Este ano, a temporada de tufões irá prolongar-se entre Junho e Outubro. A previsão dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos é de que passem entre cinco a sete tempestades tropicais por Macau, embora seja demasiado cedo para afirmar a intensidade. As diferentes autoridades organizaram um plano de resposta a situações de emergência e de evacuação para diminuir danos das possíveis catástrofes

 

Salomé Fernandes

 

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau (SMG) estimam que entre cinco a sete tufões passem este ano pelo território, número que consideram “relativamente grande”. O primeiro deverá chegar em meados de Junho e o último na primeira metade de Outubro. A informação foi avançada ontem na Reunião da Estrutura de Protecção Civil de 2018.

“A época de tufões deste ano vai ser mais longa por isso apelo a tomarem as medidas necessárias. Por causa do tufão, o mar sofrerá mudanças devido à depressão, que vai puxar a água para cima”, descreveu o meteorologista Wong Chan Seng. Por norma, o número médio de tempestades tropicais em Macau para as quais se declara nível um é de 5,8, enquanto para nível oito é de 1,24.

O “Hato”, que foi o tufão mais forte no território desde 1953, passou a uma distância de 40km a sudoeste de Macau. Apesar de cálculos com base na compilação dos dados meteorológicos, a temperatura das águas e as estatísticas de anos anteriores permitirem indicar o número de tufões esperados este ano, ainda não há previsões de qual será a proximidade ao território, explicou o meteorologista Wong Chan Seng.

“Estas situações são muito difíceis de prever. Quando dizemos que o tufão [de grande intensidade] pode aparecer de 100 em 100 anos, não significa que só volte a acontecer daqui a 100 anos. Pode voltar a acontecer num espaço de tempo mais curto”, disse. Para além da força do tufão, há outros factores a influenciarem o seu impacto. Entre eles a “temperatura da água do mar” e a “circulação das condições atmosféricas”.

No discurso de abertura da reunião, o comandante de Acção Conjunta e comandante-Geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Ma Io Kun frisou os danos humanos e económicos causados pela passagem do tufão “Hato”. Nesse seguimento, recordou que dia 28 deste mês se vão realizar simulacros para testar o novo plano de emergência em caso de catástrofe, tendo acrescentado que “este exercício conta pela primeira vez com as associações civis para melhorar o conhecimento”.

Para além disso, como já tinha sido dito anteriormente, serão seleccionados 90 pontos para instalação de altifalantes que transmitam avisos de emergência e indiquem o plano de evacuação, para além de 16 centros de abrigos. E as autoridades envolvidas vão ainda reforçar acções de sensibilização para promover conhecimentos de protecção civil entre a população.

“Em caso de emergência mesmo sem sapatos podemos ir a pé”, disse Tang Yuk Wa, apesar de afirmar que quem tiver tempo deve levar objectos pessoais consigo. “A estipulação foi o resultado da cooperação de vários serviços públicos e privados. No futuro continuaremos a desenvolver esses trabalhos. Os 16 centros têm uma capacidade de quase 24 mil pessoas”, indicou.

Os centros de acolhimento, localizados em locais como pavilhões desportivos, dispõem de recursos humanos, bem como de água, alimentos, televisão, rádio, materiais sanitários, e recursos materiais como colchões, sacos de cama e produtos de consumo diário, como pasta de dentes. O mais indicado a pessoas com necessidades especiais é o do Tap Seac, indicaram na reunião.

Segundo descreveu Tang Yuk Wa, representante do Instituto de Acção Social (IAS), as pessoas devem deslocar-se a pé para os locais seguros. Quem não consiga obter ajuda de familiares ou vizinhos, mas consiga dirigir-se directamente a um centro de abrigo deve fazê-lo. Caso contrário, vão existir junto a zonas de inundação – na Ilha Verde, nos mercados de Patane, São Lourenço e São Domingos – pontos de encontro nos quais as autoridades vão estar a fornecer transportes.

“Quando é ordenada evacuação segura, deficientes e idosos concentram-se aí e depois a polícia e serviços públicos coordenam levar as pessoas para centros de abrigo. (..) Se houver pessoas carenciadas peço que levem as pessoas a esses pontos de encontro”, alertou. A recomendação para o caso de não haver tempo suficiente para nenhuma destas situações é “deslocar-se às zonas mais altas”.

Já o comissário Fan Ka Wa comunicou que o plano de evacuação das zonas baixas vai ser anexado ao plano de protecção civil. Após activação do plano serão mobilizados veículos com altifalantes e a recomendação é “levar bens, desligar água e gás”. O slogan para o processo vai chamar-se “durante o aviso de ‘storm surge’ devemos deslocar-nos imediatamente, com a nossa família, para locais altos”.

 

IACM focado na recolha de lixo

“A nossa prevenção é mais ao nível do dia a dia fazer a verificação das árvores, das condutas, do sistema das bombas centrais que temos, para que tudo seja operacional. E ter o cuidado de ter pessoal activo suficiente apto a essas intervenções”, notou José Tavares, presidente do Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Neste sentido, o pessoal do organismo está a fazer cursos de formação para aperfeiçoar os seus conhecimentos. E o responsável garante que esta formação estará concluída antes da época de tufões.

Afirmando que “o equipamento que tínhamos na altura não era o suficiente para enfrentar uma catástrofe como o Hato, por isso requisitámos um reforço de verba”, José Tavares explicou que o IACM tem agora mais de uma centena de serras eléctricas, cerca de 200 pás e 100 mil sacos de plástico. As serras eléctricas foram reforçadas para casos de quedas de árvores, e o resto com a recolha de lixo.

“E isso está já a ser montado no esquema de distribuição pelos nossos centros. No caso de haver necessidade as pessoas podem-se acolher lá e depois dos tufões permitem reforçar as intervenções necessárias de recolha do lixo”, disse, acrescentando que futuramente “a prevenção vai ter uma dinâmica muito diferente da do ano passado”.

Só na parte de fiscalização do lixo o IACM tem perto de 100 pessoas. O total sobe para 300 a 400 operacionais quando se consideram também as zonas verdes e os esgotos. E o organismo planeia manter contacto directo com a empresa de recolha de lixo para garantir que nas vésperas da vinda de tufão o lixo da cidade está todo recolhido, de forma a que após o desastre natural haja capacidade para receber mais um montante de resíduos.

Por outro lado, a limpeza dos esgotos que se realiza de duas em duas semanas dar-se-á dois ou três dias antes do içar do sinal. O problema foi particularmente grave na zona baixa durante a última época de tufões, mas José Tavares descarta que a culpa seja do sistema de esgotos. “Os nossos esgotos têm funcionado bastante bem, o problema é ser uma zona baixa”, afirmou.