A taxa de obesidade tem aumentado em Macau e, embora continue a ser inferior à de países mais desenvolvidos, o Serviços de Saúde concluíram que muitos residentes sentem dificuldades ao nível do controlo do peso. Um inquérito do organismo abordou as quatro doenças crónicas como maior incidência no território, como a hipertensão e diabetes

 

Viviana Chan

 

Os Serviços de Saúde (SSM) divulgaram ontem os resultados do Inquérito sobre a Saúde de Macau relativo ao ano passado, o primeiro desde 2006. Um dos principais indicadores do estudo mostra que 30,6% dos inquiridos têm problemas de excesso de peso e obesidade, algo que afecta sobretudo os indivíduos do sexo masculino. De acordo com os dados, 34% da população masculina do território tem peso a mais.

Uma técnica superior assessora do Núcleo de Prevenção de Doenças Infecciosas e Vigilância de Doença apontou que “a população é fraca ao nível do controlo do peso”. “Temos perguntado quais são os métodos que as pessoas usam para controlar o peso porque os inquiridos podem ter conhecimentos errados. Por exemplo, as pessoas podem pôr menos sal na comida, mas mais condimentos”, indicou.

Sem revelar uma taxa de excesso de peso e obesidade, Fong Ut Wa sublinhou que, em comparação com 2006, a população tem engordado. Utilizando critérios propostos por outros países e regiões asiáticas, estima-se que 21,3% dos cidadãos de Macau estejam numa situação crítica ao nível do excesso de peso.

A coordenadora do Núcleo de Prevenção de Doenças Crónicas e Promoção de Saúde, Chan Tan Mui, salientou que a obesidade é um problema cada vez mais grave nos países desenvolvidos. “O desenvolvimento económico afecta os hábitos alimentares. Ao mesmo tempo, as pessoas mexem-se menos e isso agrava o problema”, disse.

Para a mesma responsável, a taxa de excesso de peso em Macau continua a estar num nível relativamente baixo face ao países europeus e americanos. Ainda assim, os SSM sugerem 150 minutos de exercícios aeróbicos de intensidade moderada ou um mínimo de 75 minutos de exercício de alta intensidade por semana. No entanto, 18,5% dos residentes com 18 ou mais anos não praticam actividade física suficiente.

O inquérito faz também referência aos hábitos alimentares, indicando que 40,9% dos inquiridos ingerem menos de 400 gramas de legumes e frutas por dia. Já ao nível do consumo de carne vermelha, 34,7% consomem demasiada. De um modo geral, os indivíduos do sexo masculino e os jovens consomem menos vegetais e frutas e mais carne do que os do sexo feminino.

Para além disso, tendo em conta apenas o sal incluído nos condimentos, 38,4% dos residentes evidenciam um consumo excessivo de sal per capita no agregado familiar, estimando-se que cada indivíduo consuma cinco gramas por dia.

 

Menos pessoas a fumar

Por outro lado, a taxa de tabagismo caiu de 23,1% para 16,6% na última década. Ainda assim, Chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doença, Lam Chong ressalvou que se tem mantido estável nos últimos anos. A taxa de consumo de tabaco variou entre 16% e 17,3% entre 2008 e 2011.

Embora reconhecendo que os fumadores raramente desistem do hábito, Lam Chong salientou que a entrada em vigor do Regime de Prevenção e Controlo do Tabagismo teve um efeito positivo na saúde. De acordo com os mesmos dados, 30,6% dos indivíduos do sexo masculino e 4,4% do feminino são fumadores.

O inquérito também não deixou de fora as principais doenças que afectam a população, como a hipertensão, diabetes e a dislipidémia. A prevalência da hipertensão nos adultos é de 25,5%, menos 3,3% que em 2006. Nos jovens com idades entre os 18 e os 29 anos, 7,2% dos homens são hipertensos contra apenas 1,9% das mulheres. Na faixa etária superior a 75 anos, a prevalência da hipertensão é muito maior, atingindo 81,2% dos residentes.

Lam Chong apontou que a incidência dos casos de hipertensão em adultos se mantém, ainda assim, inferior ao Interior da China, EUA e Alemanha, ultrapassando apenas o Canadá.

Os dados mostram também que a taxa de incidência da diabetes é inferior à média internacional – que atinge 9,8% dos homens e 9,2% das mulheres – afectando 7,1% da população. Em termos regionais, a RAEM está melhor que o Interior da China mas pior do que o Japão.

De um modo geral, na pergunta referente à consciência que os inquiridos têm sobre a própria saúde, 26,5% dizem sentir-se “bem” ou “muito bem”, 63,8% “normais” e apenas 9,6% consideram que estão “mal” ou “muito mal”. Este último grupo é constituído essencialmente por idosas.

O Chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças referiu ontem que o inquérito foi criado com o intuito de determinar as áreas prioritárias de prevenção e controlo das doenças, além de proporcionar uma base científica para as estratégias e medidas do Executivo.

Estes números resultam de um inquérito a 2.802 residentes de 1.963 agregados familiares, incluindo chineses, portugueses e residentes de outras nacionalidades. A par do lançamento dos resultados do inquérito, os SSM apresentaram uma nova função da sua aplicação que permite fazer uma análise do estado de saúde.