Alexis Tam advertiu que, caso se confirme a existência de violações à Lei de Salvaguarda do Património Cultural, terão de ser exigidas responsabilidades. O Secretário referia-se ao caso que motivou a suspensão das obras no Templo de Kun Iam Tong pelo Instituto Cultural, que se encontra agora a analisar a proposta de reparação. No entanto, a vice-presidente do organismo indicou que os procedimentos não deverão ser concluídos antes do Ano Novo Chinês
Rima Cui
Face à suspensão das obras no Templo de Kun Iam Tong, pelo facto dos trabalhos terem avançado sem o parecer do Instituto Cultural (IC), o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura salientou que valoriza muito a protecção do património cultural de Macau e as políticas nesse domínio, pelo que, caso quaisquer templos, associações ou empresas violem a Lei de Salvaguarda do Património Cultural, serão exigidas as devidas responsabilidades.
Garantindo que o IC executa a lei de forma rigorosa, Alexis Tam pediu aos responsáveis do templo para compreenderem a importância da situação.
Por sua vez, a vice-presidente do IC referiu que o organismo está a analisar activamente o plano de reparação entregue pela administração do templo, explicando que procurará sobretudo apurar se houve ou não violações à lei. Caso se confirme qualquer irregularidade, o IC irá “acelerar os procedimentos”, frisou Leong Wai Man, ressalvando que nesse caso os procedimentos do caso poderão não ficar concluídos antes do Ano Novo Chinês.
Segundo o jornal “Ou Mun”, a mesma responsável assegurou ainda que, quando houver uma conclusão sobre este caso, será imediatamente divulgada ao público.
De acordo com a lei, quaisquer tipos de obras em edifícios ou sítios classificados carecem de pareceres do IC, pelo que os projectos só poderão avançar só depois de ser concedida uma autorização oficial, destacou Leong Wai Man, ao sublinhar que as obras não podem prejudicar o valor intrínseco da construção patrimonial.
Caso a cor da parede tenha sido alterada, terá de ser repintada na cor original, e além disso, o estilo da construção não pode ser alterado “à vontade”, exemplificou.
Por outro lado, ouviram-se queixas de moradores por terem sido colocadas as placas de madeira do templo no chão e devido ao alegado tratamento desadequado desses materiais. Sobre este ponto, Shi Jie Sheng, mestre do templo em causa e presidente da Associação Budista Geral de Macau, assegurou que, ao longo do meio ano da sua gestão do espaço religioso, respeitou os recursos e sustentou que a polémica não passa de um “mal-entendido”.
Em 2008, Shi Jie Sheng propôs a reconstrução do Templo Kun Tak Lam. Apesar de ter pequena dimensão, o templo possui um importante valor histórico no desenvolvimento de Budismo local e na educação budista, junto das mulheres. A ideia do mestre era reconstruir o templo como um centro de Budismo moderno com funções religiosas, culturais e turísticas, com sete pisos.
Segundo o “All About Macau”, na altura, Shi Jie Sheng apelou à sociedade para doar dinheiro para ajudar os responsáveis do templo a reunirem verbas entre 80 milhões e 100 milhões de patacas para cobrir o custo das obras. Depois da divulgação dessa intenção, surgiram na sociedade muitas vozes opostas, sendo que posteriormente o IC e a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes não autorizaram o pedido para esse “centro budista moderno”.



