer as exposições”.
Alargado subsídio para atletas de elite
O plano de subsídios para o treino de atletas de elite será alargado, através da actualização das categorias de competições reconhecidas e da expansão do âmbito do apoio. O Governo pretende assim reforçar o apoio aos jovens atletas e incentivar a transição do treino amador para a profissionalização, adiantou o Chefe do Executivo, em resposta a Angela Leong. Segundo revelou, o Instituto do Desporto está a estudar a cooperação com outras instituições para proporcionar apoio aos atletas na formação contínua e no planeamento da carreira.



