A Igreja “Jesus Alive Ministry” angariou 5.280 patacas num evento que tinha como foco apoiar as vítimas do terramoto e tsunami que devastaram Sulawesi, na Indonésia

 

Salomé Fernandes

 

Membros de diferentes comunidades religiosas uniram-se ontem num evento organizado pela Igreja “Jesus Alive Ministry”, dedicado a rezar e a angariar dinheiro para as vítimas do terramoto e tsunami ocorridos em Sulawesi, na Indonésia. A iniciativa arrecadou um total de 5.280 patacas, sujo destino final será direccionado às cidades de Palu e Donggala por intermédio do canal religioso sediado em Jakarta, “Pijar TV”.

Tanto Loiden Rosete como MaryJane Nazal participaram no evento, apesar de integrarem uma Igreja de origem filipina. As duas fiéis indicaram que “os presidentes da Indonésia e das Filipinas são amigos, pelo que nos apoiamos uns aos outros”. Não conhecem nenhuma pessoa afectada pelos desastres naturais, mas consideram que, tendo em conta a distância, o melhor método de apoio é mostrar solidariedade e rezar para encorajar as pessoas que se encontram na Indonésia.

Também Yosa Wariyanti, da Associação de Trabalhadores Migrantes Indonésios, esteve presente, apesar de estar a apoiar outra campanha de angariação de fundos a decorrer através da Mesquita. Embora não conheça ninguém directamente afectado, tem uma amiga cuja família estava desaparecida mas já foi encontrada a salvo, permanecendo uma outra com familiares desaparecidos. A mensagem que deixa é de união. “Os indonésios em Macau devem apoiar os irmãos na Indonésia, mesmo com pouco podemos apoiá-los”.

O reverendo Gilbert Humphrey esperava a presença de mais pessoas locais no evento, mas mostrou-se feliz “que pelo menos dêem dinheiro porque isso significa que as pessoas em Sulawesi recebem ajuda”. Beto, como é também conhecido, não esperava consequências tão graves do desastre natural. “Estava num jantar de família quando vi as notícias mas o Governo da Indonésia cancelou o aviso de tsunami, deve ter havido algum engano. Então achámos que não seria tão grande”.

Só três dias depois, com as comunicações restauradas e a possibilidade de ver vídeos e dificuldade no contacto de amigos de clérigos é que se apercebeu da dimensão do que havia acontecido. Ainda assim, considera que os esforços do Governo em educar as pessoas para o perigo de tsunamis tem produzido resultados. “Não posso dizer que o Governo não está a fazer o suficiente, mas pode fazer mais”, notou, porém.

O evento contou com momentos musicais e de dança de grupos locais de migrantes indonésios, como a Matim Macau e a Peduli BMI Macau. Para além disso, o artista australiano Dennis Murrell doou dois guarda-chuvas com as suas pinturas para leilão e a escritora Bei Terra deu 10 livros para serem vendidos durante o evento, cujas receitas revertem para as vítimas. Note-se que até ontem cerca de duas mil pessoas haviam sido reportadas como mortas, com centenas de pessoas desaparecidas e mais de 70.000 a viver em centros de emergência ou deslocadas pela região.