Os casinos poderão continuar abertos caso haja registo de novos casos de COVID-19 em Macau devido à retoma da emissão de vistos. Foi o que disse ontem a coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença, acrescentando que será necessário fazer uma análise mediante a situação. No primeiro dia de mais um alívio das restrições fronteiriças com Zhuhai, não se verificou um grande impacto nas entradas e saídas. Pelo contrário, houve uma descida de 6,3% em comparação com o dia anterior
Catarina Pereira*
Se em Macau se verificarem novos casos de COVID-19 não é sinónimo de que os casinos sejam encerrados. Se acontecer, será necessário fazer uma análise mediante a situação. “Temos de avaliar o risco que o caso pode implicar e o grau de influência que pode ter em Macau”, afirmou a médica Leong Iek Hou, durante a conferência de imprensa sobre a pandemia.
Com a retoma da emissão de vistos para Zhuhai desde ontem e com o seu alargamento à Província de Guangdong a 26 de Agosto, medida que abrangerá depois todos os cidadãos do Interior da China a 23 de Setembro, as autoridades esperam um aumento do número de pessoas a entrar em Macau. Porém, não significa que na eventualidade de se registarem casos da doença os casinos não se mantenham abertos.
“Se houver uma contaminação em determinadas zonas vamos defini-las como zonas de médio ou alto risco, mas isso não significa que quando ocorrer um caso que não tenha nada a ver com os casinos vamos fechá-los. Não podemos dizer que quando houver um caso vamos logo fechar os casinos”, indicou a coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença.
A médica sublinhou que já há “alguns planos” para o caso de acontecer, que terão em conta aspectos como o grau de impacto, a influência, o grupo de pessoas infectado e os locais onde aconteceu. “Depende dos casos concretos”, afirmou.
Quanto às medidas, como o distanciamento social, são para manter, até porque a pandemia não dá sinais de “abrandar” em muitos pontos do mundo. “Macau está relativamente estável, mas não podemos dizer que estamos com risco zero. Temos de equilibrar as actividades económicas e voltar à vida normal, por isso retomámos os vistos, mas, tal como disse o Chefe do Executivo, temos de fazer escolhas. Vamos manter as medidas sanitárias pessoais e medidas de distanciamento”, disse.
Leong Iek Hou disse ainda acreditar que os serviços competentes vão continuar a “cumprir com rigor” as orientações dos Serviços de Saúde. Por outro lado, frisou que, quando houver vacina, “as autoridades irão ver se é preciso ou não tomar medidas mais flexíveis”.
Fluxo nas fronteiras sem “mudança notável”
Ontem foi o primeiro dia da emissão de vistos para residentes de Zhuhai, no entanto o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) não verificou “uma mudança notável” no fluxo de pessoas nas fronteiras. “Desde a meia-noite até às 16:00, o número total das entradas foi cerca de 70 mil, houve uma descida de 6,3% em comparação com [anteontem]. Quanto às saídas, foram cerca de 60 mil”, revelou Ma Chi Hong.
Até às 12:00 de ontem, as autoridades de segurança pública de Zhuhai trataram um total de 879 pedidos de vistos individuais de turismo.
“Estimamos que o número de entradas e saídas irá aumentar e temos confiança de que vamos fazer bem os nossos trabalhos nos postos fronteiriços no que respeita ao fluxo de pessoas”, acrescentou. O representante do CPSP apelou ainda a que quem se desloque a Zhuhai o faça através de diferentes postos fronteiriços e sem ser na hora de ponta. Segundo disse, as pessoas concentram-se nos postos fronteiriços entre as 18:00 e as 20:00.
Sobre as medidas de controlo devido à possibilidade de aumento do número de turistas, Ma Chi Hong disse ainda que poderão passar pela disponibilização de “mais transportes” para fazer a triagem das pessoas que passam pela fronteira.
Já a Alfândega de Gongbei informou que em Agosto o fluxo diário de pessoas que passaram pela fronteira superou as 200 mil, ou seja, cerca de 50% do número de pessoas que o faziam antes da pandemia.
De acordo com as autoridades, a partir de hoje os trabalhadores dos casinos podem fazer marcação para teste de ácido nucleico através da página electrónica. Actualmente a capacidade máxima diária de realização de testes no território é de 23 mil.
Macau completou ontem 136 dias sem casos locais e 47 dias sem casos importados do novo coronavírus. Estavam em observação médica 1.410 pessoas.
Serviços de Turismo prevêem aumento gradual de turistas
Para a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), a retoma dos vistos individuais significa “uma boa notícia” para o sector do turismo local. Numa resposta enviada à TRIBUNA DE MACAU, o organismo anteviu que o número de visitantes do Continente irá crescer gradualmente, o que beneficiará vários sectores. Apesar da epidemia registar uma tendência estável no território, a DST frisou que é preciso as pessoas terem cuidado e continuarem a desenvolver bem os trabalhos de prevenção para que os turistas possam vir até cá sem preocupações. Além disso, o organismo reiterou que tem vindo a desenvolver trabalhos de divulgação dedicados ao mercado do Continente chinês.
R.C.
Descartado erro médico no caso de bebé que engoliu parte da zaragatoa
A coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença descartou ontem a hipótese de erro médico no caso do bebé de nove meses que engoliu parte da zaragatoa ao fazer o teste de ácido nucleico. Leong Iek Hou lembrou ainda que actualmente, e por forma a evitar este tipo de incidentes, menores de 18 anos têm obrigatoriamente de fazer testes pela via nasal. Este exame pode ser feito no Fórum Macau, enquanto o teste pela via oral só é efectuado no Terminal Marítimo do Pac On. Recorde-se que anteriormente já uma criança de sete anos tinha engolido parte da zaragatoa.
R.C.
*com Rima Cui



