A Escola Portuguesa de Macau obteve novamente a média mais alta nos exames nacionais do secundário entre os estabelecimentos de ensino situados no estrangeiro. O presidente da direcção da escola mostrou-se satisfeito com os resultados
Salomé Fernandes*
Os alunos de Macau e Angola são os únicos que conseguem que as escolas portuguesas que frequentam no estrangeiro tenham média positiva nos exames nacionais do secundário, segundo a análise feita pela agência Lusa dos dados do Ministério da Educação.
Olhando para os resultados obtidos nas oito escolas situadas em países que pertencem à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, desde a Guiné-Bissau até Timor-Leste, verifica-se que apenas três conseguem ter média positiva: a Escola Portuguesa de Macau (EPM), com uma média de 11,88 valores, e duas da capital angolana – a Escola Portuguesa de Luanda (média de 11,64) e o Colégio de São Francisco de Assis (11,41 valores).
“É muito gratificante termos conseguido atingir esta posição. Mas sobretudo o mais gratificante é os alunos da Escola Portuguesa de Macau terem tido sucesso no seu percurso escolar de 2016/2017 que se reflecte agora nos valores do ranking publicado”, disse Manuel Machado, presidente da direcção da EPM, em declarações à TRIBUNA DE MACAU. Os resultados, sublinhou, são o resultado de trabalho conjunto entre professores, alunos, e encarregados de educação.
O Português é um dos exames com média mais baixa no estabelecimento de ensino, algo que o presidente da direcção considera que “não é de admirar”.
“A EPM está inserida na RAEM e cada vez mais existe um número crescente de alunos que não tem como primeira língua a portuguesa para os quais é necessário ao longo do ano adoptar um conjunto de estratégias e apoio para poderem adquirir as ferramentas linguísticas necessárias ao acompanhamento do currículo. E, portanto, de alguma maneira esses resultados ao Português traduzem um pouco esta realidade da Escola Portuguesa”, justificou.
A mudança da realidade ao longo dos anos exige que se alterem determinadas estratégias no sentido de se adaptarem às novas situações de forma a que o sucesso dos estudantes não seja posto em causa, acrescentou, escusando-se a comentar o desempenho das outras escolas portuguesas no estrangeiro.
Para além do esforço desenvolvido pelos alunos no sentido de dominarem os conteúdos exigidos nas provas, Manuel Machado sublinhou o apoio prestado pelos professores “não só durante o ano lectivo mas também no período entre o termo das aulas e o início dos exames os apoiam continuando a dar aulas para esclarecerem dúvidas e melhor se prepararem para a prestação nos exames”.
A média das notas dos alunos que frequentam escolas portuguesas no estrangeiro é de 9,88 valores e a nota média dos alunos pelo trabalho realizado ao longo do ano é de 13,08 valores. No “ranking” que avalia as médias por regiões, as escolas portuguesas aparecem no antepenúltimo lugar, à frente dos alunos das escolas do distrito de Portalegre (média de 9,62 valores) e das ilhas dos Açores (9,80 valores).
O país com mais escolas portuguesas a levar alunos a exame é Angola, cujos alunos tiveram uma média de 7,88 valores nos exames. Tem dois estabelecimento de ensino na capital e um em Lubango. O estabelecimento de ensino pior classificado é a Escola Portuguesa da Guiné-Bissau (4,79 valores em 42 exames), uma média que corresponde também ao último lugar do “ranking” geral que avalia 633 estabelecimentos situados em Portugal e no estrangeiro.
As escolas da ilha de São Tomé e Príncipe, do Lubango, da capital de Timor-Leste e da Guiné-Bissau ficam, invariavelmente, abaixo do 600º lugar.
Primeira escola pública só aparece em 28º
São os colégios privados que, a nível geral, ocupam os primeiros 27 lugares das escolas com melhores médias nos exames nacionais do secundário, registando-se uma subida de cinco lugares das escolas públicas no “ranking” elaborado pela Lusa, tendo em conta as médias dos alunos internos dos estabelecimentos onde se realizaram mais de 100 provas.
A melhor média nacional, voltou a pertencer aos alunos do Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, com 15,02 valores em 479 exames realizados. Numa lista de 521 estabelecimentos de ensino, a primeira escola pública surge em 28º lugar, graças aos estudantes da Secundária Garcia de Orta, também no Porto, que fizeram 796 exames e obtiveram uma média de 12,91 valores.
Comparando com o ano anterior, quando os primeiros 33 lugares da lista foram ocupados por privados, verifica-se uma ligeira subida das escolas públicas. As dez escolas públicas com melhores resultados encontram-se nos primeiros 50 lugares da lista, sendo que muitas vezes o desempate entre elas é feito por centésimas.
À semelhança de anos anteriores, as escolas com melhores classificações são frequentadas, maioritariamente, por alunos de famílias sem dificuldades financeiras e com pais com formação superior ou com o 12.º ano.
É na cidade de Lisboa que se encontra metade das escolas do top 10 deste “ranking” de 521 estabelecimentos: os colégios Manuel Bernardes, São João de Brito e Santa Doroteia (em 2.º, 3.º e 4.º lugares, respectivamente) assim como o Salesianos de Lisboa e o Valsassina (em 7.º e 9.º).
Também entre os estabelecimentos de ensino público, os melhores resultados voltam a destacar as escolas que já se distinguiram noutros anos. Em 1.º e 4.º lugar aparecem secundárias do Porto – a Garcia de Orta e a Clara de Resende – que são separadas por duas escolas de Lisboa – a D. Filipa de Lencastre e a do Restelo. A escola Eça de Queiroz, na Póvoa do Varzim, e a Infanta Dona Maria, em Coimbra, aparecem em 5.º e 6.º lugar da lista, onde volta a aparecer um estabelecimento de ensino do distrito de Lisboa: a Escola Secundária Sebastião e Silva, em Oeiras.
No fim da lista deste ‘ranking’ aparecem escolas inseridas em bairros mais carenciados e onde a grande maioria dos alunos tem apoio social escolar e os pais têm pouca escolaridade, factores que afectam o sucesso académico dos estudantes.
* Com Lusa



