Vai arrancar já no próximo Verão um programa que permitirá aos alunos do Instituto de Formação Turística de Macau realizarem intercâmbio académico ou estágios na indústria hoteleira em Portugal
Salomé Fernandes
Fanny Vong, presidente do Instituto de Formação Turística (IFT), e a Secretária de Estado do Turismo de Portugal, Ana Mendes Godinho, reuniram-se no IFT para discutir a criação de programas de intercâmbio de estudantes. A iniciativa vai avançar em Agosto de 2018.
“Vai abranger talvez não apenas o IFT, mas outras universidades, e ainda estamos a identificar o número de estudantes que poderão ir, mas queremos que seja um projecto ambicioso”, indicou Ana Mendes Godinho. O programa vai incluir duas vertentes: intercâmbio académico e a possibilidade dos estudantes de Macau realizarem estágios na indústria hoteleira em Portugal.
Para pôr o processo em marcha, o próximo passo será a vinda de uma delegação do Turismo de Portugal no próximo ano, bem como a ida de uma equipa do IFT ao país. Trata-se de aprofundar uma relação que, segundo garantiu a Secretária de Estado, vai mudar as relações futuras.
“É um projecto mutuamente benéfico. Vai ajudar Portugal a estar preparado para responder às necessidades de se adaptar ao mercado chinês, dado o aumento de turistas chineses em 40%. Mas também posiciona Macau como uma plataforma de diálogo entre a Europa e a China. Por isso, acho que é um projecto muito interessante voltado para o futuro”, notou Ana Mendes Godinho.
Este ano, um primeiro programa de intercâmbios levou 11 estudantes do IFT a frequentar um curso de vinho e gastronomia portuguesa na escola de Lamego. O resultado positivo da experiência e a afirmação do IFT como uma das melhores escolas em formação em turismo terão sido os factores decisivos para a escolha da instituição como primeiro parceiro no projecto. “O IFT foi o melhor parceiro que conseguimos encontrar na Ásia. Foi a escolha óbvia”, explicou.
Fanny Vong indicou que, apesar de existirem diversos destinos de intercâmbio, “os estudantes devem estar cientes do futuro de Macau”. “Um dos papéis de Macau é ser plataforma para serviços e comércio sino-portugueses e os estudantes não o devem ignorar. Este papel é uma directiva dada pelo Governo Central. Se os alunos forem para Portugal têm este valor acrescentado de perceber melhor a sua língua e cultura”, sublinhou a presidente do IFT. Capacidades que deseja que ponham em uso ao regressarem em Macau, seja em departamentos governamentais ou no sector privado.
Para além disso, indicou que alguns dos desafios encontrados anteriormente pelos estudantes da região começam a ser ultrapassados. “Nalgumas universidades portuguesas está a aparecer a oferta de aulas em inglês. Por isso agora há opções para os nossos estudantes. Em segundo lugar, muitos dos nossos estudantes escolhem ir para programas de estágio, por isso a língua não constitui tanto uma barreira, visto que estão a servir clientes internacionais”, comentou.
As reservas dos estudantes centram-se neste momento na capacidade financeira de pagar as viagens e viver no estrangeiro durante seis meses, bem como na vontade de deixar empregos em part-time estáveis. “O IFT dá bolsas de estudo a alguns alunos. Quanto à questão da mentalidade dizemos sempre aos estudantes que têm uma vida inteira para trabalhar, só quatro anos na universidade e possivelmente apenas uma oportunidade para estagiarem no estrangeiro”, referiu Fanny Vong.
No entanto, é de notar que o IFT já dispõe de parcerias com instituições de ensino portuguesas. “Os nossos estudantes têm-se juntado a diferentes programas de Verão organizados pelos nossos parceiros, como por exemplo no Instituto Politécnico de Leiria”. A escola de verão em Setúbal e o workshop de vinhos com a escola do Expo-Douro são outros exemplos.
Receber turistas chineses
Em referência ao programa “Welcoming China”, desenvolvido pelas escolas de turismo em Portugal para ajudar a indústria hoteleira e comercial a receber o mercado chinês, Ana Mendes Godinho indicou que, durante este ano, foram 14 os grupos de hotéis a participar em workshops na China, para se promoverem. “Esses são só que já estão no mercado chinês. Acreditamos que com o aumento do número de turistas haverá mais a aderir”, acrescentou.
Com um crescimento de 40% em turistas chineses a visitar o país em 2017, potenciado pelo voo directo entre Lisboa e Pequim, a Secretária de Estado indicou estar a ponderar “impulsionar mais voos, não só em termos do aumento do número de voos semanais de Pequim, mas também de outras zonas da China”. Justifica-se assim também a criação de programas para acelerar a capacitação dos hotéis a saberem receber turistas orientais, ao nível da cultura e da língua.
“O mercado chinês está a começar a descobrir o país para além das zonas tradicionais. Costumava ir a Lisboa e ao Porto e agora está a crescer por todo o país. O Algarve, que não era um destino para o mercado chinês, este ano subiu 50%. E em Évora o mercado chinês tornou-se o 3º mais importante”, enunciou Ana Godinho.
Com a vontade de aumentar o número de eventos portugueses realizados no território, frisou que “o papel de Macau é determinante, porque é um portão de passagem, onde temos um bom passado que mostra que há boas relações entre os dois países, e porque nos permite mostrar ao mercado asiático o que é Portugal”.
Fanny Vong deseja aposta na gastronomia macaense
O Governo anunciou recentemente que um terreno na Zona de Seac Pai Van terá um centro de ensino técnico-profissional, que vai incluir um departamento de formação culinária internacional. Em reacção, Fanny Vong disse que “estas são notícias fantásticas”. “Agora que Macau foi designada como cidade gastronómica na rede da UNESCO, deve haver um maior esforço conjunto não só no sector da hospitalidade mas também da educação para promover conhecimento, interesse e capacidades sobre gastronomia. Especialmente sobre gastronomia macaense”. A presidente do IFT acredita que a gastronomia macaense é um elemento importante da vida de Macau, e não apenas do turismo, devendo por isso ser preservada.



