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O papel da engenharia na cooperação e no desenvolvimento social e económico vai estar em análise no 2º Congresso de Engenheiros de Língua Portuguesa, que se realiza em Macau. A organização considera que a RAEM pode assumir o seu papel como ponto de encontro entre culturas para ajudar na resolução de problemas

 

Liane Ferreira

 

A partir de amanhã e durante dois dias, a RAEM vai receber a segunda edição do Congresso de Engenheiros de Língua Portuguesa, sendo que a organização prevê contar com 800 participantes, incluindo mais de 300 profissionais oriundos dos países de língua portuguesa. Subordinado ao tema “Engenharia como factor decisivo no processo de cooperação”, o congresso não pretende ter uma vertente técnica, mas sim analisar o papel dos engenheiros na sociedade e os problemas que o sector enfrenta na concretização de projectos.

“Vamos discutir a cooperação multilateral e o papel dos engenheiros no sucesso desta cooperação, no sentido do desenvolvimento económico e social”, afirmou António Trindade, presidente do comité organizador e membro do Conselho da Associação dos Engenheiros de Macau, frisando que não vai ser um congresso muito técnico.

De acordo com o mesmo responsável, já existe muita cooperação multilateral na área de engenharia, sendo exemplo disso os projectos entre a China e países lusófonos que envolvem elevados investimentos, mas enfrentam problemas na sua implementação.

“A ciência é a mesma, o conhecimento é o mesmo, mas o que varia são os processos administrativos e de implementação das obras. É uma das áreas onde pode haver progresso e onde Macau pode cooperar”, disse.

Destacando o papel de Macau no encontro de culturas ao longo de 500 anos, António Trindade afirmou que “os engenheiros de Macau funcionam nos processos, nas leis e nos procedimentos de matriz continental portuguesa, como os outros países de expressão portuguesa”, mas trabalham com agentes económicos de Hong Kong e da China, resultando em “obras monumentais que foram feitas em Macau”, devido a essa colaboração em diferentes patamares.

Neste sentido, não se trata apenas de uma relação unilateral, partindo da China em direcção ao universo lusófono, mas também no sentido inverso, pois o engenheiro considera que a China Continental “é muito carenciada de recursos, nomeadamente de recursos de engenharia”. Assim, o papel de Macau passa por determinar e fornecer esse recursos ao Continente Chinês.

“O congresso é extremamente interessante. O tema das cidades e do património é um tema que não é só de Macau”, afirmou António Trindade, destacando o Brasil como exemplo na “recuperação e capacitação do património”, bem como Guimarães.

O engenheiro considera que o congresso vai permitir encontrar novas perspectivas sobre assuntos que se debatem e têm relevância no território, porém deixa uma ressalva: “Não estamos a tentar impor um modelo, mas falamos de pessoas com formação académica e experiência superior, funcionam em espaços e ambientes diferentes”.

O congresso vai contar com 50 oradores, 60 empresas patrocinadoras e outras participantes, mas que não apadrinham o evento, para além de cerca de 300 engenheiros estrangeiros e instituições de ensino universitário. Segundo António Trindade, já está a ser discutida uma possível cooperação entre universidades portuguesas e de Hong Kong.

Entre os tópicos em discussão surgem as energias renováveis, infra-estruturas de transportes colectivos, gestão de aeroportos, veículos eléctricos e tratamento de resíduos, entre outros temas.

No âmbito do congresso, vai ser inaugurada hoje no Centro de Ciência uma exposição de objectos relacionados com a construção da Ponte Nobre de Carvalho, que comemora o seu 40º aniversário. Segundo a Associação de Engenheiros, esta obra representa exactamente o espírito de cooperação entre o engenheiro Edgar Cardoso e a equipa de construção de Macau. A ponte também motivou uma exposição fotográfica, ontem inaugurada na Fundação Rui Cunha (ver peça em baixo).