A presidente do Instituto Cultural revelou que os estaleiros de Lai Chi Vun vão abrir parcialmente ao público no final do corrente mês. Segundo Leong Wai Man, vai ser possível abrir naquele local pavilhões para exposições e restaurantes de maiores dimensões. Enquanto isto, representantes de associações de Macau mostram-se apreensivos no que diz respeito às condições de acesso à feira promovida pelo IC naquela zona. Sugerem ligações especiais de autocarro ou o reforço das carreiras de transportes públicos para Coloane. A iniciativa vai acolher 15 barracas para venda de lembranças e petiscos típicos
Vítor Rebelo*
A presidente do Instituto Cultural (IC), Leong Wai Man, disse que já foram concluídas as obras de reparação da estrutura de Lai Chi Vun e que no final deste mês, ou no início de Julho, os estaleiros navais “vão ser abertos parcialmente ao público”.
Leong Wai Man esclareceu que na primeira fase da abertura do espaço ao público serão instalados uma feira e espaços de lazer, bem como um local para exposições. “O IC está a preparar a exibição da história da povoação de Lai Chi Vun, as estações navais e as técnicas de construção naval”, revelou, num programa do “Ou Mun Tin Toi”, adiantando que outros lotes vão ter funções mais diversificadas.
“É possível serem abertos pavilhões de exposições ou espaços de restauração de maior dimensão”, mas para concretizar estes planos “será preciso esperar mais algum tempo”, apontou Leong Wai Man.
De referir que há pouco tempo o IC anunciou o lançamento de um concurso para instalações de arte pública e equipamentos públicos nos lotes X11, X15 dos estaleiros navais de Lai Chi Vun. O concurso vai terminar em meados do próximo mês de Julho.
Entretanto, a feira de Lai Chi Vun, programada para os fins-de-semana, de sexta a domingo e nos feriados, arranca a partir da segunda metade do mês, em Coloane. Assim, surgem as primeiras sugestões, que no fundo reflectem apreensões de associações da RAEM, dirigidas à organização e que apontam para um dos aspectos que poderá criar mais dificuldades, o do acesso dos visitantes.
Falta de estacionamento é a principal preocupação
Como se sabe, é estreita a rua onde terá lugar a actividade promovida pelo IC. Mesmo considerando que o trânsito deverá ser cortado nos dias do evento, responsáveis de duas associações pediram ao Governo para serem criadas carreiras próprias de pequenos autocarros, “shuttles”, ou então aumentada a frequência dos transportes públicos desde o centro da cidade, passando pela Taipa, até àquela zona de Coloane.
Em declarações ao Jornal Ou Mun, Lam Ka Chun, sub-director da Associação Produtora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa, diz que a iniciativa do IC de “revitalizar o espaço” é positiva, considerando que “a medida vai ajudar também a dinamizar toda a vila de Coloane”. No entanto, apontou que “actualmente, além do auto-silo da Rotunda da Concórdia, não existem outros espaços para estacionamento”. Por isso sugeriu o lançamento de mais autocarros para facilitar o acesso dos visitantes.
Além disso, o dirigente associativo pede ao Governo para “divulgar as actividades de Lai Chi Vun através de canais mais diversificados”, criar um “serviço de visita guiada operada por profissionais” e promover uma “colaboração com escolas e associações para a promoção de palestras e workshops”, de modo a permitir ao público um conhecimento mais profundo sobre a história e a cultura de Lai Chi Vun.
Por outro lado, alertou para a aproximação da época dos tufões, sendo necessário “reforçar as medidas de organização e protecção do ambiente da zona”, e defendeu a cooperação entre o Governo e as indústrias culturais “no lançamento de mais produtos culturais e turísticos”. A título de exemplo, sugeriu uma actividade de experiência cultural em torno do tema de Lai Chi Vun.
Já Nick Lei, deputado e director da Aliança de Povo de Instituição de Macau, foca também a sua atenção na “rápida melhoria das instalações de transporte” nas imediações do Lai Chi Vu, “para que os visitantes tenham uma forma mais fácil para chegar à zona”. Nick Lei pede um serviço de “shuttles” nos dias da feira. Lembra ainda que antes da pandemia funcionava uma ligação marítima entre a ponte cais de Coloane e a Barra, entretanto suspensa, “e que deveria ser retomada”.
Na mesma linha, sugere a introdução de serviços de visita guiada e uma maior cooperação entre o IC e outros organismos governamentais “para reorganizar todos os recursos culturais e turísticos em Coloane”.
*Com Rima Cui



